domingo, 23 de novembro de 2008

Vida, arte, coincidências

Como são as coisas. Acabo de ler no TPM que Barack Obama já escolheu a equipe que comandará o setor de Comunicações/Comunicação da Casa Branca.

O primeiro cargo, o de diretor de Comunicações, será de Ellen Moran; Robert Gibbs será o secretário de imprensa, e Dan Pfeiffer, o vice-diretor de Comunicações.

Ellen Moran é atualmente diretora-executiva da EMILY's List -- nada mais nada menos do que uma ONG cujo objetivo é ajudar a eleger para o Congresso mulheres pro-choice, ou seja, a favor do direito ao aborto. (Esse nome, EMILY's List, é acrônimo de "Early Money Is Like Yeast, de um velho ditado das campanhas políticas, segundo o qual "dinheiro precoce é como fermento, ajuda a massa a crescer", atraindo novos doadores etc.)

Para dar uma idéia do que representa o cargo da Ellen, fui procurar na internet um espetacular seriado da TV, The West Wing: o personagem Toby Ziegler (Richard Schiff) era o diretor de Comunicações, lembram dele?



É o segundo da direita para a esquerda; o vice, o último da direita, era na série Will Bailey (Joshua Malina) e C. J. Cregg (Allison Janney) era a secretária de imprensa (a terceira).

Pois bem, nessa busca descobri que o personagem de Matt Santos (Jimmy Smits), o canditado democrata da sétima temporada da série (à esquerda de Martin Sheen), lembra muito mais o Obama do que o presidente negro David Palmer (Dennis Haysbert), de 24 horas. Achei as semelhanças entre os dois neste blog, o SOS Hollywood, num post de 5/11. Diz que o texto foi publicado no Globo -- quase não leio esse jornal, por isso não vi.

O autor comenta que "os roteiristas de The West Wing devem estar sorrindo à toa, afinal, não é para qualquer um antecipar todos os passos de uma eleição e ainda acertar o vencedor". Sim, porque o "latino" Matt Santos, lindo e charmoso como Obama, também vence o senador Arnold Vinick (Alan Alda), um republicano bem mais velho, igualmente tido como independente em suas posições políticas. Mas nem dá para comparar um Alan Alda bonito de matar e mil vezes mais inteligente do que John McCain! Muito menos o debate entre os dois, quem lembra? Foi um episódio ao vivo, transmitido -- de mentirinha -- pela CNN e de tirar o fôlego, os dois esgrimindo brilhantismo. Na questão da saúde então... o Santos destrói. Acho que escrevi sobre isso em algum lugar. Deve ter sido no blog antigo, que eu apaguei, sniff. Já os debates Obama-McCain foram de dormir!

(Clique para ampliar e poder ler)

***

Jimmy Smits, que representou Matthew Santos, com Barack Obama em setembro de 2005 (Chris Greenberg, Getty)

Gente, fui caçar na internet essa foto, que a matéria acima publica, e achei a origem de tudo, uma reportagem do Guardian de fevereiro de 2008! (E a matéria do blog nem menciona o Guardian...) O personagem Matt Samtos foi REALMENTE baseado no jovem Obama!

"Eu me inspirei nele para desenhar esta personagem", disse ao Guardian Eli Attie, roteirista e produtor de The West Wing (atualmente, faz o mesmo em House). "Quando eu estava escrevendo, só dava Obama no cenário nacional. Ele tinha feito um grande discurso na convenção [que nomeou John Kerry], e as pessoas começavam a falar dele". Attie, que escrevia os discursos de Al Gore na malfadada campanha de 2000 e escreveu muitos dos principais episódios com Santos em The West Wing, telefonou ao assessor de Obama David Axelrod.

"Eu disse a ele: 'Me fale desse cara, Barack Obama'". Com o ator Jimmy Smits já escalado para a série, Attie ficou especialmente interessado em saber como a estrela ascendente Obama tratava a questão racial. As informações de Axelrod ajudaram na forma como Santos abordou sua própria identidade hispânica. "A insistência de Santos em não ser definido pela raça, seu orgulho disso mesmo ao se colocar acima disso veio dali", disse Attie.

O roteirista também tomou emprestado da vida de Obama a noção de candidato superstar. "Depois do discurso da convenção, a vida de Obama mudou. Multidões o seguiam. Era mais do que um candidato atrás de votos: as pessoas estavam atrás dele. A aura de celebridade em torno de Santos veio daí".

O resulttado é um bizarro caso de arte imitando a vida -- apenas para em seguida a vida voltar a imitar a arte.

4 comentários:

Sunny disse...

Tem alguns senões:
1)o presidente encarnado pelo Martin Sheen era um liberal, não um George W.
2) O personagem do Jimmi Smith não era de Cicago, era de algum estado do Sul, Texas ou Novo Mexico
3) a comparação do Barack com o Dennis Palmer é só entre charme dos dois.
Semelhança esquecida:
1) o personagem da equipe (não me lembro o nome, mas tinha uma secretária loura chamada Dana) saiu da Casa Branca para assessorar
o Matt Santos. O israelense (???) futuro ministro do Interior deixou os Clintons pelo Barack.
Esse roteiristas quando querem, retratam direitinho o país. É aquele clichê: a vida imita a arte.
Adorava aquela série, a única coisa para adultos na TV na época

mari disse...

Os caras mencionam as diferenças -- Vinick era da Califórnia, nao do Arizona, Santos era do texas, a mulher dele era branca etc etc etc. mas o post se refere às semelhanças.

Sunny disse...

É claro. Me lembrei do nome do assessor que saiu da equipe presidencial para ser chefe da campanha vitoriosa do Matt Santos - Josh.
Aquele capítulo do debate foi realmente emocionante. Tanto o Matt quando o charmosérrimo Alan Alda tinham coisas para dier.

mari disse...

Exato! Já os debates dessa eleição de novembro, terríveis! Cada um pior que o o outro!

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