domingo, 29 de março de 2009

GRAN TORINO!

Uau! Que filme! Clint rocks!!! O engraçado é que o Marco, que adorou, disse uma frase que depois de ver o filme me soa enigmática: "Mas mãe, você tem que entender que é um filme americano".

???

sábado, 28 de março de 2009

Lancet dá um chega pra lá no criminoso!

Vera mandou mensagem com link para o Azenha, que publica a tradução do editorial da Lancet criticando o besteirol criminoso desse tal Bento 16. Ô sujeito maléfico. A Corte Internacional da Haia deveria julgar esse desastre por crime contra a humanidade!!! Achei o editorial respeitoso demais. Uma revista científica tinha obrigação de ser mais contundente. Não digo que esculhambe como eu, mas deveria pegar mais pesado. O gajo é criminoso, e crime deve ser tratado como tal.

A tradução é da Conceição Lemes. Adoro as matérias dela. Tirei todas as iniciais maiúsculas de papa, igreja católica etc. Que mané inicial maiúscula coisa nenhuma! Esse mal de dois milênios é rasteiro! Mas Conceição é certamente a melhor repórter de saúde deste país, e assim apresenta o editorial:

Conceição Lemes

Se alguém ainda tem alguma dúvida de que a afirmação do papa Bento XVI em relação à camisinha foi um desserviço à luta contra o HIV/Aids no mundo, o contundente editorial desta sexta-feira [27/3] da Lancet é a pá de cal.

Sob o título "Há redenção para o papa?", o editorial afirma que o papa distorce o conhecimento científico sobre camisinha, fez comentário gravemente errado e descuidado sobre HIV/Aids e exige que ele se retrate. A Lancet é uma das mais prestigiadas revistas médicas do mundo. Eis o editorial na íntegra.

***

Há redenção para o papa?

Editorial de The Lancet

O Vaticano sentiu a candência de um protesto internacional sem precedentes, semana passada, depois de o papa Bento 16 ter feito comentário inadmissível, gravemente errado e descuidado sobre HIV/AIDS. Em sua primeira visita à África, o papa disse a jornalistas que a luta do continente contra a doença seria problema "que não pode ser resolvido com distribuição de preservativos: ao contrário, os preservativos aumentam o problema".

É bem conhecida a oposição ética que a igreja católica faz ao controle de natalidade e o apoio que dá à fidelidade conjugal e à abstinência como meios para prevenção contra a contaminação pelo HIV. Mas, ao dizer que os preservativos aumentam os problemas relacionados ao HIV/AIDS, o papa ativamente distorce conhecimento científico demonstrado, para promover a doutrina católica sobre o assunto.

Imediatamente, a comunidade internacional condenou o comentário. Governos de Alemanha, França e Bélgica distribuíram notas criticando a posição do Papa. Julio Montaner, presidente da International Aids Society, considerou o comentário "irresponsável e perigoso". A Unaids e o Population Fund da ONU e a Organização Mundial da Saúde (OMS) também se manifestaram, reafirmando a posição oficial dessas entidades sobre o uso recomendado do preservativo e a importância de evitar o contágio, em que se lia que "o preservativo masculino de látex é a única, a mais eficiente e a mais acessível tecnologia que há para reduzir a transmissão sexual do HIV".

Sitiado pela fúria geral, até o Vaticano tentou emendar as palavras do papa. No website "Holy See", o chefe da assessoria de imprensa, padre Federico Lombari, escreveu que o papa teria dito que "há risco de que os preservativos venham a aumentar o problema".

Não se sabe se o papa errou por ignorância ou se houve deliberada tentativa de manipular informação científica para apoiar ideologia católica. Mas o comentário não foi desautorizado, e tentativas de retorcer as palavras do papa, sem qualquer respeito à verdade, não são encaminhamento recomendável. Quando alguma voz influente, seja líder político ou religioso, faz afirmação falsa no campo científico, que pode ter efeitos devastadores para a saúde de milhões de seres humanos, é seu dever retratar-se ou corrigir os registros públicos. Qualquer outra atitude do papa Bento será imenso desserviço aos que trabalham para defender a saúde pública, entre os quais milhares de católicos, que se dedicam incansavelmente à luta pela prevenção e contra a disseminação do HIV/AIDS em todo o mundo.

quinta-feira, 26 de março de 2009

DIVIRTAM-SE!!!

Os soberanos do mundo e o candidato de FHC

Mauro Santayana

Em 1991, no Encontro de Bilderberg, em Baden, David Rockefeller, neto do fundador da Standard Oil, tratou da grande conspiração imperial em marcha. De acordo com o site American truth, o importante banqueiro agradeceu às maiores publicações norte-americanas, como o Washington Post, o New York Times e a Time, pelo fato de conhecerem o projeto, durante 40 anos (ou seja, desde 1951) e de não o terem revelado. Disse David que lhe seria impossível desenvolver o seu plano para o domínio do mundo, se ele fosse submetido às luzes da publicidade. "Mas agora (depois da queda do muro de Berlim) – completou – o mundo está mais preparado para marchar rumo a um governo mundial. The supranational sovereignty of an intellectual elite and world bankers is surely preferable to the national auto-determination practiced in past centuries".

Não houve, nem há, melhor definição da soberania que pretendiam impor a todos os povos: a aliança entre uma elite de intelectuais e de grandes banqueiros é preferível – de acordo com o último dos Rockefeller – à autodeterminação nacional praticada nos séculos passados. Essa ideia de governo mundial se associa a uma família que, mais do que qualquer outra, simboliza a construção do capitalismo baseado no petróleo e nas empresas multinacionais. David foi o primeiro e único Rockefeller banqueiro, ao assumir o Chase National, que, depois de chamar-se Chase Manhattan, está hoje associado ao JP Morgan.

Henry Ford disse ser melhor que o povo nada saiba sobre os bancos e o sistema monetário, porque, se ele souber, afirmou, "I believe there would be a revolution before tomorrow morning". Provavelmente seja dessa revolução que o mundo necessite. E esse é o nó górdio que o presidente Obama tem em suas mãos. Começando pela América, o mundo parece dividido, nestes dias, entre os banqueiros, que resistem e se rearticulam politicamente, e o povo, que incita os governos a irem adiante na estatização dos bancos. Os povos, em nossos dias, parecem mais aptos a descobrir o que significam os bancos e o sistema monetário. Daí o perigo, ou a esperança – depende do ângulo que se veja – da revolução prevista, há mais ou menos um século, pelo construtor de automóveis, before tomorrow morning. Naquele tempo, os produtores de bens tangíveis – era o caso de Ford – sentiam que os seus interesses não eram exatamente os dos banqueiros. Com o correr do tempo, no entanto, os banqueiros se assenhorearam do controle acionário dos grandes consórcios industriais, e já não existem homens como Ford, que os detestava e, enquanto vivo, jamais permitiu que suas ações fossem negociadas em bolsa.

Obama se encontra entre dois fogos, conforme ficou claro na entrevista coletiva de terça-feira. O sistema, passado o momento de choque, reage, e já ameaça. Por outro lado, Joseph Stiglitz, com a autoridade de que dispõe, diz claramente que a ajuda financeira aos bancos falidos, com a aquisição de seus ativos podres pelo governo, "é um roubo contra os contribuintes americanos".

O cinismo dos banqueiros é exemplar e Mayer Rotschild resume a ópera: "Dêem-me o controle do dinheiro de uma nação, e eu não preciso me preocupar com quem faz as leis". Os que examinam mais de perto a formação histórica da grande República sabem que o confronto entre a sociedade, representada pelos mais eminentes homens de Estado, e os banqueiros, vem desde o início dessa República. Contra eles houve advertências de Jefferson, Madison (os dois se opuseram à criação do Primeiro Banco dos Estados Unidos por Hamilton), Jackson (com seu famoso veto à renovação da patente do Segundo Banco), Lincoln, Wilson, Roosevelt e outros.

O Brasil foi sempre uma grande preocupação dos Rockefeller e do governo norte-americano. Nelson Rockefeller pretendia dominar a Amazônia, mediante a "evangelização" dos nativos. Washington, de acordo com Gerald K. Haines, da CIA (The americanization of Brazil) queria fazer de nosso país uma colônia dissimulada. No mesmo ano de 1991 – o do encontro de Baden – Collor iniciava o processo de submissão aos neoliberais, que Fernando Henrique completaria, de 1995 a 2003.

O ex-presidente quer voltar. Como disse anteontem em São Paulo, "Lula recebeu um país em condições melhores do que aquele entregue a mim por Itamar, e espero recebê-lo de volta em situação ainda melhor". Como se vê, nem Serra, nem Aécio: o candidato de Fernando Henrique é mesmo Fernando Henrique.

JB, quinta-feira, 26 de Março de 2009 - 00:00

quarta-feira, 25 de março de 2009

Amenidades, que ninguém é de ferro

The great escape
El País online de hoje comenta os 65 anos da fuga histórica de soldados britânicos (bem, tinha uns americanos lá, de lambuja) do campo de prisioneiros alemão Stalag Luft III (Polônia), na Segunda Guerra. John Sturges fez filme inesquecível em 1963, The great escape (com Steve McQueen, James Garner e brilhantes atores ingleses), que nossos tradutores transformaram em Fugindo do inferno. Cada vez que passa na TV eu vejo. É genial. O jornal conta que os veteranos britânicos Andrew Wiseman, Alfie Fripp, Frank Stone e Reg Cleber voltaram ontem ao túnel da famosa fuga da noite de 24 para 25 de março de 1944.

Mas o Times de Londres conta outra história. Os veteranos britânicos que ontem assistiam ao filme vaiaram não os nazistas, mas o "bobo" do Steve McQueen e sua moto. "Não ficamos impressionados quando o filme saiu", disse Reginald Cleaver, 86 anos, engenheiro de voo baleado na Holanda, que ajudou a costurar as roupas para a fuga. “Os trechos sobre o modo como o túnel foi cavado e como as coisas começaram foram bem precisos, mas o resto é puro nonsense". E mais: "Os americanos não tiveram participação na fuga. Americanos guiando motos foi ridículo".

O trágico: 50 fugitivos foram executados depois de recapturados como exemplo para outros prisioneiros. Ordens de Hitler. Apenas três fugitivos conseguiram escapar de fato. História bonita de verdade, de uma guerra que teve algum sentido. Hollywood realmente faz tudo para agigantar o papel dos americanos na Segunda Guerra -- minimizando o dos britânicos e, muito mais, o dos então soviéticos. Outro filme americano badalado, U-571 (2000), sobre a captura da Enigma, máquina alemã de criptografia, passa por cima do fato histórico de que as primeiras foram apreendidas pelos britânicos. Enfim, ao vencedor mais forte as batatas.

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Gran Torino
Marco foi ver ontem. Ficou extasiado. Ainda não consegui baixar, mas ele me fez ver um vídeo no Youtube sensacional, sobre a música que Clint e outro cara compuseram para o filme. O Clint canta!!! Táqui. Há outros, vai lá.

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Quantum of Solace
Não estou curtindo a atual fase do 007. Os roteiristas embarcaram num Bond dark demais. Prefiro o Bond superficial e bem-humorado, que ironiza suas inacreditáveis façanhas em prol do imperialismo -- foi engraçado ver o Matt Damon, meu amado Jason Bourne, chamar Bond de "imperialista asqueroso"! "Imperialista asqueroso" sim, mas cheio de humor britânico. Isso acabou nesta fase de Daniel Craig, iniciada ainda com Pierce Brosnan, quando ele passa dois anos preso e torturado numa cadeira norte-coreana. Ah, que saco! 007 é diversão!

Boston Legal, Eleventh hour, Fringe, The mentalist
A TV americana embarca em duas vertentes nos seus enlatados: o "progressismo" e o esoterismo. Claro que as idéias são todas dos britânicos, que fazem seriados pioneiros excelentes, depois os States copiam. E se saem frequentemente bem.

Boston Legal (Justiça sem limites, ô título imbecil, quartas, 21h, Fox) investe contra a homofobia, a indústria do tabaco, a indústria farmacêutica; simplesmente espetacular! Eleventh hour (segundas, 22h, Warner) e Fringe (terças, 22h, Warner -- é do JJ Abrams, mas espero que ele não embarque noutra viagem tipo Lost, que virou um porre; o episódio de ontem já teve umas trocas de tempo esquisitas...) detonam experimentos científicos sem ética, sem eira e sem beira. The mentalist (quintas, 21h, Warner... compete com o ótimo Bones, da Fox, vejo um de madrugada ou no domingo, depende) é excelente graças ao genial Simon Baker, o detetive Patrick Jane, que tem percepção quase sobrenatural das coisas. Resumindo: tenho me divertido muito com meus enlatados. Mais progressistas, unem o útil ao agradável. Adoro Law & Order e similares, mas é duro suportar aqueles policiais conservadores que odeiam médicos que fazem aborto. E lá é legal, pô! Um ou outro personagem escapa ao conservadorismo fundamentalista.

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Em tempo -- Esqueci de incluir na lista de esotéricos The listener (segundas, 21h, Fox), que conta as aventuras de um paramédico leitor de pensamentos alheios (bobinho, com dublagem irritante, tão grave é a voz do ator brasileiro) e Eli Stone (quintas, 21h, a única coisa assistível na Sony, excelente seriado de tribunais cujo personagem principal fala com deus, que lhe deu de presente um aneurisma no cérebro que provoca alucinações hilárias, loucas a ponto de mudar a cabeça do sócio principal do escritório, que se torna advogado mais humanista e defensor de boas causas, em vez de conglomerados). É intrigante e divertido; as alucinações musicais lembram um pouco as do escritório de advocacia de Ally McBeal, o mais musical do mundo (sinto saudade dos karaokês de fim de expediente, quando todos botavam as neuras pra fora dançando e cantando músicas inesquecíveis do meu tempo).

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Life
BOM MESMO é Life (quartas, 20h, AXN), que conta a busca do detetive Charlie Crews (Damian Lewis, lindo, cabelos vermelhos e olhos azuis; se anjo tem cara deve ser a dele, com seu comovente olhar zen) ao assassino de uma família, crime do qual foi acusado e lhe rendeu 12 anos de cadeia. Ao sair, inocentado, ganha uma fortuna de indenização, recupera o cargo e resolve crimes difíceis, sempre comendo maçã, filosofando e caçando o tal assassino. Mas é perigoso se apegar às séries do AXN. Não é um canal confiável. Tirando Lost, que prossegue tediosamente, eles acostumam o freguês com os excelentes NCIS, Criminal minds, por exemplo, e de repente tiram do ar.

Eureka
Esse é imperdível (SciFi, quartas, 21h -- hoje tem!!!)! Um agente do FBI aceita ser xerife de uma cidade americana habitada só por cientistas (inspirada em Los Alamos). Enquanto resolve mistérios com seu QI de apenas 112 (a média local é 150), critica com humor ou amargura, dependendo dos danos causados, as experiências malucas e irresponsáveis feitas no pedaço.

Fui!

***

Troquei umas datas e estava consertando quando caiu a luz. Diacho... Faltou falar de Terminator: The Sarah Connor Chronicles (Warner), que saiu da quarta para o ostracismo dominical. Gosto demais da Sarah do Terminator da telona (Linda Hamilton), mas essa atriz do seriado, Lena Headey, é mais completa, creio. É uma fria guerreira também, mas expõe uma tristeza tocante, que faltava à Sarah original. E que roteiristas! Em meio ao suspense permanente, o diário que ela narra em off -- as tais chronicles --, sobre perdas e danos em sua vida inglória, parte corações. A gente pode aproveitar até para nossa época, para esse tempo em que a máquina destruidora é Gi*lm*ar Dan*tas.

E não posso esquecer Numb3rs (terças, 19h, Telecine Action). Imperdível!!!!!!

Agora fui mesmo!

Real e imaginário

Lembram que antigamente se dizia que Brasília e classes dominantes viviam num Brasil de fantasia cercado do Brasil real por todos os lados, tipo Morumbi & Paraisópolis?

Mudou. Agora, o Brasil de fantasia, que somos nós que vemos tudo, sabemos de tudo e nada fazemos, é que cerca o Brasil real, este dos desmandos de Dan*ieis e Gi*lm*ares, FHCs e Serras, Sarneys e Temeres, acobertados todos pela imprensa. Minha nossa...

Fico pasma!

Quer dizer que a corrupção ativa é "suposta"? O cara foi condenado, a corrupção foi comprovada, há vídeo e áudio LEGAIS comprovando!

Estadão de hoje.
SÃO PAULO - O sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, vai recorrer da decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF 3) que rejeitou habeas-corpus pedindo trancamento da ação penal na qual foi condenado a 10 anos de prisão por suposta corrupção ativa. A defesa só aguarda a publicação do acórdão da 5ª Turma do TRF 3, que rechaçou a tese de ilegalidade na parceria entre Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Polícia Federal. O recurso poderá ser apresentado no próprio TRF ou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A receita da desmoralização

Quem assistiu aos vídeos abaixo percebeu que o importante no debate do programa não foi nem o trecho sobre as maracutaias de Gil*mar Dan*tas, e sim a desconstrução da Operação Sa*tiagr*aha e a desmoralização da PF como investigadora da corrupção. Junte a farinha do artigo do Nassif, acrescente os ovos da sabatina que a Folha fez ontem com o GD e complete com a notícia dada ontem nas emissoras Grobo de que a PF queimou não sei quantas toneladas de maconha. Você tem o grude prontinho: os corruptos venceram. A PF sossegou e voltou a incinerar drogas, que é o papel dela. Onde já se viu incomodar corrupto e criminoso de colarinho branco? Eu, hein!?

terça-feira, 24 de março de 2009

Pronto. Resolvido!

O silêncio dos jornais

Luciano Martins Costa em 24/3/2009

(Observatório da Imprensa)

A Folha de S.Paulo e o Globo ignoraram a notícia, mas o Estado de S.Paulo publica na edição de terça-feira (24/3), com destaque, que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região impôs ontem uma importante derrota à estratégia de defesa do banqueiro Daniel Dantas.

O controlador do banco Opportunity queria trancar a ação penal nascida da acusação de corrupção ativa, por tentativa de subornar um delegado federal para ser excluído da chamada Operação Satiagraha.

A decisão é fundamental para o prosseguimento das ações judiciais contra Dantas. Por essa razão, os leitores da Folha e do Globo ficarão menos informados sobre o assunto do que os leitores do Estadão.

A defesa de Daniel Dantas queria que a Justiça Federal considerasse irregular a parceria feita entre a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência – Abin – durante as investigações. Se a Justiça acatasse essa tese, o processo poderia ser abortado, mas os magistrados votaram por unanimidade considerando que a ação conjunta entre a Abin e a Polícia Federal não tem nada de errado.

Muito barulho

Fica, portanto, sobre a mesa, uma questão incômoda para ser respondida pela imprensa. A quem mais, a não ser ao próprio Daniel Dantas, interessaria toda a campanha feita principalmente pelos jornais O Globo e Folha de S.Paulo e pela revista Veja, no sentido de criminalizar as ações da Polícia Federal junto com a Abin?

Fica evidente, até mesmo para o leitor mais distraído com a paisagem, que parte da imprensa brasileira tem dedicado os últimos meses mais energia e espaço à tentativa de desqualificar os investigadores do que a investigar o acusado.

Foi tão desproporcional a concessão de espaço para supostas revelações sobre desmandos atribuídos ao delegado Protógenes Queiroz e ao juiz responsável pelo caso Satiagraha, Fausto de Sanctis, que algum leitor poderia supor que o delegado e o juiz é que eram os principais acusados.

O fato de parte da imprensa omitir na terça-feira (24) de seus leitores que a Justiça Federal considera normal a parceria entre a Polícia Federal e a Abin chega a soprar na brasa da teoria conspiratória segundo a qual o banqueiro contaria com a solidariedade de algumas redações.

Será que foi apenas um "furo" do Estadão? Os outros jornais não têm acesso à agenda da Justiça Federal?

Depois de todo barulho a respeito das ações conjuntas entre as duas instituições, o silêncio da Folha e do Globo chega a ensurdecer.

A disputa pelos leitores

O caso Satiagraha deflagrou uma guerra nos bastidores da imprensa, que só pode ser acompanhada pela internet.

Desde o já clássico confronto entre a revista Veja e o jornalista Luis Nassif, até os vazamentos e contravazamentos de supostas revelações da Polícia Federal, o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas dá uma idéia de outra disputa que marca este começo de século: a disputa entre a imprensa tradicional, de papel, e a nova imprensa, que trafega pelos meios eletrônicos, pela atenção e o tempo dos leitores.

A internet está completando sua segunda década. A configuração gráfica da comunicação entre computadores, inaugurada com o navegador Mosaic, em 1994, cresceu, se espalhou pelo mundo e se miniaturizou, conquistando espaço também nas telinhas dos telefones celulares. O jornalismo infiltrou-se pelos novos meios, e agora o leitor, antigo receptáculo passivo de informações, é também agente e observador da imprensa.

sexta-feira, 20 de março de 2009

INACREDITÁVEL

Gilmar Mendes ligou para Michel Temer e mandou tirar da programação e do site da TV Câmara o programa Comitê de Imprensa, de Paulo José Cunha, em que Leandro Fortes contava a história das irregulartidades envolvendo o Instituto Brasileiro de Direito Público, do qual Mendes é proprietário. O programa, de 11/3, já tinha ido ao ar seis vezes, e milhares tinham baixado da internet. Leandro está sendo processado por Mendes por ter feito matéria a respeito na Carta Capital.

Leia aqui a Carta aberta aos jornalistas brasileiros, de Leandro Fortes.

Fiquei pasma. O programa está no Youtube e reproduzo aqui. Vamos ver por quanto tempo o censor-mor da República permitirá.

Parte 1



Parte 2



Parte 3

quinta-feira, 19 de março de 2009

Xô, urubólogos

O PHA anuncia assim esse artigo, que é do dia 14, sob uma foto da dita-cuja: "A urubóloga Miriam Leitão, porta-voz do quanto pior melhor". Hihihi... (ah, a propósito do PS do Gilson, nem tinha sido anunciada a retomada do emprego, que ao longo do dia de hoje, quarta, não vi destacada em nenhum site!)

***

O Armagedon da grande imprensa

Gilson Caroni

Crise econômica ou Armagedon? Após o IBGE ter divulgado uma queda de 3,6% no crescimento da economia brasileira no último trimestre de 2008, os editores de primeira página de O Globo e da Folha de S.Paulo não hesitaram em recorrer, na quarta-feira (11), às habituais formas de terrorismo editorial. A capa do diário carioca ostentava: ''Indústria desaba. Consumo cai e já se teme 2009 com recessão''. O jornal paulista não ficou atrás: "Queda do PIB no Brasil é uma das piores do mundo".

O fato de a desaceleração ter ocorrido no último trimestre pareceu irrelevante para os editores da conhecida publicação da Barão de Limeira. Apoiando-se no que julgava ser potencialmente mais explosivo, omitiu um dado de capital importância para compreensão da realidade econômica do país: o PIB brasileiro, apesar da crise em escala planetária, apresentou o segundo maior crescimento mundial. Ou seja, outras manchetes seriam possíveis. Algo do gênero “Apesar da recessão global, PIB cresce 5,1%''. Por que não? Por determinações da pequena política.

Que tipo de jornalismo está sendo feito no Brasil? Para quais interesses é direcionada sua estrutura narrativa? É o caso de reexaminar, como já sugeriu o jornalista Alberto Dines, procedimentos e padrões para a formulação de títulos? Ou o claro viés ideológico clama por uma inflexão de outra natureza? O que está em xeque é a própria ética do fazer jornalístico.

Como ressalva o editor do Observatório da Imprensa, “de nada adianta registrar todos os dados, reproduzi-los no corpo da matéria se a titulação-espelho fiel da busca da verdade beneficia apenas um ângulo”. Aquele que melhor atende aos objetivos de uma oposição sem projetos, fingindo fazer interpretação equivocada da Teoria da Catástrofe. Sejamos claros nesse ponto: o problema não é desvio conceitual, mas de caráter mesmo.

Mais uma vez, o que temos aqui são manchetes que, ignorando a apuração para obter impacto, não revelam incompetência, mas disposição de submeter o leitor e/ou telespectador à desinformação, ao fatalismo de profecias que se auto-realizam, à erosão da popularidade de quem governa.

Canto da sereia já não seduz

Será que ainda não se deram conta que uma nova opinião pública se consolidou, apesar do conteúdo que produzem? Analisando o processo eleitoral de 2006, a jornalista Ana Rita Marini (em MídiaComDemocracia nº 5, janeiro de 2007, revista do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) constatou que "distante da influência das manchetes, o eleitor não se deixou levar pelo canto da sereia nos maiores veículos de comunicação". Não é o caso de se deter diante das conseqüências deste fenômeno, tão imprevisíveis quanto os da crise do capitalismo, antes de seguir na linha de jornalismo de campanha?

Já não passou da hora de a imprensa brasileira botar sua cultura no divã e ver que, se ela tem mudado os seus absolutos, eles continuam com a mesma face odiosa? Vale a pena manter a linha autoritária, acrescentando nuanças aparentemente democráticas? Ou o dilema dos barões da mídia é o mesmo de lideranças oposicionistas que veem em 2010 não apenas mais uma eleição presidencial, mas a própria sobrevivência política?

Nesse caso há um subtexto, uma manchete oculta na primeira página de O Globo. "A agenda conservadora desabou, seu candidato começa a cair e há sinais de derrota nas eleições de 2010". Se for isso, o Armagedon está explicado.

PS: Este artigo estava concluído quando o IBGE anunciou crescimento de vendas no varejo em janeiro. E agora, qual será a manchete? "Governo falha. Demanda cresce e há sinais de aumento do consumo em 2009"? Fica como sugestão.

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A crise tem que ser maior para derrubar o presidente Lula e apressar a posse de Zé pedágio. Tão simples quanto isso. (Paulo Henrique Amorim)

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