domingo, 12 de outubro de 2008

Zesérgio manda e-mail ao Gabeira

O candidato da “esquerda” vs o candidato dos “esquerdos”

José Sérgio Rocha, jornalista, brizolista roxo etc. etc.

Sabem do que mais? Não me importo se o Gabeira era o cara da metralhadora ou se apenas ia buscar a pizza do embaixador americano que ajudou a sequestrar. E nem se ele demorou a desmentir a autoria do manifesto lido pelo Cid Moreira no horário nobre, ao som do Hino da Independência. "Ou ficaraaaa pátria liiiiiivreee...". Aquele lindo texto do Franklin Martins que levantou a coluna e deixou todos os democratas arrepiados. Em plena ditadura militar! Meninos, eu vi!

Vi, sim, vi na televisão barata, Máscara Negra. Vi, vibrei, não participei. Tinha 17 anos, não era "vanguarda", apenas "massa" do movimento estudantil do Colégio (Tudo ou nada! Então comequié...) Pedro II/Centro, sem nenhuma passagem pela polícia, fora uma detençãozinha de hora e meia, "para o meu próprio bem", consolo que ouvi do meu avô, chofer de táxi, Leonel de carteirinha. Jamais contaria à minha mãe, funcionária pública, que amava o Lacerda e morria de medo de tudo. Nem ao meu pai, alagoano brabo, Jânio de vassourinha e, apesar disso ou pour cause, sem um pingo de humor.
Foi uma minipasseata maluca que, felizmente, nunca chegou às portas do Ministério da Guerra. Meia dúzia de babacas caíram no arrastão da delegacia da Marechal Floriano e ouviram o esporro rodriguiano do comissário:

"Vocês querem que eu perca meu emprego, seus filhos da puta?! Ia ser tudo fuzilado! Vou botar vocês com uns negões que gostam de garotinhos, seus merdas!".
Felizmente praqueles pirralhos magrelas e respectivos traseiros secos (eu diria, felizmente pros próprios negões em atraso), a curra coletiva foi só ameaça de um policial que, com certeza, não era de nenhuma banda podre. Odiei aquele meganha da Divisão de Capturas/Polinter durante anos. Mudei de opinião quando as espinhas deixaram de fazer residência no meu rosto. Não, não guardei o nome da figuraça.
Ou seja, tem gente que não é herói, no máximo chega perto e falha na tentativa, que nem broxada. Tem gente que não é mais "de esquerda", pois a esquerda hoje é muito ampla. Eu diria que a esquerda hoje é Universal. A fila é imensa, dobra o quarteirão e chega até à porta do templo da dita cuja.

Somos, no máximo, canhotos revoltados.
Todo mundo é Flamengo – somos Botafogo!
Todo mundo é Mangueira – somos Portela!
Todo mundo é Zezé di Camargo e Luciano – viva Nei Lopes e Wilson Moreira!
Todo mundo é Lula – já fomos...

Já fomos quando não era fácil ser. Quando não pagavam "30 real" nem davam lanchinho pra gente ficar o dia inteiro bandeirando no semáforo. A propósito, naquele dia em que perdigotejou no ouvido esquerdo do Cícero Sandroni que os pobres não podem pagar pelas lambanças do cassino de Wall Street, aí, sim, dá-lhe Quatro Dedos! Já quando chama o Crivella de irmão, ó Senhor Jesus!

Fernando Gabeira não é o candidato dos heróis, dos campeões, tenham ou não tenham levado pelo menos uma porrada.

É o candidato de quem quis ser, realmente, gauche na vida. Onde queres Leblon, Pernambuco. Onde queres românticos, burguês. Ou não. Pessoas-carlos-que-caetanam. Onde queres Belmonte, sou pé-sujo. Onde queres Rolex, camelô. Onde queres emprego público, ralação. Ó quereres, ó podres poderes

Votaria, se meu título não fosse de Niterói, no Fernando Gabeira, sim, para que não me sequestrem a consciência e tudo acabe em pizza. Dos meus cinco vereadores favoritos no Rio, quatro já estão com o Gabeira – a Andréa Gouvêa Vieira, o Stepan Nercessian, o Paulo Pinheiro e a Aspásia Camargo. Agora só falta o Eliomar Coelho. Quem sabe, apesar da opaca redoma do PSOL, teremos novidades em breve na Praça Mauro Duarte?

Não, nada contra o Eduardo Paes, um bom candidato, mas o moço é demasiado composto. Parece certos complexos vitamínicos. Não sei de onde o Vladimir Palmeira tirou que o Paes tem tanta história assim!?!? Pelo que sei, saiu da PUC um dia desses para ser prefeitinho da Barra (dizem que bom, mas eu nunca vou à Barra) e teve seu grande momento na CPI, quando mandou bala no Barba, aquele a quem, erroneamente, alguns amigos meus ainda se referem como seguidor do Corifeu da Práxis. Eduardo Paes é boa pessoa, honesto, etcetera e tal, mas ninguém pode ser bom candidato tendo aliados que vão do correto Vladimir ao certinho Crivella. É leque demais, dá para abanar um verão inteiro em Itaperuna, que é mais quente do que Bangu e o Inferno juntos.

A propósito, Vladimir, pensando bem, acho que eu gostava mais dos apartes do Luiz Travassos do que dos seus discursos...

O que mais encanta no candidato que não é herói, que sai da piscina enrolado numa toalha, é que ele está propondo, pela enésima vez, um governo onde cargos técnicos serão entregues... a técnicos. Há quem pisoteie essa idéia, vociferando que seria uma volta ao passado, um déjà-vu, o retorno à tecnocracia do regime militar, o escambau a 4! Mas nós, os esquerdos que não somos da "esquerda volver", enxergamos de outra maneira:

1) Se tem alguém capaz de fazer isso, é o Gabeira;
2) Já imaginaram se der certo? Se o fim do loteamento de cargos emplaca no mais belo dos BRICs?

Esta eleição vai ser mesmo algo muito bom de se ver. Sim, Gabeira vs Paes seria mesmo uma disputa qualificada, de propostas, entre dois homens decentes, se não fossem tantos pretendentes de boquinhas.

Eduardo Paes, corra o risco de perder alguns votos, porém de ganhar muitas consciências, e entre na onda do Gabeira. Pare de procurar partidos onde se amontoam gatos e lebres e vá direto às melhores pessoas desses lugares mal frequentados. Desde agora, diga um sonoro NÃO ao loteamento de cargos a partir de janeiro. O candidato do governador, do presidente, da ONU, do pastor, do bispo e do segundo-secretário da Mesa da Câmara Municipal de Santa Cecília do Esculacho pode fazer isso, tranquilamente.

Não precisa ter medo. O candidato da toalha, dos não-heróis, já deixou bem claro que não quer mesmo saber dessa gente toda enchendo o saco. O palanque pode desabar.

2 comentários:

Truda disse...

Depois que li esse texto, um tal de Petista Chato soltou os cachorros lá no blogue da Cora Rónai dizendo que o Gabeira não precisa enxovalhar ninguém para ganhar votos.

mari disse...

Até parece que é ele quem enxovalha... Mas eu não to nem aí, sabia???

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