quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aborto sem mistério

Não entendo a dificuldade de falar do aborto entre os políticos! Não precisa nem ser feminista, basta ser humanista! Diz assim, ó:

Olha aqui, minha gente, eu não gosto de aborto, tenho hor-ror de aborto, deeeeeeus me livre de precisar de um aborto! Ninguém em sã consciência pode ser "a favor do aborto". Precisamos melhorar muito o SUS, a assistência à mulher, aumentar emprego, renda e educação para que o Brasil não tenha todos os anos um milhão e 200 mil abortos clandestinos, sem médico, sem enfermeira, sem remédios! Vocês sabem o que significam 1,2 milhão de abortos anuais? É a cidade toda de Goiânia fazendo aborto todos os anos, é a cidade toda de Campinas fazendo aborto todos os anos, é quase uma Porto Alegre, quase um Recife fazendo aborto todos os anos sem nenhuma assistência. E são as mulheres negras e pobres que passam por isso, porque as remediadas e ricas compram Cytotec ou pagam 800 reais na clínica e fazem seu aborto. Até lá temos que cuidar da mulher pobre e desassistida e evitar que elas morram! Por isso o ministro da Saúde fala tanto em questão de saúde pública. Porque ele não pode ficar vendo essas mulheres morrendo de hemorragia, morrendo de infecção, abandonadas, e ainda denunciadas à polícia, porque o aborto é crime, a não ser que a mulher corra risco de vida ou seja vítima de estupro, não é mesmo? Já pensaram se alguma doença matasse tanto quanto o aborto clandestino? A imprensa derrubaria o governo! Não viram o que fizeram com a febre amarela?

Então eu peço seu voto para que possamos avançar com o desenvolvimento, a educação, o SUS e o apoio à mulher para que nenhuma brasileira precise mais fazer aborto! Agradeço a compreensão de todos!
Pronto, não é simples? Alô, Dilma, pode usar, não cobro direitos autorais não, viu?

7 comentários:

Cintia Branco disse...

Mari,

é isso aí!
Beijos

Patrícia disse...

Perfeito!

Isso é o que realmente importa desse debate.

Beijos.

Anônimo disse...

É isto mesmo o que precisa ser dito.
Vou copiar e mandar para quem vier com esta história para cima de mim.
Contudo os políticos têm medo de perder votos. E nunca esclarecem o público sobre o que é saúde pública, não informam estes dados.
Para eles, o aborto sempre foi problema de mulher.
Quanto aos religiosos, são iguais, nunca estão nem estiveram interessados nas mulheres e em seus filhos.
Ambos, políticos e religiosos só se interessam, em esmagadora maioria, pelo poder que possam exercer.
E as mulheres, em grande maioria, morrem de medo de ir para o inferno, culpam-se por tudo.
Passe nas portas de qualquer templo religioso e veja a proporção de mulheres e homens que estão lá. O número de mulheres é maioria absoluta. Agora, veja quantas delas são pastoras, bispas, papa, profetas etc!!??
A religião é o reduto do machismo.
As mulheres que têm filhos, quando passam dos 35, principalmente as que não têm dinheiro ou cuidam sozinha dos filhos, vão para as igrejas se consolar umas as outras, conversar, pedir conselhos. São burro de carga das igrejas.
É o que sempre vejo e escuto por aí há anos e via na igreja, quando lá ia.
Olhe as pesquisas e veja quem sempre está em dúvida, não sabe em quem vota etc.
E para terminar esta catarse, vou lembrar que nós somos a classe média moderna, como a Rosemarie Muraro descobriu na brilhante pesquisa que fez sobre a sexualidade da mulher brasileira: corpo e classe social.
Somos a classe média moderna porque ultrapassamos a culpa religiosa de exercer a sexualidade e não aceitamos ceder o nosso livre arbítrio a "seu ninguém".
-Vera Silva-

Truda disse...

E o que vocês acharam do Edir Macedo defendendo o aborto? Parece que como dono da Igreja Universal deve ter feito um acordo e não tem medo de ir para o inferno!

http://www.youtube.com/watch?v=4uWSuc1fVNk&feature=player_embedded

mari disse...

Vera, que show!!! Se eu tivesse ânimo ia pra porta dessas igrejas arregimentar mulheres pra conversar sobre a vida fora da religião e da família!!! A minha tia virou evangélica e conseguiu arrastar meu "tio" (o marido dela morreu, ela juntou os trapos com este). Ele era um beberrão e se "curou", tá trabalhando, virou gente. Essas coisas são enigmáticas...

Truda, acho que vou me converter à IURD!!!! :-))) caraca, os caras estão avançados pra caramba! Como lembrou o Marco, afrontam a Globo e o PIG em geral!!!

sunny disse...

Parabéns, Vera, por sua análise feita de "dentro" da questão, embora não explique o movimento carismático católico, constituído majoritariamente por donas-de-casa classe média e dondocas paulistas.

Qto a político não dar bola para as mulheres, estou de pleno acordo. Havia - ou há - uma lei que obrigava as empresas com + de 10 funcionárias a instalar uma creche nas dependências, ou pagar uma creche particular. Nos meus tempos de Abril, nós conseguimos a creche particular. Não sei se o acordo ainda vigora.

Bom, isso tudo é para dizer que a filha da minha empregada, que mora na Baixada, pensa em pedir para ser demitida de um supermercado, onde é supervisora de caixa há 11 anos, para cuidar da filha depois da licença-maternidade. Não é um absurdo?

mari disse...

Caramba, que lástima! Joga a carreira fora, vai pra casa cuidar da filha e logo logo acaba na igreja. E lá se vão mais duas almas-cidadâs...

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