sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Acho que me mataria se fosse americana...

Isso não interessa a ninguém -- mas resolvi escrever assim mesmo --, são apenas pensamentos que venho tendo há alguns poucos meses desde que mergulhei de cabeça na mídia dos Estados Unidos para acompanhar a eleição de Barack Obamama.

Ando lendo tudo -- reportagens e artigos inteiros ou apenas lide e sublide em jornais grandes, pequenos e blogs --, vendo tudo -- programas ao vivo pela internet, vídeos, resumos do dia, coisa séria, gozação ou nenhum dos anteriores. E posso afirmar: nunca vi nada parecido. É a imprensa mais omissa, e também a mais ingênua, mais crédula, ou mais cínica, e mais rude, mais puxa-saco, mais sem fibra, mais sem visão da função social do jornalismo. Nem o mais sério dos jornais escapa de um algum desses adjetivos, e nem o mais esculhambado também. Os chamados pundits despejam zilhões de palavras inúteis no ar, os acadêmicos se saem um pouco melhor, mas ninguém lhes dá bola, e os jornalistas, que até se percebe que são preparados, têm informação e cultura, não têm simplesmente coragem. Poderia citar algumas exceções, mas mesmo as exceções confirmam muito frequentemente a regra. Todos fazem concessões numa dimensão tal que todos saem conspurcados de alguma forma.

Portanto, eu me mataria se fosse americana, assinasse um jornal apenas ou tivesse um canal preferido de TV. Seria a pessoa mais desinformada do mundo. Sinceramente, não sei como esse povo conseguiu tomar uma decisão tão transcendental como a de eleger o Obama. A mídia definitivamente não ajudou. Deve ter sido uma conscientização isolda, uma aventura solitária mesmo.

E olha que eu detesto com todas as forças a mídia brasileira. Sou mesmo uma pessoa sem perspectiva. Acho. Ou esse mundo é que é. Sei lá.

2 comentários:

Sunny disse...

Mari, não mandei antes pq vc estava enrolada com o fechamento, mas depois desta pensata não resisto. Li, acho que no yahoo news informação de que aquela historia d Palin confundir Africa com South Africa foi barriga da grande imprensa (o PiG do PHA). Parece que a origem foi um blog que apoiava um dos derrotados nas primárias democratas e depois passou a criticar o McCain. O nome, se me lembro, era Ells alguma coisa. Eles plantaram a história e os coleguinha que não checam duas vezes embarcaram direto, inclusive os blogueiros.
Acabei de cometer um desatino - culpe os remédios - me inscrevi no www.change.gov. Dei nome, e-mail endereço etc. Quase mandei um convite para vc, mas fiquei com medo da bronca. Como vc diz aí em cima:não me xingue.

mari disse...

Então nao vi, rapã? Vi isso no dia 10 (http://www.huffingtonpost.com/2008/11/10/martin-eisenstadt-non-exi_n_142785.html?page=2). O Huffington (http://www.huffingtonpost.com/) dá tudo! O pobre setorista da Fox News na campanha do McCain foi o primeiro a dar, vi ao vivo! O tal do hoaxer, um certo Eisenstad, disse que foi uma forma de expressão para representar que ela nao sabe nada de nada. Pô, ela não sabia o nome do primeiro-ministro canadense, ali na porta dela!!! Ela vê a Rússia de casa! Precisava alguém contar algo? Vimos tudo o que ela não sabe da própria boca...

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