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domingo, 26 de dezembro de 2010

A questão feminina num buraco mais embaixo

As mulheres do MST é um texto espetacular da professora Maria Orlanda Pinassi (Unesp-Araraquara), publicado lá no Nassif. A conclusão vai abaixo, mas vale muito ler o texto inteiro, um verdadeiro presente de Newtal.

Pena que esteja às moscas, ao contrário da interminável discussão sobre as "feminazi" (e este é apenas um dos muitos links que gerou), palavra estúpida de um machista imbecil que virou a blogosfera de cabeça pra baixo.

"Concluindo: o quadro descreve uma situação que está ainda muito aquém de ser conclusiva, mas a práxis dessas mulheres evidencia, desde o princípio, o elevado grau da sua consciência de classe que, a partir da dimensão de sua própria luta, potencializa o que nela possa haver de específico. Mas, vai bem além ao trazer luz aos gravames irreversíveis das contradições que, de modo mais amplo, habitam a relação atual do capital com o mundo do trabalho. Nesses termos, tal práxis é suficientemente abrangente para colocar em xeque as falácias do direito formal burguês as e expor, para que o mundo todo testemunhe a tragédia humana e ambiental, que o atual padrão de acumulação impõe ao Brasil, país meridional estruturalmente destinado à condição de colonialidade e de periferia.

Nessa medida, o movimento de mulheres do MST não só confirma a radicalidade da prática de ocupação que vem distinguindo a luta histórica do movimento pela reforma agrária, como parece constituir uma singularidade ainda mais instigante. Trata-se, pois, de um movimento muito articulado de mulheres trabalhadoras, acampadas, assentadas, cuja perspectiva de classe potencializa seu poder de crítica e autocrítica, de desafiar os avanços absolutamente destrutivos do capital, de enfrentar, com coragem admirável, os imensos desafios internos e externos ao movimento.

Melhor, essas mulheres estão reabrindo a história e reencontrando o verdadeiro espírito da revolução de que falava Marx, ao dar um salto ontológico em direção à emancipação não somente das mulheres, mas de toda a humanidade".

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Muuuuito grave!!!

O que Kátia Abreu tem a dizer a juízes? Não há almoço grátis, então... o que Kátia Abreu tem a dizer a juízes?

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Kátia Abreu faz palestra em encontro de juízes patrocinado pela CNA

Conceição Lemes, no Viomundo

De 11 a 13 de novembro, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizou, em Aracaju (SE), o IV Encontro Nacional de Juízes Estaduais, cujo tema foi “Justiça e Desenvolvimento Sustentável”.

O IV Enaje arrecadou R$ 1,05 milhão em patrocínios. Um, em particular, chamou-nos a atenção. Os R$ 100 mil pagos pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), comandada pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

Kátia Abreu, segundo reportagem de Leandro Fortes em CartaCapital, é a rainha do latifúndio improdutivo:

Com a espada da lei nas mãos, e com a aquiescência de eminências do Poder Judiciário, ela tem se dedicado a investir sobre os trabalhadores sem-terra. Acusa-os de serem financiados ilegalmente para invadir terras Brasil afora.

Foram ações do poder público que lhe garantiram praticamente de graça extensas e férteis terras do Cerrado de Tocantins. E mais: Kátia Abreu, beneficiária de um esquema investigado pelo Ministério Público Federal, conseguiu transformar terras produtivas em áreas onde nada se planta ou se cria. Tradução: na prática, a musa do agronegócio age com os acumuladores tradicionais de terras que atentam contra a modernização capitalista do setor rural brasileiro.

Continua

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

José e Daniel, direitos iguais

É involuntário, claro, que eles fogem de tais declarações como o diabo da cruz, mas, como é vítima de esculhambação da direita, olhem só o que o Grobaixo publica no online:
SÃO PAULO e TERESINA – O líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, rebateu nesta quinta-feira as declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que criticou na quarta-feira a violência do movimento e disse que as autoridades não podem tolerar as invasões. Rainha, que liderou a ocupação de 21 fazendas no Pontal do Paranapanema durante o carnaval, cobrou do ministro o mesmo tratamento dispensado ao banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity e acusado de corrupção durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, no ano passado.

Dantas foi preso duas vezes, mas acabou solto após habeas corpus concedidos por Mendes. Ele foi condenado em dezembro a 10 anos de prisão pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto de Sanctis.


– Nós estamos lutando pela dignidade humana e o ministro não pode nos dar tratamento diferenciado ao que deu, por exemplo, a Daniel Dantas. Não se pode deixar os ricos sempre a favor da lei e condenar os pobres por se valerem de lutas – disse o líder dissidente do MST.

Nesta quinta, Gilmar voltou a criticar uso de dinheiro público para financiamento de movimentos sociais. Para ele, esse financiamento significa que a sociedade está financiando a violência no Brasil. De acordo com Mendes, movimentos sociais ocupam terras, ocupam imóveis e geram violência. Segundo ele, a lei proíbe esse tipo de financiamento porque os recursos são públicos e sua aplicação não tem essa finalidade.


– Isso é a sociedade financiando a violência do Brasil – declarou, em
Teresina, durante inspeção do Conselho Nacional de Justiça, do qual é presidente, na Justiça do Piauí.
Não é lindo? O governo pode financiar tudo, menos movimentos sociais que que contrariem as idéias do "presidente supremo". É bestial, como pode um sujeito assim presidir um tribunal de ponta? Ele tem posição explícita! Que país! Fico doida, com vontade de quebrar tudo! Ah, e fazem questão de destacar que Rainha é dissidente!
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