sexta-feira, 29 de abril de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

The Notion: aulinha sobre a "realeza" americana

No Notion, blog da Nation, Laura Flanders dá uma aulinha sobre a sobre a "realeza" americana, aquele 1% que detém 34% da riqueza dos EUA. Aqui. E Gary Younge afirma no Beneath the Radar que o tal casamento real é um ato de classe (pajalsta, classe no sentido de dominante e explorada, sim?!) Aqui! Muuuuito bem! Espero que já tenha acabado tudo quando eu acordar.

Leilane Neubarth, na grobostanews, baba tanto que parece a própria cinderela. Ainda bem que vem por aí a nova Record News. Vou morrer em mais 30 paus pra caríssima sky, mas vale a pena.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Perdeu, Jorgina!

Não é um barato saber que alguma grana da Jorgina finalmente comece a aparecer? Mas a demora na organização desses leilões chega a ser suspeita. Hoje prenderam uma quadrilha que fraudava desde os anos 80! Tenham paciência... Jorgina roubou R$ 310 milhões, mas só R$ 82 milhões foram reavidos. Ela foi condenada a 14 anos de prisão em 1992, mas só teve a licença cassada pela OAB em 2001, acreditam?!

A notícia no pasquim:

Rio - O leilão dos seis primeiros imóveis da fraudadora da Previdência Social Jorgina de Freitas, marcado a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), aconteceu nesta quarta-feira no Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJ-RJ). Os seis imóveis foram vendidos em segunda praça e chegaram ao valor de R$ 1.811.000,00. Um casarão em Petrópolis, com avaliação judicial de R$ 800 mil, foi arrematado por R$ 930 mil. Ainda restam 60 imóveis da fraudadora, que serão reavaliados a pedido da Procuradoria Regional da 2ª Região (PRF-2), feito ao presidente do TJ-RJ em agosto de 2010, para que sejam leiloados.

Continua aqui.

Mantega no CDES: (quase) tudo azul em 2011

Veja a apresentação do ministro da Fazenda no Conselho de Desenvolvimento Econômico. O Brasil vai indo tão bem que dá até nervoso. Agora, essas taxas de juros... vou te contar! Se bem que, se julgarmos por Teresópolis, a inflação voou. Imagino que seja consequência da tragédia de janeiro, mas a verdade é que a vida na cidade de repente ficou caríssima. Mas vamulá Brasil! (Dica do @arnobio1969)

Esses americanos são uns neuróticos (mesmo!)!

Matthew Cavanaugh/Getty Images/NYT
Que coisa absurda, o Obama cedeu às pressões e publicou no site da Casa Branca a íntegra da certidão de nascimento dele, provando que é americano! Tudo porque o indescritível Donald Trump, que se lançou candidato a presidenciável, juntou-se ao coro fundamentalista que insiste em que Obama não nasceu no Havaí. Vou te contar, que povo louco!






Breaking News Alert
The New York Times
Wed, April 27, 2011 -- 9:24 AM ET
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White House Releases Long Form of President Obama's Hawaii Birth Certificate

President Obama posted a copy of his "long form" birth
certificate, hoping to finally end a long-simmering
conspiracy theory among some conservatives that he was not
born in the United States and was not a legitimate president.

The birth certificate, which is posted online at the White
House website, shows conclusively that Mr. Obama was born in
Honolulu, Hawaii, and is signed by state officials and his
mother.

Read More:
http://www.nytimes.com?emc=na

A apaixonante Líbia que não conhecemos

Claudia Antunes enviou o excelente texto abaixo sobre a Líbia. Esclarece um milhão de coisas – por exemplo, o papelão da União Africana! – e ainda refresca a memória dos mais velhos sobre acontecimentos remotos. Além de tudo, é super bem-escrito! Foi publicado na edição de abril da London Review of Books. O autor, jornalista com coluna semanal no al-Masri al-Youm, o diário privado mais vendido do Egito, nasceu em Rabat, no Marrocos. Vive no Cairo desde 2000, escrevendo sobre Egito e Oriente Médio para várias publicações, como The Economist, Financial Times, Foreign Policy. Quando vi a foto lembrei que sempre o ouço na Jazira. É muito bom, muito cético e realista. Aproveitem o artigo, é tão informativo quando delicioso de ler. Desculpem algum erro de tradução. (Se clicar nas imagens, todas acrescentadas por mim para atenuar a "metragem", a maioria aumenta.) Valeu, Claudinha!


Existe uma Líbia?

Issandr El Amrani, London Review of Books, Vol. 33 Nº 9 · 28/4/2011

Mahmoud Jibril, do Conselho
Enquanto escrevo há um impasse na Líbia. Cidades como Misurata e al-Baida, pontos de passagem entre a Cirenaica, no leste, e a Tripolitânia, no oeste, estiveram alternadamente em mãos de rebeldes e legalistas. A comunidade internacional apressou-se a apoiar os rebeldes, depois descobriu que eram militarmente menos eficientes do que se pensava, resultando que o regime de Kadafi parece estar retomando o pé. Ninguém parece saber exatamente o que seja a missão da Otan: é estabelecer uma zona de exclusão aérea, uma zona de exclusão terrestre ou provocar a mudança do regime? Vários esforços diplomáticos estão em andamento pelo cessar-fogo, embora nenhum tenha muito sucesso e o Conselho Nacional de Transição da Líbia – o comando rebelde reconhecido por França, Itália, Catar e Maldivas como governo legítimo – começou a mostrar sinais de divisão interna. Impasse militar é uma possibilidade real e até mesmo se a Otan vier a estabelecer uma estratégia alternativa, como armar e treinar os rebeldes, isso dificilmente garantirá seu sucesso; forças legalistas têm reservas consideráveis ​​de dinheiro e ouro para aquisição de armas e o país conta com economia paralela que poderia aliviar o impacto das sanções.

Em fevereiro, quando a revolta começou, a situação era muito diferente. Uma cidade após outra caía em mão rebeldes e a reação do regime foi lenta e desajeitada. No contexto da derrubada de Ben-Ali, na Tunísia, e Mubarak, no Egito, poucas semanas antes, o sucesso da rebelião parecia aposta segura, especialmente quando a França inesperadamente reconheceu o Conselho Nacional de Transição depois que Bernard-Henri Lévy convenceu Sarkozy a agir depressa. Apenas alguns anos antes, Sarkozy tinha dado a Kadafi calorosa recepção em Paris e, quando criticado por isso, apontou em sua defesa o abandono pela Líbia de seu programa de armas nucleares e, mais indiretamente, o lucrativo mercado que o país oferecia à indústria francesa. Agora, Sarkozy precisa reunir apoio na França.

A atual divisão de fato da Líbia em leste e oeste, aproximadamente ao longo das fronteiras das antigas províncias otomanas de Tripolitânia e Cirenaica, reflete a ausência de laços históricos fortes entre as duas regiões, separadas por um trecho de 482 quilômetros de deserto onde o Golfo de Sirte [em português, Golfo de Sidra] desce rapidamente para varrer o Paralelo 30. Na verdade, a Líbia não tinha histórico de unidade política antes de sua criação pela ONU em 24 de dezembro de 1951. No início do século 20, as províncias de Tripolitânia, Cirenaica e Fazzan, no sudoeste do país, estavam sob controle nominal da Sublime Porta por cerca de 400 anos. Sua população, estimada em 1 milhão, dois terços dos quais na Tripolitânia, consistia principalmente de pastores nômades. Doenças e fome garantiram que esse número permanecesse estável por mais de um século. Os europeus tinham noção romântica da história antiga dessas províncias – o litoral tinha sido controlado em vários pontos por fenícios, gregos, romanos e bizantinos – e dos templos em ruínas que estas civilizações deixaram para trás. (A ligação dos Estados Unidos com o que seja hoje a Líbia é ainda mais superficial, como ilustra o hino dos fuzileiros americanos, que começa com "Dos salões de Montezuma / Às praias de Trípoli".) Foi a última área do norte da África a atrair a atenção dos colonizadores europeus, embora durante o século 19 o Banco di Roma tenha estabelecido filiais ao longo da costa.

A Batalha de Al Alamein
Em 1911, a Itália, um império retardatário, decidiu anexar Tripolitânia e Cirenaica e transformá-las no que o protofascista Gabriele d'Annunzio chamaria de "Quarta Costa”. Depois de comunicar a intenção formalmente ao Império Otomano, os italianos lançaram a invasão, começando pelas principais cidades costeiras. Só em 1913 controlaram a Tripolitânia; Cirenaica foi mais difícil ainda. Conseguiram dominar as cidades litorâneas e transformá-las em guarnições militares, mas encontraram resistência feroz dos senussis, ordem religiosa fundada em Meca, em 1837, que combinava ensinamentos tradicionais sufistas da Cirenaica com ruminações salafistas em favor de uma renovação islâmica. Os senussis lutaram contra a invasão francesa ao sul da Cirenaica e Fazzan em 1902 e voltaram suas energias para os italianos. Interrompida durante a Primeira Guerra Mundial, quando as tropas italianas foram exigidas noutros locais, esta "pacificação" continuaria até 1943, quando os Aliados finalmente expulsaram italianos e alemães após a batalha de Al Alamein.

Em breve seção sobre o período italiano em A History of Modern Líbia (2006), Dirk Vandewalle escreveu:
Foi, por qualquer padrão, uma campanha brutal e impiedosa de subjugação. As estimativas de mortes da população da Líbia como um todo variam consideravelmente, mas fonte confiável calcula que o número de óbitos, por todas as causas exceto as naturais, de 1912 a 1943, ficou entre 250 mil e 300 mil, numa população na época de 800 mil a 1 milhão. A maioria ocorreu durante o período fascista, quando, apenas por execução, morreram cerca de 12 mil cirenaicos em 1930 e 1931.
O mártir Omar al-Mukhtar
Ao matar mais de um quarto da população total, os italianos substancialmente enfraqueceram o poder e a estrutura social das tribos cirenaicas e da ordem senussi. Alegavam agir no melhor interesse dos moradores: Mussolini, prenunciando Kadafi em sua bufonaria mortal, até mesmo proclamou-se em 1937 protetor do Islã em Trípoli. As políticas de Il Duce, no entanto, criaram um ícone nacional raro e duradouro com o martírio de Omar al-Mukhtar, xeque tribal cirenaico que liderou os esforços de guerrilha contra os italianos. Al-Mukhtar foi capturado em setembro de 1931, e Rodolfo Graziani, o comandante-em-chefe italiano na Líbia, apressou-se a deixar Roma para submetê-lo a julgamento superficial. Vinte mil integrantes de tribos e notáveis ​​foram forçados a assistir a seu enforcamento público. Seu nome agora é usado pelos rebeldes na convocação de combatentes, seu retrato decora as paredes por todo o leste e seu grito de guerra – "Nunca nos renderemos, venceremos ou morreremos" – tornou-se o slogan oficial da insurreição.

Berlusconi e Kadafi em 2009
A era colonial italiana deixou para trás uma população traumatizada e a tradição, em algumas cidades costeiras, de um excelente café. Os italianos enviaram 110 mil colonos ao que agora chamam de Líbia para construção de infraestrutura, como portos e uma estrada costeira de duas pistas que pela primeira vez ligou a Tunísia ao Egito. (Em 2009, por ocasião das comemorações dos 40 anos de Kadafi no poder, Berlusconi abriu nova autoestrada costeira que a Itália financiou. A força aérea italiana sobrevoou a cerimônia, seus jatos liberando rastros de vapor verde em homenagem à bandeira da Líbia na era Kadafi. A estrada foi o preço que a Itália pagou para obter lucrativa cota do petróleo líbio e contratos de venda de armas, além de tratado de amizade recíproca que proibia a guerra entre os dois países. O tratado já foi suspenso pelo Parlamento da Itália.) A Itália viu a Líbia como solução para o excedente de sua própria população – a maioria dos colonos era de camponeses sem terra atraídos pela perspectiva de ganhar fazendas criadas por projetos do governo colonial para recuperação de áreas degradadas – e nunca demonstrou interesse no recrutamento de nativos para a administração. No máximo, eram contratados como trabalhadores braçais assalariados. Como observa Vandewalle, "os primeiros encontros dos líbios com o Estado moderno tornaram ainda mais atraente o relativo igualitarismo do modo de vida tribal – que de alguma forma explica a suspeita do teimoso Kadafi quanto à autoridade centralizada, evidenciada na primeira frase de seu Livro Verde: "O instrumento do governo é o principal problema político enfrentado por comunidades humanas."

Após a Segunda Guerra Mundial, uma espécie de vida política surgiu na Tripolitânia mais cosmopolita, o que favoreceu a unificação das províncias, enquanto a Cirenaica continuava a apoiar o herdeiro dos senussis, Sayyid Idris al-Senussi, recusando-se a participar de qualquer governo não liderado por ele. Os habitantes de Fazzan preferiram continuar governados pelos franceses. As grandes potências inicialmente defenderam a ideia de tripla tutela: a italiana em Tripolitânia (onde permaneceram cerca de 40 mil colonos italianos), britânica na Cirenaica e francesa em Fazzan. A intensificação da Guerra Fria em fins da década de 1940 mudou essa visão, com EUA e Grã-Bretanha preferindo agora uma Líbia independente que lhes trouxesse vantagens: o sistema de tutela não permitia o estabelecimento de bases militares. Como observou o embaixador americano na época, "um olhar sobre o mapa mostra o valor estratégico da Líbia... sem o qual poderia haver pouco interesse no surgimento de um reino árabe no Norte de África... Se a Líbia passasse de algum modo à tutela das Nações Unidas não participaria dos acordos de defesa do mundo livre”.

O rei Idris I da Líbia
Assim foi criado o Reino Unido da Líbia, Estado nascido de um acordo agregando regiões díspares que seu novo governante, o chefe senussi rei Idris, teria agora que unir. Era um dos países mais pobres do mundo, com renda anual per capita de cerca de US$ 25, taxa de analfabetismo de 94% e sem um único médico – até hoje, muito das importações da Líbia é de know-how médico, enquanto os visitantes da Líbia asseguram altos ganhos a médicos de Malta e Tunísia. Seus três componentes insistiram num sistema fortemente federal e, em sua primeira versão, de 1951 a 1963, o reino manteve três capitais distintas. Sua principal fonte de renda, até que as receitas do petróleo começassem a fluir no fim de 1950, provinham do aluguel de duas bases militares a americanos e britânicos; até fins da década de 1950, a Líbia recebeu o maior volume de ajuda dos EUA per capita no mundo.

O rei e sua comitiva acumularam poder pessoal considerável, sobretudo depois que começou a extração de petróleo, mas a autoridade acabou transferida ao nível provincial e local, bloqueando a criação de um governo nacional efetivo. O rei mantinha duas guardas pretorianas, a Força de Defesa Cirenaica e a Força de Defesa Tripolitana, cada uma composta de tribos leais aos senussis. A monarquia proibira os partidos políticos: os que surgiram após a guerra – na  Tripolitânia, o Partido do Congresso Nacional, na Cirenaica, o Clube Omar al-Mukhtar – não podiam funcionar e a idéia de uma Líbia unificada ganhou pouco impulso. O próprio Idris estava mais interessado no futuro da Cirenaica, onde passou a maior parte de seu tempo, do que em governar a Tripolitânia. Mesmo quando o sistema federal foi abolido em 1963 e o país se tornou o Reino da Líbia, muito poder informal permaneceu nas mãos do grupo de Idris – burocratas tripolitanos e a família Senussi propriamente dita, que conspiravam para garantir a sucessão. Nisso não diferia da Líbia da última década, quando as únicas pessoas com poder real eram a família Kadafi, sua tribo e burocratas legalistas.

Em 1969, Kadafi e seus Oficiais Livres montaram um golpe e facilmente derrubaram a monarquia, cada vez mais percebida como corrupta, conspiratória, responsável pelo aumento da inflação. As receitas provenientes das bases militares estrangeiras não eram mais necessárias, agora que os petrodólares jorravam, e o país se ressentia da postura conservadora pró-ocidental de Idris. O principal inimigo da monarquia era a Rádio Cairo, com sua mensagem da revolução pan-árabe, e Kadafi idolatrava Nasser. Os Oficiais Livres queriam fazer parte de uma nação árabe e muçulmana em vez de líbia. Mais tarde, depois de repetidos conflitos com outros líderes árabes (especialmente o rei Abdullah da Arábia Saudita, que, alega-se, ele tentou assassinar em 2002 quando ainda príncipe herdeiro), Kadafi desistiu da tentativa de unificar o mundo árabe. Abandonou seu islamismo, a ideologia pan-islâmica e passou a olhar mais para o sul, nomeando-se rei da África por meio da diplomacia dos cheques generosos.

O jovem Kadafi
O Kadafi que conhecemos – o “cachorro louco” da Líbia, com tendência a divagar em discursos, às roupas fantasiosas e a ataques de megalomania, ridicularizado no You Tube em vídeos como o "Zenga Zenga", que carrega sua tenda quando viaja – não foi sempre assim. Em 1º de setembro de 1969, quando anunciou a derrubada do rei Idris, era um bonito oficial do exército de 27 anos que esperava inverter a humilhação da derrota árabe para Israel em 1967. Mas também vinha de uma tribo pequena da cidade tripolitana de Sirte – de onde ainda vem a maioria dos comandantes-chave do exército líbio – e sua política era principalmente regional.

O Kadafi da Jamaria
Demorou oito anos para ele transformar a Líbia em Jamahiriya (Jamaria) ou república das massas, e outros dois para publicar o Livro Verde, sua filosofia semianalfabeta de administração. Somente em 1989 abandonou o posto no governo e ungiu-se, simplesmente, em “guia da revolução”. Cada etapa era acompanhada de mudanças no sistema político líbio, concebidas para alterar a relação entre os cidadãos e a autoridade central, para desviar as críticas de si mesmo, para culpar os subalternos pela má execução de suas idéias. Viraram característica de seu reinado os discursos longos de crítica às estruturas que ele próprio criara e aos homens que ele designara para executá-las, sempre com o objectivo final de concentrar o poder real em sua família, sua tribo e alguns indivíduos de confiança. Em The Libyan Paradox, Luis Martinez fala de quatro eras: de 1969 a 1973, o controle foi mantido pelo Conselho de Comando Revolucionário e um partido único inspirado na União Socialista Árabe do Egito; a segunda, de 1973 a 1977, viu a introdução dos Comitês Populares, desastrosa tentativa de descentralização e de "poder do povo"; a terceira, de 1977-1992, testemunhou a introdução dos Comités Revolucionários, as desprezadas milícias de vanguarda, segundo o modelo dos guardas vermelhos chineses, encarregadas da "supervisão absoluta do poder revolucionário do povo" e política externa baseada no apoio ao terrorismo internacional; na quarta, a época das sanções e da reabilitação da Líbia no Ocidente, a revolução de Kadafi perdeu força e seu regime encolheu em grande parte de volta à base tribal.

Saif Kadafi
O levante iniciado em fevereiro foi inesperado, mas assim foram as rebeliões nos outros países árabes, embora houvesse indícios de que se aproximava fase difícil com a sucessão dos governantes idosos. As crises de sucessão, no entanto, eram apenas parte do quadro. Mubarak e Ben-Ali eram claramente corruptos; na Líbia, os filhos de Kadafi controlavam imensos blocos da economia. Os três países eram Estados mafiosos. Na última década, o regime líbio conduziu o país numa combinação de “cassetete e cenouras”: de um lado, a repressão, de outro, a promessa de salários melhores com a suspensão das sanções e a volta das petrolíferas internacionais, que investiriam em novos campos na Líbia desprovida de tecnologia, bem como a fachada de um processo de reformas e liberalização prometido por Saif Kadafi, segundo filho do “Guia”, em troca da sucessão. O que Saif de fato prometia era a adaptação da Líbia ao autoritarismo dinástico pró-ocidental e pró-mercado, então visível no Egito e na Tunísia. No fim, o que desfez a revolução de Kadafi foi a revolução pan-árabe ampla, com a qual os jovens árabes imediatamente se identificaram. É por isso que as tentativas diplomáticas de garantir a sucessão a Saif, como queriam a União Africana e Curt Weldon, ex-congressista republicano da Pensilvânia que dirigiu "diplomacia privada" financiada por lobistas do petróleo, têm sido rejeitadas de imediato pelos rebeldes.

O moderno centro de Benghazi
Em seu reinado de 42 anos, Kadafi usou a Líbia como teste para seu ideal de não Estado, misturando ideologia marxista, sua versão peculiar da história islâmica e de valores beduínos idealizados (igualitarismo, autossuficiência). Apesar de sua origem tribal há agora, graças a ele, um senso maior de Líbia unida como jamais existiu. Esta era de redistribuição das receitas do petróleo permitiu que nas décadas de 1970 e 1980 o nível de vida dos líbios subisse dramaticamente, tornando-os mais dependentes do Estado, especialmente após Kadafi vetar as empresas privadas por mais de uma década, medida que levou ao exílio os empreendedores do país e criou profundo poço de ressentimento, principalmente na classe de comerciantes de Benghazi, agora os mais fervorosos defensores da insurreição. A crescente urbanização do país resultou no declínio lento da identidade tribal e regional, enquanto a educação padronizada e a globalização tornaram obsoleto o velho debate sobre se a Líbia deve existir. Mas, como mostra a história de Vandewalle, a fixação de Kadafi no não Estado e a administração acidentada do país significam que a construção do Estado está "desequilibrada e incompleta".

A questão que agora se coloca é se haverá força suficiente para manter a Líbia unida. Hoje, os rebeldes afirmam que não planejam dividir o país e que as considerações tribais e provinciais seriam irrelevantes. Mas a realidade é que seu movimento é sobretudo cirenaico e o recrutamento de suas forças é em grande parte de origem tribal. Além da rejeição ao regime de Kadafi, o Conselho Nacional de Transição pouco indicou do que seria sua versão da Líbia pós-Kadafi. Já Kadafi reuniu tribos leais a seu redor, e agora depende mais do que nunca de seu apoio. Com o tempo, a divisão histórica tripolitana-cirenaica pode ressurgir.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Tá, Requião é bruto; e o repórter, cretino!

O senador Requião (PMDB-PR) tomou na marra o microfone de um repórter da Bandeirantes que o entrevistava. Horrível, ok. O rapaz perguntou primeiro sobre a inflação, para em seguida entrar no assunto que realmente o interessava, a "pensão" de ex-governador. Constrangedor o áudio do "me dá isso aqui". Sim, porque @requiaopmdb anunciou agora à noite no Twitter a entrevista "na íntegra e sem censura" -- que não deixou a Band exibir, pode? (Claro que com as respostas dele bem pinçadinhas, ça va sans dire).

Agora, a pergunta do repórter que se seguiu à primeira resposta sobre a pensão, cápranós, hein? "Mas nem diante da necessidade de redução dos gastos públicos para conter a inflação o Sr. não pensa em abrir mão da pensão?", ou algo assim, tenha a santa paciência! Parece repórter da Fox News, com todo o moralismo que acompanha cada fala daqueles cretinos! Vá ser cretino assim lá em Nova York, viu?!

Royal hats (casa-da-marmota-doida style)

A marmota pilota um
disco voador desembestado
Tinha jurado parar de seguir quem falar do casamento do "príncipe" William no Twitter, mas aí mudei de ideia quando me lembrei dos chapéus das mulheres britânicas, da "realeza" ou não. São sempre habitados por marmotas histéricas, já repararam? E pensei em fazer uma transmissão crítica da tal boda. Só que acabo de saber que começa às 5 da matina, pode uma discriminação dessas com os "súditos" deste lado do planeta? Que pena, queria ver um novo capítulo da síndrome da marmota louca, que ataca todos os estilistas, bons e maus, quando desenham para as britânicas.

Por que será isso? De onde saem essas ideias inusitadas? E como elas têm coragem de usar essas coisas, RESPONDAM!?



Aqui a marmota tomava banho de mangueira (ô calor desgraçado!)
Aqui a marmota foi toda
pimpona à parada gay de Londres













O Dirceu fez ótimo comentário no blog dele sobre esse casório ridículo.


O circo do casamento real na Grã-Bretanha

José Dirceu, Blog do Zé, 25/4/2011

Déspotas encabeçam a lista de convidados... 

Na Grã-Bretanha, onde o governo corta tudo, até subsídios das crianças - e quer cobrar nove mil libras esterlinas ao ano por uma faculdade -, a família real monta um circo para o casamento do príncipe Willian/Kate Middleton na próxima 6ª feira.
Para desespero das entidades britânicas defensoras dos direitos humanos, e de sua imprensa tão critica das violações destes direitos nos outros países, a lista de convidados para o casamento tem uma galeria de déspotas.

É encabeçada por, nada mais nada menos, que representantes de três países amigos, de regimes muito ao gosto dos Estados Unidos e da própria Grã-Bretanha: os convidados do Bahrein, Arábia Saudita e Zimbábue.

Como vemos, países com regimes e governantes todos respeitosos dos direitos humanos e verdadeiras democracias...



***
E VIVA A REPÚBLICA!

domingo, 24 de abril de 2011

The old Pythons are back! Imperdível!

Não, não é um novo filme do Monty Python... Mas é! Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones e Michael Palin estão lá. Até o “sétimo Python”, o lindinho hoje carequinha Neil Innes (menos Graham Chapman, é claro, que já morreu, e John Cleese, que brigou). Gente, estava eu na minha insônia de praxe quando dei de cara na HBO com Not The Messiah (He's a Very Naughty Boy) começando. Nada mais nada menos do que Vida de Brian, só que em forma de oratório. Sim, um incrível concerto-comédia, com orquestra de 80 músicos e coro de 140 cantores, no deslumbrante Royal Albert Hall de Londres! Um oratório humorístico tipo Messias de Handel, “só que mais engraçado” (a tagline é exatamente essa, “Like Handel only funnier”! A beataria o-d-e-i-a, hihihi!).

O filme, lançado em março de 2010, foi feito ao vivo na noite de 23 de outubro de 2009, num concerto comemorativo dos 40 anos do saudoso grupo. Não se trata de mera repetição de piadas do Vida de Brian, de jeito nenhum. É tudo novo, lindo e espetacular, escrito e composto por Eric Idle e John Du Prez (que conduz orquestra e coro da BBC), músicas maravilhosas, vozes lindíssimas – o quarteto de cantores solistas é sensacional: William Ferguson (Brian), Shannon Mercer (Judith), Rosalind Plowright (Mandy), Christopher Purves (Reg) –, com direção simplesmente perfeita de Aubrey Powell e os câmeras simplesmente divinos da BBC. Veja o trailer aquiAqui, um pouco dos bastidores com Eric Idle.

Abaixo, vídeo do gran finale, a eterna canção do otimismo Always Look on the Bright Side of Life. Prometo que seu humor vai melhorar no ato! (Pena que não consegui um vídeo tão bom quanto este sem a faixa com a letra...)


O engraçado é que eles já rodaram o mundo com esse show a partir de 2007 (nos Estados Unidos, muitas vezes), mas esta do Albert Hall (aí ao lado) foi a única apresentação na Europa. Será que os europeus não gostam mais dos Pythons? Pois 5 mil britânicos pagaram entre 19,50 e 140 libras para lotar a sala – e, diga-se, contribuir enormemente para o espetáculo, que o site deles descreve como uma noite de “baroque 'n' roll” em grande escala. Aqui, uma resenha superdetalhada do filme-concerto.

Decidi, hoje mesmo vou baixar Vida de Brian. Deu saudade. E também Spamalot, o musical de 2003 feito em cima do Holy Grail.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Qual é sua música de protesto favorita?

The Nation propõe uma pergunta interessante: quais são as melhores canções de protesto? Tudo a propósito do livro 33 Revolutions Per Minute (título maneiro!), de Dorian Lynskey, do Guardian, que detalha a história da canção de protesto nos Estados Unidos e ao redor do mundo. O crítico de música começa com a fenomenal Strange Fruit de Billie Holliday! Peter Rothberg, da Nation, apresenta as 10 melhores na opinião dele, com vídeos e tudo.

Mas são tantas mundo afora, as russas, as italianas, as francesas... Daqui, pensei em duas: Apesar de você e O bêbado e a equilibrista.

E as suas?


Mais bebês fofos gargalhantes



O cachorrinho fofíssimo engole as bolhas e lambe os beiços!

Esse aí embaixo até ficou angustiado, coitadinho! E que collie lindo...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Dois veteranos caem na Líbia

O Daily Beast faz bela homenagem aos dois geniais fotógrafos mortos na Líbia, Tim Hetherington e Chris Hondros, ambos correspondentes de guerra veteranos. 

O que poucos sabem é que 12 jornalistas já morreram nesses protestos do Oriente Médio, segundo o CPJ (comite para proteção de jornalistas). Mas "Hetherington e Hondros são os primeiros ocidentais a morrer nos conflitos. Perder os dois de uma vez parece quase incompreensível", diz o autor da matéria, David Graham.

Veja aqui uma galeria com fotos de Hondros; aqui e aqui, fotos de Hetherington.

Do portfolio de Hondros
Joseph Duo, da milícia leal ao governo, exulta após disparar
morteiro contra rebeldes (Libéria, 20/7/2003, Hondros/Getty)
Tim Hetherington: A vida retorna ao Ground Zero
Centenas de metalúrgicos contratados para trabalhar
no novo complexo do Trade Center (Nova York, 4/9/2010)

Gisele Bündchen pra quê?

Em dia com o estilo humor-do-cão que me caracteriza, venho por meio destas mal traçadas linhas reclamar dos anúncios da Sky. A Sky gastou US$ 4 milhões, fora a baba não divulgada que pagou a Gisele Bündchen (segundo a Forbes, a bela faturou 25 milhões de dólares em 2009 trabalhando para umas 10 marcas, então, faça as contas), numa campanha muito da vagabundinha cujo abre é um "EU VOLTEEEEEEEEEI" do Roberto Carlos -- que dá um baita susto no assinante distraído. Quase caio da cama cada vez que a maldita propaganda começa! Claro que não é culpa do Roberto Carlos, é a Sky que explode o som quando leva o anúncio à tela. Os garotos-propaganda da operadora também gritam como loucos. Minha TV está sempre no volume mais baixo (subo um pouco quando os cachorros do vizinho surtam), e mesmo assim é um tiro no ouvido. Deveria haver uma lei que proibisse esse aumento de som da TV -- é questão de saúde pública!  

Se era pra vender mais pacotes HDTV, acho que a Sky pode é se arrepender. Só perde mesmo para a fase Claudia Leite da Net, que por pouco não me fez cancelar a assinatura quando morava no Rio -- até à ouvidora da Net eu escrevi e-mail furibundo. Ela respondeu dizendo que metade dos assinantes tinha aprovado a campanha segundo pesquisa, pode? Imaginem, manter uma campanha com 50% de rejeição! Só no Brasil... A do general Skavuska era tão maneira, não entendo como podem ter trocado por uma axezista.

No mais, gastar uma fortuna pra mostrar a Gisele de dona de casa trouxa... vou te contar. É hilário, no filmete em que ela bate um bolo, ver os saltos altíssimos que ela usa para caminhar como uma deusa de volta à cozinha. Desperdício... bem que podiam botar a musa chegando exausta à casa, largando roupas e sapatos pelo caminho (tipo Charlize Theron/Dior, lembram? aqui tem o vídeo) e se jogando no sofá pra ver TV, hehe, não sou um gênio criativo da propaganda???

Aqui em Teresópolis não há Net. As organizações grobosta odeiam Terê; a TV grobosta nem sinal botou aqui, só pega com parabólica (meu prédio até tem e eu instalei, mas nunca troco porque destrambelha o controle remoto da Sky). Se houvesse eu trocaria, ainda mais que acabo de completar o (ilegal!) prazo de carência (sim, já estou há um ano em Terê...). Tirando os maravilhosos recursos do HD, bem que eu trocaria. A imagem é ótima, rarissimamente sai do ar (só com temporal e nunca além de poucos segundos), mas custa os olhos da cara.

Valeu a graça, São Sobrenatural de Almeida!


Do G1

E como é booom ver o Olé de #mimimi...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

As cubanas e seus Avtomat Kalashnikova 1947

Quase ninguém deu bola, mas o Boston Globe deu (euzinha também!) e publicou um Big Picture sobre os 50 anos da fantástica vitória dos cubanos na Playa Girón (ou a vexaminosa derrota da CIA+anticastristas na Baía dos Porcos), comemorados em grande estilo em 16 de abril. Evento de tamanha importância que na data o PC promoveu novo congresso, após 14 anos de silêncio.



A bandeira de Moçambique
Comentário do Marco Aurelio (meu filho, não o ministro) sobre a foto acima: "Tão raro ver AK47 sendo usados por um grupo uniformizado...". Ele mandou a fala do Nicolas Cage em Lord of War sobre a arma mais difundida do planeta e eu traduzi: "De todas as armas do vasto arsenal soviético nenhuma era mais rentável do que o Avtomat Kalashnikova (Kalashnikov automático) modelo 1947, mais conhecido como AK-47 ou Kalashnikov. É o fuzil de assalto mais popular do mundo, amado por todos os combatentes. Uma elegantemente simples fusão de aço forjado e madeira de 4 quilos que não quebra, não trava, não superaquece. Funciona mesmo cheio de lama ou de areia. É tão fácil de usar que até crianças podem usá-lo, e elas costumam usar. Os soviéticos colocaram esta arma numa moeda, Moçambique colocou-a em sua bandeira. Desde o fim da Guerra Fria, o Kalashnikov é o produto de maior exportação do povo russo. Depois disso vêm a vodca, o caviar e escritores suicidas. Uma coisa é certa: ninguém faz fila para comprar seus carros."  (ver o vídeo dessa fala aqui)

Segundo o Marco, não há estatística sobre o número de Kalash no mundo. Calcula-se que foram produzidos entre 50 e 100 milhões... "Difícil um item mais obscuro que esse no mercado internacional, só ogiva nuclear". A coisa é tão impressionante que está também no brasão de Moçambique (porque seu poder veio de seu uso), no brasão do Zimbábue e do Timor Leste, no brasão da era revolucionária de Burkina Faso, na bandeira do Hezbollah e no logo do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica Iraniana.

Entre os esticados e os botocudos

Vocês viram The expendables, com Sylvester Stallone? Passou noutro dia na TV. É um besteirol sem fim (e vai ter sequência!), mas serviu pra expor o rosto quase irreconhecível do querido Rocky Balboa: tão esticado que as sobrancelhas não baixam mais. E a Susan Saradon? Tá a cara do Stallone! Vi recentemente no papel de avó não me lembro em que filme. Fiquei tão impressionada que mudei de canal.

As novas temporadas dos meus enlatados estão mostrando faces estranhíssimas. Os corpos continuam magrinhos, mas o rosto de quase todos engordou -- na verdade, inchou, tamanha a quantidade de botox. Exemplos: a Olivia de Law & Order SVU, a Fiona de Burn Notice, a Megan de Body of Proof e especialmente a Willows de CSI (parece que esticou também...). Nem falo do Magnum de Blue Bloods, que perdeu completamente o rosto original. Ah, a Calleigh de CSI Miami mudou muito (a única expressão dela era o franzir da testa; nesta temporada, nem isso), mas como li que estava grávida durante as filmagens desta 9ª temporada em 2010, atribuo o rosto bem mais cheio à gravidez.

Pra falar a verdade, até o Jon Hamm (Mad Men) tá com uma cara meio diferente... É desagradável ver esse pessoal virar botocudo assim.

***
Atualizando com a Carol Burnett que está dando (agora, 16h21 de sexta 22/4) entrevista a Piers Morgan na CNN (clique para ampliar):


Ela diz que fez plástica porque sempre quis ter queixo... Pode? Pois destruiu as bochechas e a expressão.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Perelman, a mente brilhante e as baratas

Acabo de ver na BBC entrevista com a escritora russa Masha Gessen, autora de Perfect Rigour -- A Genius and the Mathematical Breakthrough of the Century, sobre o gênio Grigori Yakovlevich Perelman, que fez a descoberta matemática do século (para quem gosta de ler na tela, o ebook é vendido aqui por 10 dólares!).

Perelman era pesquisador do Departamento Leningrado (hoje São Petersburgo) do Instituto Steklov de Matemáticas, da Academia de Ciências da então URSS, quando resolveu a chamada "Poincaré Conjecture", um dos sete problemas matemáticos do milênio, segundo os critérios do Clay Institute, de Boston, que promete 1 milhão de dólares aos vencedores. Perelman apresentou a solução em 3 artigos publicados entre 2002 e 2003 em arXiv. O trabalho, verificado febrilmente por centenas de matemáticos abismados com a genialidade de Perelman -- o enigma durou 110 anos! --, acabou reproduzido e comprovado em 2006 por pesquisadores chineses (por sinal, Perelman emitiu opiniões duras sobre os matemáticos chineses: não têm ética, disse). A descoberta foi capa da  Science em dezembro. Em 2010, o Clay reconheceu a solução. Só que Perelman recusou este e outros prêmios, entre os quais a prestigiada Fields Medal do International Congress of Mathematicians (ICM) mesmo sob pressão de instituições de caridade russas.

A jornalista Masha Gessen, determinada a descobrir o porquê da recusa, entrevistou professores, colegas, vizinhos de Gricha Perelman. O homem que em fins dos anos 1980 e início dos 1990 trabalhava em diversas instituições americanas, que em 1994 já resolvera outro problema (soul conjecture) e poderia ser superbem pago e glorificado em qualquer universidade do mundo, voltou ao Steklov em 1995 como simples pesquisador. Logo depois de publicar a solução da Conjetura Poincaré, demitiu-se do Steklov e virou recluso. Vive com a velha mãe num pequeno apartamento infestado de baratas. Que coisa, né?

Segundo a Wiki, "a conjectura de Poincaré afirma que qualquer variedade tridimensional fechada e com grupo fundamental trivial é homeomorfa a uma esfera tridimensional. Ou seja, a superfície tridimensional de uma esfera é o único espaço fechado de dimensão 3 onde todos os contornos ou caminhos podem ser encolhidos até chegarem a um simples ponto". Se você não entendeu, paciência...

Perfect Rigour -- A Genius and the Mathematical Breakthrough of the Century, Icon, março de 2011.

Aqui uma lista de filmes preparada por Harvard em que a matemática aparece de uma ou outra forma. Meu favorito é Good Will Hunting, com Matt Damon. E Numb3rs, claro, embora ultrafantasioso...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Gagarin: 50 anos da First Orbit, the movie



Em 12 de abril de 1961, pela primeira vez nosso planetinha era visto do alto por um humano. Yuri Gagarin, um herói real. E a órbita que ele cumpriu a bordo da Vostok pode ser vista neste filme incrível que o Google divulgou no Youtube. "É, a guerra fria acabou mesmo", disse o Marco Aurelio (meu filho, não o ministro).

Aê, URSS!

domingo, 10 de abril de 2011

Alô, roteiristas de enlatados! Tá dando não!

Em matéria de enlatados, minha diversão favorita, não ando nada feliz.

Amo Tim Roth, mas na minha humirde ele está sofrendo de uma síndrome que afeta personagens marcantes demais. Aconteceu com Tony Shalhoub em Monk e com Hugh Laurie em House. São tão fortes que o ator se sujeita. Passa a venerá-los, a super-representá-los, aumenta-lhes os cacoetes até que virem mostros torturantes. Desisti de ver Monk se não me engano na terceira temporada, vejo House ocasionalmente e estou prestes a abandonar Lie to me. A série inteira está bem fraca, apesar da trama central interessante. Kelli Williams (a Gillian Foster) é um poste, os demais personagens são postinhos. Não admira que a audiência nos Estados Unidos tenha despencado a um terço. Até aquele estranho povo ao norte do Rio Grande sabe quando algo vai mal.

Por que a síndrome não ataca outros atores? Não sei dizer. Mark Harmon e David Caruso, por exemplo (mantidas as proporções), também lidam com personagens atormentados em NCIS e CSI Miami, mas se contêm, né não?

Aliás, as séries em geral estão bem esquisitas. Primeiro, absurdamente acabaram com Law&Order (L&O Los Angeles é uma bosta horrível). Depois, os roteiristas parecem drogados, perderam o tchan. Desde a grande greve deles uns anos atrás, 2007-2008, os roteiros pioraram muito. Agora vão botar a Olivia e o Elliot de caso no Law&Order SVU, pode??? Até o esplêndido Criminal Minds pirou. A atriz que interpretava JJ pediu aumento, não conseguiu e saiu pra fazer uma sitcom idiota qualquer. O que os roteiristas então inventaram? Que a nerd Garcia, conhecida do público há 5 temporadas, se oferecia para a função da JJ, consolando parentes de vítimas e brifando a imprensa. Você comprou? Nem eu...

Breaking Bad, Damages, Desperate Housewifes detesto. Glee, que de repente se encheu de vilões, detesto. Sitcoms, detesto. Fringe está eletrizante, mas é pouco para um quadro geral de mesmice, crimes cada vez mais brutais, suspense virando terror sem mais nem menos, personagens principais mergulhados em improváveis problemas pessoais (aquela filharada do Elliot, por exemplo, é uma quadrilha!), histórias bobas girando como peão torto. Falta trama, sobra drama. Claro, há momentos divertidos, como imaginar o que faria Horatio Caine de CSI Miami se existisse um Michael Westen (personagem de Jeffrey Donovan em Burn notice) explodindo a cidade toda dia sim outro também...

As grandes exceções: The good wife, muito bom mesmo, e Mad men, ainda deslumbrante. Difícil tirar os olhos da tela. Na Chicago de nossos dias, o background da politicagem à Blagojevich (marinado no puritanismo nacional); na Nova York dos anos 60, o mais atormentado dos personagens atormentados, o espetacular, o maravilhoso, o primeiro e único Don Draper de Jon Hamm (a história permite referências inesperadas, como aos assassinatos dos 3 ativistas no Mississipi em 1964, no 1º episódio desta 4ª temporada).

Só pago uma fortuna à Sky porque os enlatados são a minha principal diversão, já que filmes eu baixo mesmo -- já vi quase todos os que me interessam quando finalmente chegam à TV. Então, sabe, ou os roteiristas tomam jeito ou até isso vou economizar, viu, Hollywood et all?

sábado, 9 de abril de 2011

Um tema lindo demais

DVD com doc sobre a
operação Market Garden
Todo mundo sabe que eu adoro filme da Segunda Guerra Mundial, a última minimamente "justa". Sempre disse na bloga velha que os americanos se acham, mas que quem segurou mesmo os nazistas foram os britânicos e (ça va sans dire) os soviéticos. Há que reconhecer, porém, que os britânicos pisaram, e uma de suas maiores lambanças, seguida de derrota acachapante, foi na Operação Market Garden, que abriria o caminho dos aliados para o Ruhr através da Holanda -- era necessário, para isso, tomar das unidades SS e Panzer alemãs as pontes ao longo do Rio Nederrijn, o Baixo Reno.

Uma das batalhas mais sangrentas foi a de Arnhem (morreram três quartos da 1ª Divisão Aerotransportada britânica, incluindo 2 dos 3 comandantes de brigada, 8 dos 9 comandantes de batalhão e 26 dos 30 comandantes das companhias de infantaria, é mole?, a ponto de a divisão ser dissolvida). Pois acabo de ver pela enésima vez A bridge too far (Richard Attenborough, 1977), épico megaproduzido e filmado em boa parte nos locais originais que conta um pouco das lambanças. Hoje me animei e finalmente descobri a música-tema do filme, que é simplesmente sensacional. Eis o vídeo dela:



Esse Tema da Marcha, lindo misto de dobrado e sinfonia também usado magistralmente no filme como música incidental, é do compositor britânico John Addison, nada mais nada menos do que piloto de um dos tanques Sherman na batalha de Arnhem. Voluntário desde 1939, lutou seis anos no 23rd Hussars, divisão blindada britânica. A bridge too far lhe rendeu um Bafta. Morreu em 1998, aos 78 anos.

Não desfaço do papel dos americanos não, sou a maior fãzona deles nessa guerra. Band of Brothers, que considero uma das melhores minisséries de todos os tempos, contou a incrível saga dos paraquedistas da Easy Company, que integrava a 101ª Divisão Aerotransportada americana  -- também parte do esforço aliado rumo à Alemanha, só que pela Bélgica (Holanda e Bélgica, países tão pequenos, foram palco de grandes massacres dos aliados; afinal, eram passagens supervigiadas para o território inimigo). Com a diferença de que os americanos perderam muitas vidas, mas venceram a chamada Batalha do Bulge, enquanto aos ingleses só restou a retirada em Arnhem.

É bom acrescentar que adoro filmes da Segunda Guerra porque o nazismo me arrepia de horror. Acho importante lembrar a todo momento do que nos livramos.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Cidadão em sofrimento

Em meio a essa chuva de opiniões despropositadas, disparatadas e até fascistas sobre a tragédia de Realengo, faço apenas uma pergunta: terá o sistema de saúde, algum dia, em algum lugar, a capacidade de detectar e assistir um cidadão em sofrimento, evitando gestos tresloucados?

Este seria o mundo ideal.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Cuba, me aguarde!


O Teia Livre está programando excursão de 5 dias a Cuba com escala de 2 dias em Caracas para um grupo de companheiros, não é emocionante? Por enquanto são 28  aracnídeos interessados. O pacote preliminar anda em torno de R$ 2.300, mas estamos vendo outras opções. Até eu, que jurei não entrar mais em avião -- além de entediante como sempre, anda perigoso como nunca graças ao neoliberalismo, que acabou com a aviação civil --, estou animadíssima!

Quem quiser participar avise! Muito daiquiri e mojito, muito passeio histórico, nhóóóó!

Saludos revolucionarios e bolivarianos!
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