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quinta-feira, 24 de março de 2011

A mais maldita herança da ditadura

Criancas e idosos foram atingidos por spray de pimenta (Pedro Kirilos/O Globo)

Aconteceu em protesto dos moradores do Morro do Bumba, em Niterói. A besta-fera mira na menina. Tem que ser expulso com desonra, sem direito a nada, preso, condenado e escrachado. A PMRJ é o retrato explícito do entulho autoritário. Se há uma polícia no mundo que precisa ser extinta com urgência é a do Rio de Janeiro, a mais maldita das heranças da ditadura.

Parabéns ao fotógrafo!

(via @ju_freitas)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Dilma passa pito no Joselito!



Hoje vou dormir em paz! Obrigada, Dilma!

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Dilma repreende general do GSI por fala sobre ditadura

Leonencio Nossa, Estadão, 4/1/2011, 23:01

A presidente Dilma Rousseff repreendeu hoje o general José Elito de Carvalho Siqueira, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), por dizer em entrevista, na segunda-feira, que não é motivo de vergonha para o País o desaparecimento de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985). Foi o primeiro 'puxão de orelha' de ministro do novo governo.

Escolhido para comandar os seguranças e arapongas do governo, José Elito pediu desculpas a Dilma pela declaração polêmica, segundo fontes do Planalto. Ao longo do dia, ele já tinha recebido recados de assessores de que Dilma não gostou do comentário sobre as vítimas do regime militar. Ao ser recebido à noite pela presidente, ele chegou a jogar a culpa na imprensa, afirmando que sua declaração foi 'mal interpretada'. A presidente aceitou a desculpa.

Torturada na época da ditadura, Dilma fez um discurso, no dia da posse, em que afirmou não ter ressentimentos e rancores. Antes mesmo de assumir, ela chamou os comandantes das Forças Armadas para dizer que não haveria 'revanchismo' e pedir que não houvesse por parte dos militares 'glorificação' do golpe de 31 de março de 1964, que derrubou o presidente João Goulart e implantou uma ditadura de 21 anos no País.

Desde a distensão política, no final dos anos 1970, famílias de adversários da ditadura e entidades de direitos humanos cobram do Estado brasileiro a localização dos restos mortais de 138 vítimas da repressão consideradas 'desaparecidas políticas'.

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Dica de O Esquerdopata via @denisearcoverde

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Que venha logo essa Comissão da Verdade!

A entrevista é de outubro, foi publicada na Folha, a autora é a Cantanhêde, mas... nada é perfeito. As palavras do grande magistrado espanhol estão valendo mais do que nunca. (A dica é do Marco, o arquivo é do Nassif, a foto é do Guardian.)
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"Para virar a página, é preciso lê-la", afirma juiz sobre anistia

Baltasar Garzón diz que criar Comissão da Verdade é questão de tempo no Brasil. "Há sempre resistência [à revisão da lei], mas os acontecimentos e as cortes internacionais dão o impulso", avalia

Eliane Cantanhêde, Folha, 14/10/2010

Famoso internacionalmente depois de pedir a prisão do ditador chileno Augusto Pinochet por violação de direitos humanos, o juiz Baltasar Garzón diz que a revisão da Lei da Anistia, a criação da "Comissão da Verdade" para investigar crimes da ditadura militar e a abertura dos arquivos de torturas e desaparecimentos são uma questão de tempo no Brasil. "A discussão sobre a Lei da Anistia é algo que está vivo na sociedade brasileira", disse Garzón, que completa 56 anos no dia 26. "Para virar a página, é preciso lê-la antes."

Após 16 anos de FHC e Lula, o Brasil não avançou no debate sobre a revisão da Lei da Anistia. Por quê?

Baltasar Garzón - As leis de anistia não têm mais sentido hoje em dia. Há um consenso de juristas e democratas de que não se pode aceitar anistia para crimes contra a humanidade ou de tortura. Isso é polêmico aqui, até porque houve decisão do Supremo Tribunal Federal, mas a Corte Interamericana de Direitos Humanos nos ajudará a compreender em novembro onde estão os limites e que interpretação se dá hoje à anistia. Como isso acontecerá no fim do governo, Lula estará mais livre para liderar a revisão da Lei da Anistia? Lula tem sido muito atuante na defesa dos direitos humanos, o que é um grande ativo do Brasil no âmbito internacional. Nisso se inclui toda a rede de proteção social para que a pobreza mingue e haja mais igualdade social. Quanto à Lei de Anistia, imagino que vai depender da interpretação da lei, interna e internacionalmente.

O futuro presidente poderá avançar na questão da anistia, já que os dois candidatos combateram a ditadura?

A sociedade e o Judiciário é que têm de dar impulso maior para que o Legislativo crie a Comissão da Verdade para pôr a primeira pedra numa reconciliação nacional verdadeira. Alguns vão tentar dizer que a discussão está fechada e não interessa reabri-la. Não é verdade, tanto que se continua cobrando, discutindo. A discussão sobre a Lei da Anistia é algo vivo na sociedade.

Por que o Brasil foi a única democracia da região que não reviu a Lei da Anistia?

Como na Espanha... Mas devemos lembrar que todos os países optaram originalmente também por não reformar nem anular essas leis.

Mas no Brasil essa resistência não está durando demais?

Poderia ir mais rápido, sim, mas, se analisamos a média dos países, estamos falando de 15, 20 anos para mudar. Como a lei do Brasil é de 1979, é agora que está se produzindo essa reflexão.

Como sr. vê o argumento de setores de que a Lei da Anistia já é uma reconciliação e que se deve virar a página?

Para virar a página, é preciso lê-la antes. Para encerrar um capítulo e passar a outro, é preciso tê-lo lido. Se não for assim, sentiremos a falta de não ter lido a história direito e não compreenderemos os capítulos seguintes. A verdade não dói e, se dói, nunca deve ser ocultada. Será sempre melhor conhecê-la.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um fato grave no novo governo

Se faltava a prova de que a ditadura é um cadáver insepulto que o Brasil não se atreve a enterrar ela veio hoje, claríssima, no discurso de posse do novo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional -- um homem que trabalhará ao lado da presidenta Dilma, vítima de tortura sob o regime militar. Também trabalha perto dela a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, que prometeu hoje na posse a criação (tão esperada) de uma comissão da verdade que dê fim ao cadáver. Como isso vai ficar? Quem indicou tal general a Dilma cometeu sério erro. Na minha humilde opinião, temos em pleno Palácio uma incompatibilidade grave de propósitos. Abaixo, a matéria do G1.

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'Temos que pensar para frente', diz novo ministro do GSI

General José Elito Carvalho Siqueira assumiu o cargo nesta segunda (3). Ministra de Direitos Humanos pediu que Congresso implemente comissão

O general José Elito Carvalho Siqueira disse nesta segunda-feira (3), ao tomar posse como novo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que não se deve ficar "vendo situações do passado", sobre a possibilidade de criação da Comissão da Verdade para investigar a violação de direitos humanos ocorrida durante o período da ditadura militar (1964-1985).

Na manhã desta segunda, a nova ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, defendeu a criação da comissão com o argumento de que “é mais do que chegada a hora” do país prestar esclarecimentos. “Nós somos funcionários de Estado. O que o Estado determinar, cabe a nós, funcionários do Estado, cumprir. Vamos fazer com a maior das boas intenções, porque todos nós vamos agir em benefício da nação”, afirmou o general.

Ministro-chefe do GSI disse ainda que o dia 31 de março de 1964, deve ser tratado como fato histórico. “O que é o 31 de março de 1964? Golpe, movimento 'a' ou 'b', não. O movimento de 1964, hoje, já faz parte da história. Da mesma forma que um dia falamos do 11 de junho, da Batalha de Riachuelo, do 7 de setembro, proclamação da Independência do Brasil. Hoje, se nossos filhos e netos forem estudar em uma escola vai estar lá o 31 de março como um fato histórico. Temos que ver o 31 de março como um dado histórico para a nação, seja com prós e contras, mas com um dado histórico. Da mesma forma os desaparecidos”, afirmou.

O general José Elito Siqueira também falou que não há, inicialmente, intenção de fazer mudanças no comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). “Somo funcionários do Estado então a tendência na Abin e em toda a GSI não é de mexer. Vamos, em princípio, manter as estruturas para termos continuidade no trabalho, mas claro, sempre haverá em uma área outra alguma substituição, que é natural”, disse.

Matéria do G1 via @_marel

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A ditadura na boca do povo

“Eu tenho um conceito que é de vivência. E há outros de compromissos éticos e morais que se tem de ter com a democracia. Eu prefiro um milhão de vezes o som de vozes críticas, de críticas duras, que muitas vezes gostam de ferir, do que o silêncio dos calabouços da ditadura que teve nesse país”, disse aos jornalistas após discurso no Congresso.
Estou encantada com a Dilma! Ela não perde a oportunidade de mandar ver na ditadura! Até no valhacouto do PiG ela tocou nesse assunto.

Nunca se falou tanto na ditadura, tá na boca do povo. O PiG, aliado de primeira hora da ditadura, que tentou reduzir a ditacuja a ditabranda, pisa em ovos: apesar dos mil factoides diários que cria, acaba tendo de falar na ditadura. Eita campanha boa da gota serena!!!

Olha um trecho do discurso dela nesse tal 8º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ, o valhacouto do PiG):
Outro ponto citado pela candidata fala sobre o compromisso da imprensa com a verdade. “A credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade, à busca de precisão, imparcialidade e equidade e à clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais. A conquista desses fins e a observância desses valores éticos e profissionais não devem ser impostos. São responsabilidades exclusivas dos jornalistas e dos meios de comunicação”.
Tapa de luva!

Já o Serra, meu deus, olha a participação dele nesse congresso do PiG: "Mais cedo no evento, o candidato José Serra criticou os movimentos sociais e as conferências nacionais realizadas pelo governo Lula. Serra disse que elas não representam a sociedade. Ao ser questionada sobre as declarações, Dilma lamentou e disse que o governo Lula “não tem medo de dialogar com os movimentos sociais e conviver com opiniões divergentes”.

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Digo que a ditadura está na boca do povo porque fui trocar um fusível do carro (o Marco viaja amanhã com ele para o 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, em Sampa). Perguntei ao eletricista onde era o comitê do PT, que me disseram ser ali perto, e ele disse que não sabia. Fui procurar o comitê. Na volta, perguntei quanto era e ele disse: "Nada, fica pela vitória da Dilma Rousseff". Assim, com sobrenome e tudo! Fiquei surpresa:  que bom, vai votar na Dilma! "Ela é contra a ditadura, então eu voto nela". Abracei muito o sujeito! E fiquei fã da loja!

Mas não achei o comitê do PT, sniff...
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