quinta-feira, 21 de abril de 2011

Gisele Bündchen pra quê?

Em dia com o estilo humor-do-cão que me caracteriza, venho por meio destas mal traçadas linhas reclamar dos anúncios da Sky. A Sky gastou US$ 4 milhões, fora a baba não divulgada que pagou a Gisele Bündchen (segundo a Forbes, a bela faturou 25 milhões de dólares em 2009 trabalhando para umas 10 marcas, então, faça as contas), numa campanha muito da vagabundinha cujo abre é um "EU VOLTEEEEEEEEEI" do Roberto Carlos -- que dá um baita susto no assinante distraído. Quase caio da cama cada vez que a maldita propaganda começa! Claro que não é culpa do Roberto Carlos, é a Sky que explode o som quando leva o anúncio à tela. Os garotos-propaganda da operadora também gritam como loucos. Minha TV está sempre no volume mais baixo (subo um pouco quando os cachorros do vizinho surtam), e mesmo assim é um tiro no ouvido. Deveria haver uma lei que proibisse esse aumento de som da TV -- é questão de saúde pública!  

Se era pra vender mais pacotes HDTV, acho que a Sky pode é se arrepender. Só perde mesmo para a fase Claudia Leite da Net, que por pouco não me fez cancelar a assinatura quando morava no Rio -- até à ouvidora da Net eu escrevi e-mail furibundo. Ela respondeu dizendo que metade dos assinantes tinha aprovado a campanha segundo pesquisa, pode? Imaginem, manter uma campanha com 50% de rejeição! Só no Brasil... A do general Skavuska era tão maneira, não entendo como podem ter trocado por uma axezista.

No mais, gastar uma fortuna pra mostrar a Gisele de dona de casa trouxa... vou te contar. É hilário, no filmete em que ela bate um bolo, ver os saltos altíssimos que ela usa para caminhar como uma deusa de volta à cozinha. Desperdício... bem que podiam botar a musa chegando exausta à casa, largando roupas e sapatos pelo caminho (tipo Charlize Theron/Dior, lembram? aqui tem o vídeo) e se jogando no sofá pra ver TV, hehe, não sou um gênio criativo da propaganda???

Aqui em Teresópolis não há Net. As organizações grobosta odeiam Terê; a TV grobosta nem sinal botou aqui, só pega com parabólica (meu prédio até tem e eu instalei, mas nunca troco porque destrambelha o controle remoto da Sky). Se houvesse eu trocaria, ainda mais que acabo de completar o (ilegal!) prazo de carência (sim, já estou há um ano em Terê...). Tirando os maravilhosos recursos do HD, bem que eu trocaria. A imagem é ótima, rarissimamente sai do ar (só com temporal e nunca além de poucos segundos), mas custa os olhos da cara.

Valeu a graça, São Sobrenatural de Almeida!


Do G1

E como é booom ver o Olé de #mimimi...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

As cubanas e seus Avtomat Kalashnikova 1947

Quase ninguém deu bola, mas o Boston Globe deu (euzinha também!) e publicou um Big Picture sobre os 50 anos da fantástica vitória dos cubanos na Playa Girón (ou a vexaminosa derrota da CIA+anticastristas na Baía dos Porcos), comemorados em grande estilo em 16 de abril. Evento de tamanha importância que na data o PC promoveu novo congresso, após 14 anos de silêncio.



A bandeira de Moçambique
Comentário do Marco Aurelio (meu filho, não o ministro) sobre a foto acima: "Tão raro ver AK47 sendo usados por um grupo uniformizado...". Ele mandou a fala do Nicolas Cage em Lord of War sobre a arma mais difundida do planeta e eu traduzi: "De todas as armas do vasto arsenal soviético nenhuma era mais rentável do que o Avtomat Kalashnikova (Kalashnikov automático) modelo 1947, mais conhecido como AK-47 ou Kalashnikov. É o fuzil de assalto mais popular do mundo, amado por todos os combatentes. Uma elegantemente simples fusão de aço forjado e madeira de 4 quilos que não quebra, não trava, não superaquece. Funciona mesmo cheio de lama ou de areia. É tão fácil de usar que até crianças podem usá-lo, e elas costumam usar. Os soviéticos colocaram esta arma numa moeda, Moçambique colocou-a em sua bandeira. Desde o fim da Guerra Fria, o Kalashnikov é o produto de maior exportação do povo russo. Depois disso vêm a vodca, o caviar e escritores suicidas. Uma coisa é certa: ninguém faz fila para comprar seus carros."  (ver o vídeo dessa fala aqui)

Segundo o Marco, não há estatística sobre o número de Kalash no mundo. Calcula-se que foram produzidos entre 50 e 100 milhões... "Difícil um item mais obscuro que esse no mercado internacional, só ogiva nuclear". A coisa é tão impressionante que está também no brasão de Moçambique (porque seu poder veio de seu uso), no brasão do Zimbábue e do Timor Leste, no brasão da era revolucionária de Burkina Faso, na bandeira do Hezbollah e no logo do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica Iraniana.

Entre os esticados e os botocudos

Vocês viram The expendables, com Sylvester Stallone? Passou noutro dia na TV. É um besteirol sem fim (e vai ter sequência!), mas serviu pra expor o rosto quase irreconhecível do querido Rocky Balboa: tão esticado que as sobrancelhas não baixam mais. E a Susan Saradon? Tá a cara do Stallone! Vi recentemente no papel de avó não me lembro em que filme. Fiquei tão impressionada que mudei de canal.

As novas temporadas dos meus enlatados estão mostrando faces estranhíssimas. Os corpos continuam magrinhos, mas o rosto de quase todos engordou -- na verdade, inchou, tamanha a quantidade de botox. Exemplos: a Olivia de Law & Order SVU, a Fiona de Burn Notice, a Megan de Body of Proof e especialmente a Willows de CSI (parece que esticou também...). Nem falo do Magnum de Blue Bloods, que perdeu completamente o rosto original. Ah, a Calleigh de CSI Miami mudou muito (a única expressão dela era o franzir da testa; nesta temporada, nem isso), mas como li que estava grávida durante as filmagens desta 9ª temporada em 2010, atribuo o rosto bem mais cheio à gravidez.

Pra falar a verdade, até o Jon Hamm (Mad Men) tá com uma cara meio diferente... É desagradável ver esse pessoal virar botocudo assim.

***
Atualizando com a Carol Burnett que está dando (agora, 16h21 de sexta 22/4) entrevista a Piers Morgan na CNN (clique para ampliar):


Ela diz que fez plástica porque sempre quis ter queixo... Pode? Pois destruiu as bochechas e a expressão.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Perelman, a mente brilhante e as baratas

Acabo de ver na BBC entrevista com a escritora russa Masha Gessen, autora de Perfect Rigour -- A Genius and the Mathematical Breakthrough of the Century, sobre o gênio Grigori Yakovlevich Perelman, que fez a descoberta matemática do século (para quem gosta de ler na tela, o ebook é vendido aqui por 10 dólares!).

Perelman era pesquisador do Departamento Leningrado (hoje São Petersburgo) do Instituto Steklov de Matemáticas, da Academia de Ciências da então URSS, quando resolveu a chamada "Poincaré Conjecture", um dos sete problemas matemáticos do milênio, segundo os critérios do Clay Institute, de Boston, que promete 1 milhão de dólares aos vencedores. Perelman apresentou a solução em 3 artigos publicados entre 2002 e 2003 em arXiv. O trabalho, verificado febrilmente por centenas de matemáticos abismados com a genialidade de Perelman -- o enigma durou 110 anos! --, acabou reproduzido e comprovado em 2006 por pesquisadores chineses (por sinal, Perelman emitiu opiniões duras sobre os matemáticos chineses: não têm ética, disse). A descoberta foi capa da  Science em dezembro. Em 2010, o Clay reconheceu a solução. Só que Perelman recusou este e outros prêmios, entre os quais a prestigiada Fields Medal do International Congress of Mathematicians (ICM) mesmo sob pressão de instituições de caridade russas.

A jornalista Masha Gessen, determinada a descobrir o porquê da recusa, entrevistou professores, colegas, vizinhos de Gricha Perelman. O homem que em fins dos anos 1980 e início dos 1990 trabalhava em diversas instituições americanas, que em 1994 já resolvera outro problema (soul conjecture) e poderia ser superbem pago e glorificado em qualquer universidade do mundo, voltou ao Steklov em 1995 como simples pesquisador. Logo depois de publicar a solução da Conjetura Poincaré, demitiu-se do Steklov e virou recluso. Vive com a velha mãe num pequeno apartamento infestado de baratas. Que coisa, né?

Segundo a Wiki, "a conjectura de Poincaré afirma que qualquer variedade tridimensional fechada e com grupo fundamental trivial é homeomorfa a uma esfera tridimensional. Ou seja, a superfície tridimensional de uma esfera é o único espaço fechado de dimensão 3 onde todos os contornos ou caminhos podem ser encolhidos até chegarem a um simples ponto". Se você não entendeu, paciência...

Perfect Rigour -- A Genius and the Mathematical Breakthrough of the Century, Icon, março de 2011.

Aqui uma lista de filmes preparada por Harvard em que a matemática aparece de uma ou outra forma. Meu favorito é Good Will Hunting, com Matt Damon. E Numb3rs, claro, embora ultrafantasioso...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Gagarin: 50 anos da First Orbit, the movie



Em 12 de abril de 1961, pela primeira vez nosso planetinha era visto do alto por um humano. Yuri Gagarin, um herói real. E a órbita que ele cumpriu a bordo da Vostok pode ser vista neste filme incrível que o Google divulgou no Youtube. "É, a guerra fria acabou mesmo", disse o Marco Aurelio (meu filho, não o ministro).

Aê, URSS!

domingo, 10 de abril de 2011

Alô, roteiristas de enlatados! Tá dando não!

Em matéria de enlatados, minha diversão favorita, não ando nada feliz.

Amo Tim Roth, mas na minha humirde ele está sofrendo de uma síndrome que afeta personagens marcantes demais. Aconteceu com Tony Shalhoub em Monk e com Hugh Laurie em House. São tão fortes que o ator se sujeita. Passa a venerá-los, a super-representá-los, aumenta-lhes os cacoetes até que virem mostros torturantes. Desisti de ver Monk se não me engano na terceira temporada, vejo House ocasionalmente e estou prestes a abandonar Lie to me. A série inteira está bem fraca, apesar da trama central interessante. Kelli Williams (a Gillian Foster) é um poste, os demais personagens são postinhos. Não admira que a audiência nos Estados Unidos tenha despencado a um terço. Até aquele estranho povo ao norte do Rio Grande sabe quando algo vai mal.

Por que a síndrome não ataca outros atores? Não sei dizer. Mark Harmon e David Caruso, por exemplo (mantidas as proporções), também lidam com personagens atormentados em NCIS e CSI Miami, mas se contêm, né não?

Aliás, as séries em geral estão bem esquisitas. Primeiro, absurdamente acabaram com Law&Order (L&O Los Angeles é uma bosta horrível). Depois, os roteiristas parecem drogados, perderam o tchan. Desde a grande greve deles uns anos atrás, 2007-2008, os roteiros pioraram muito. Agora vão botar a Olivia e o Elliot de caso no Law&Order SVU, pode??? Até o esplêndido Criminal Minds pirou. A atriz que interpretava JJ pediu aumento, não conseguiu e saiu pra fazer uma sitcom idiota qualquer. O que os roteiristas então inventaram? Que a nerd Garcia, conhecida do público há 5 temporadas, se oferecia para a função da JJ, consolando parentes de vítimas e brifando a imprensa. Você comprou? Nem eu...

Breaking Bad, Damages, Desperate Housewifes detesto. Glee, que de repente se encheu de vilões, detesto. Sitcoms, detesto. Fringe está eletrizante, mas é pouco para um quadro geral de mesmice, crimes cada vez mais brutais, suspense virando terror sem mais nem menos, personagens principais mergulhados em improváveis problemas pessoais (aquela filharada do Elliot, por exemplo, é uma quadrilha!), histórias bobas girando como peão torto. Falta trama, sobra drama. Claro, há momentos divertidos, como imaginar o que faria Horatio Caine de CSI Miami se existisse um Michael Westen (personagem de Jeffrey Donovan em Burn notice) explodindo a cidade toda dia sim outro também...

As grandes exceções: The good wife, muito bom mesmo, e Mad men, ainda deslumbrante. Difícil tirar os olhos da tela. Na Chicago de nossos dias, o background da politicagem à Blagojevich (marinado no puritanismo nacional); na Nova York dos anos 60, o mais atormentado dos personagens atormentados, o espetacular, o maravilhoso, o primeiro e único Don Draper de Jon Hamm (a história permite referências inesperadas, como aos assassinatos dos 3 ativistas no Mississipi em 1964, no 1º episódio desta 4ª temporada).

Só pago uma fortuna à Sky porque os enlatados são a minha principal diversão, já que filmes eu baixo mesmo -- já vi quase todos os que me interessam quando finalmente chegam à TV. Então, sabe, ou os roteiristas tomam jeito ou até isso vou economizar, viu, Hollywood et all?

sábado, 9 de abril de 2011

Um tema lindo demais

DVD com doc sobre a
operação Market Garden
Todo mundo sabe que eu adoro filme da Segunda Guerra Mundial, a última minimamente "justa". Sempre disse na bloga velha que os americanos se acham, mas que quem segurou mesmo os nazistas foram os britânicos e (ça va sans dire) os soviéticos. Há que reconhecer, porém, que os britânicos pisaram, e uma de suas maiores lambanças, seguida de derrota acachapante, foi na Operação Market Garden, que abriria o caminho dos aliados para o Ruhr através da Holanda -- era necessário, para isso, tomar das unidades SS e Panzer alemãs as pontes ao longo do Rio Nederrijn, o Baixo Reno.

Uma das batalhas mais sangrentas foi a de Arnhem (morreram três quartos da 1ª Divisão Aerotransportada britânica, incluindo 2 dos 3 comandantes de brigada, 8 dos 9 comandantes de batalhão e 26 dos 30 comandantes das companhias de infantaria, é mole?, a ponto de a divisão ser dissolvida). Pois acabo de ver pela enésima vez A bridge too far (Richard Attenborough, 1977), épico megaproduzido e filmado em boa parte nos locais originais que conta um pouco das lambanças. Hoje me animei e finalmente descobri a música-tema do filme, que é simplesmente sensacional. Eis o vídeo dela:



Esse Tema da Marcha, lindo misto de dobrado e sinfonia também usado magistralmente no filme como música incidental, é do compositor britânico John Addison, nada mais nada menos do que piloto de um dos tanques Sherman na batalha de Arnhem. Voluntário desde 1939, lutou seis anos no 23rd Hussars, divisão blindada britânica. A bridge too far lhe rendeu um Bafta. Morreu em 1998, aos 78 anos.

Não desfaço do papel dos americanos não, sou a maior fãzona deles nessa guerra. Band of Brothers, que considero uma das melhores minisséries de todos os tempos, contou a incrível saga dos paraquedistas da Easy Company, que integrava a 101ª Divisão Aerotransportada americana  -- também parte do esforço aliado rumo à Alemanha, só que pela Bélgica (Holanda e Bélgica, países tão pequenos, foram palco de grandes massacres dos aliados; afinal, eram passagens supervigiadas para o território inimigo). Com a diferença de que os americanos perderam muitas vidas, mas venceram a chamada Batalha do Bulge, enquanto aos ingleses só restou a retirada em Arnhem.

É bom acrescentar que adoro filmes da Segunda Guerra porque o nazismo me arrepia de horror. Acho importante lembrar a todo momento do que nos livramos.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Cidadão em sofrimento

Em meio a essa chuva de opiniões despropositadas, disparatadas e até fascistas sobre a tragédia de Realengo, faço apenas uma pergunta: terá o sistema de saúde, algum dia, em algum lugar, a capacidade de detectar e assistir um cidadão em sofrimento, evitando gestos tresloucados?

Este seria o mundo ideal.
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