segunda-feira, 5 de julho de 2010

Novo logo e o futuro



Não é lindo? Nossa arara é tudo de bom. Tem um certo ar de monstro, mas olhando o bico essa impressão é amenizada. Marco, meu personal designer industrial, diz que a impressão assustadora existe porque forçaram o centro da bandeira no olho, o que não seria necessário...

Mas é 1.000 vezes melhor do que a porcaria abaixo, não?



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Outra tradução da Caia Fittipaldi!

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FIFA versus ONU

R.W. Johnson, 4/7/2010, London Review of Books, vol. 32, n. 13, ed. impres. 8/7/2010

Aconteça o que acontecer daqui em diante, já foi excelente Copa do Mundo, para a Europa. Não só porque holandeses e alemães já despacharam devidamente Brasil e Argentina – no caso da Argentina, massacre que talvez custe o emprego de Maradona (e Dunga já foi demitido) –, mas porque três, dos quatro finalistas, são europeus. E, isso, mesmo depois de Itália, França e Inglaterra também terem sido rapidamente descartadas.

Haver três europeus entre quatro finalistas é detalhe que conta na política da FIFA. E a FIFA conta. Afinal, a FIFA é maior que a ONU. 207 membros da FIFA já se inscreveram para disputar a Copa do Mundo de 2014. A ONU tem só 192 Estados-membros. Também não é só porque Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte competem separadas da Inglaterra. O mesmo acontece em outras áreas. A China é membro da FIFA, tanto quando outros chineses de Taipei, Hong Kong, Macau e Mongólia, cada um com uma federação nacional de futebol. E, claro: enquanto a ONU vive atolada em dívidas, a FIFA tem bilhões em caixa.

A grande questão é que o número de 32 finalistas para disputar a Copa do Mundo permite representações de todos os cantos do mundo. Atualmente, 13 federações europeias, quatro ou cinco asiáticas, uma ou zero da Oceania, cinco da África, três ou quatro da América Central e do Norte e Caribe, quatro ou cinco da América Latina, e a nação anfitriã.

As 54 nações africanas vivem a tentar obter maior número de representantes, mas de fato os representantes africanos cairão de seis para cinco em 2014 – para encaixar o Brasil que substitui a África do Sul nos serviços de hospedar a competição. É provável, portanto, que o número de latino-americanos pule para seis. Na prática, o lugar extra para a América Latina é praticamente garantido, porque a indicação depende apenas de fácil play-off entre equipes muito mais fracas da América Central: em 2010, para classificar-se, o Uruguai teve de vencer apenas a fraca Costa Rica.

A verdadeira anomalia é a fraqueza dos grupos de Oceania e Ásia por um lado, e a força muito superior da Europa.


Entre os competidores europeus, estão Rússia, Áustria, Croácia, Turquia e os tchecos, todos com respeitáveis currículos como finalistas em Copas do Mundo. E, isso, sem falar de Hungria, Polônia, Bélgica e Ucrânia. Muitos desses países já estão ricos ou estão enriquecendo depressa e já se constituem importantes alvos-mercados para a TV Copa do Mundo.

Dado que todos os times mais ricos já estão na Europa, não há dúvida de que a lógica da economia, tanto quanto a lógica da bola, levarão a aumentar cada vez mais o número de finalistas europeus.

Se o futebol fosse administrado como o cricket na Índia, aconteceria exatamente isso, sem dúvida alguma – porque, uma vez que o dinheiro e os grandes números de televisão estão na Índia, o cricket internacional acontece, cada vez mais, em torno da Índia.

Pois é exatamente o que a FIFA mais inveja, porque a sessão asiática da FIFA é pateticamente fraca. Só há futebol decente no Japão e na Coreia do Sul. Nenhum dos gigantes asiáticos – China, Índia, Paquistão, Indonésia, Vietnã ou Malásia – é bom de bola. E pouco melhora se se inclui o Oriente Médio na Ásia.

Para piorar, os lugares extra que a FIFA reservou para ser ocupados pelas massas asiáticas acabaram por se ocupados por Nova Zelândia e Austrália, que absolutamente não interessam à FIFA.

Sepp Blatter construiu uma carreira pavimentada de votos africanos, porque prometeu que haveria uma Copa do Mundo na África – aposta boa, que lhe valeu 54 votos africanos.

Mas o futuro da humanidade virá da Ásia e a qualidade do futebol precisa melhorar por lá, ou o futebol nunca será jogo global. Mas, sim, em certo sentido, pode-se acalentar esperanças de que ainda chegue lá.

Afinal, Blatter tem salário muito maior que Ban Ki Moon, imensíssimos recursos e quantidade muito maior de poder real. Blatter jamais trocaria seu emprego pelo emprego de Moon, embora, claro, também tenha lá os seus problemas.

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