quarta-feira, 24 de junho de 2009

Que anúncio!

Deu no Carlos Brickmann, do Observatório:
Abaixo o racismo

De acordo com a Internet, o texto abaixo figura num anúncio divulgado na Espanha. Pode ser verdade, pode não ser. Mas seria ótimo se fosse!

O anúncio mostra um garotinho preto, de olhos grandes e redondos, sorriso de dentes muito brancos, com um quadro-negro onde está escrito:

Seu Cristo é judeu; sua escrita é latina; seus números são árabes; sua democracia é grega; seu som é japonês; sua bola é coreana; seu DVD é de Hong Kong; sua camiseta é da Tailândia; seus melhores jogadores de futebol são do Brasil; seu relógio é suíço; sua pizza, italiana. E você ainda vê o trabalhador imigrante como um desprezível estrangeiro?

Não é lindo?

terça-feira, 23 de junho de 2009

Não deu pro PIG distorcer...

... porque a BBC deu depressa.

Obama cita Lula como exemplo na América Latina

A arte da edição do PIG

Os paulistas só criticam Folha e Estadão, e eu me sinto solitária na missão de esculhambar o cancro carioca que atende pelo nome de Pústula, ops, Grobo.

Hoje o Nassif me dá uma colher de chá. Acreditem, gosto de ler tudo sobre o PAC, porque está mexendo em áreas abandonadérrimas pelo poder público. Me perdi noutro dia na Vila do João e fiquei estarrecida com as crateras no asfalto e a altura de boa parte dos quebra-molas -- tudo obra dos traficantes, claro, para dificultar a circulação da polícia; num deles o carro ficou como gangorra, e se fosse meu golzinho mil empacaria ali, mas o atual carango tem motor 1.6 e pude dar um empuxo no bruto e sair. Isso tudo é doloroso porque, apesar de alguns tiroteios, o ambiente lá por dentro é tranquilo e seguro, crianças brincando na rua, mulheres varrendo a calçada, velhinhos sentados à porta vendo o movimento. Às vezes almoçamos lá, vou sempre comprar cigarro e quando me distraio e perco a saída (o prédio da Expansão, onde trabalho, fica na pista de subida da Brasil, no lado oposto ao Castelo da Fiocruz), sempre retorno pela favela -- nesse dia em que me perdi fui me distraindo e perdendo todas as entradas, e só pude retornar lá adiante, já na Linha Vermelha, pelos fundos da Vila).

Pois bem, o Nassif fala da manchete de hoje do cretino, que nem li porque tive nojo do pus que soltava.

***
23/06/2009 - 11:02
A arte da edição, apud Globo

Ricardo Gandour, diretor editorial do Estadão, disse que a edição é um dos pressupostos da liberdade da imprensa. E que o Blog da Petrobras feria esse direito da mídia.

Vamos conferir como O Globo edita suas matérias, tomando por base as obras do PAC nas favelas do Rio.

Abaixo, as principais informações contidas na matéria

1. O arquiteto do PAC da Rocinha diz que o projeto do hospital foi reduzido de 6 mil para 3 mil metros quadrados. Não sabe se foi para recuperar o tempo perdido ou por causa das eleições de 2010.

2. Diz que as mudanças no centro esportivo da Rocinha melhoraram em muito o projeto.

3. A matéria menciona projetos no Complexo do Alemão e a “Rambla de Manguinhos”, com pilares suspendendo a linha do trem numa extensão de um quilômetro e, sob os trilhos, sobre um parque de 246 mil metros, inspirado nas Ramblas de Barcelona e no Aterro do Flamengo (cujo projeto urbanístico é de Reidy). - A partir dessa obra, o lugar, associado a coisas ruins, será relacionado a festa, a encontro, a lazer, a comércio, como o Aterro do Flamengo, uma das grandes obras públicas do Rio - afirmou Jauregui.

Qual foi o ângulo privilegiado pela edição de O Globo:
Manchete da primeira página

PAC da Rocinha sofre pressões, diz arquiteto

Responsável pelo projeto do PAC na Rocinha, o arquiteto Luiz Carlos Toledo afirmou que a planta que fez para um hospital da comunidade foi bastante modificada.

Ele disse suspeitar que a alteração tenha ocorrido para permitir que o governo inaugure a obra já em 2010, ano de eleição. Página 12
***
Agora, olhem só o comentário de um leitor do PHAmorim, que reproduziu o post do Nassif:
Piada Antiga:
Lula recebeu a visita do papa e o levou ao Pantanal. Lá, o solideo do papa foi levado pelo vento e pousou na água ao lado de um enorme jacaré. Lula caminhou serenamente sobre as águas, enfrentou corajosamente o jacaré e devolveu o solidéo ao papa.
MANCHETES DO PIG:
“LULA NÃO SABE NADAR”
“LULA COMETE CRIME ECOLÓGICO AO AGREDIR JACARÉ NO PANTANAL”
“LULA COMETE BLASFÊMIA E TENTA IMITAR JESUS”
“PAPA DIZ NUNCA MAIS VOLTAR AO BRASIL”
Paulo

OLHEM QUE ESPANTO!

Essa matéria está no iG. Como alguém pode ter coragem de morar tão perto???

(Clique aqui para ampliar)

Imagem de radar mostra detalhes da falha de San Andreas

A costa oeste dos EUA, especialmente a Califórnia, é um dos lugares com a maior atividade sísmica do planeta. É ali que se encontra a conhecida falha de San Andreas, uma gigantesca rachadura visível de 1300 km de extensão que marca os limites entre as duas maiores placas tectônicas do planeta: a placa norte-americana e a placa do Pacífico.

Apesar de não perceptível aos nossos olhos, naquela região a placa norte-americana desliza 14 mm por ano em sentido sudeste enquanto a placa do Pacífico se desloca em sentido oposto a 5 mm por ano. Vez por outra a resistência entre elas aumenta e a energia do movimento se acumula até ser repentinamente liberada. Esse deslizamento entre as placas causa grande instabilidade em todo o Estado da Califórnia e foi a causa do violento terremoto que abalou a cidade de São Francisco em 1906.

A imagem vista acima retrata claramente as consequências desse movimento. A cena mostra uma parte da falha de San Andreas a oeste da Baía de San Francisco, onde a represa de Crystal Springs armazena milhões de litros de água em uma das rachaduras entre as duas placas tectônicas. Um levantamento feito em 2008 mostrou a existência de mais de 300 falhas em todo o Estado da Califórnia.

A cena também mostra a rodovia interestadual I280, no lado esquerdo da falha e a Rota 91, que cruza desde o topo direito até o centro esquerdo da foto. A Baía de San Francisco é vista no topo direito da cena.

A imagem foi capturada através do radar de abertura sintética UAVSAR a bordo da aeronave Gulfstream III da Nasa, em novembro de 2008. A campanha de sensoriamento tem o objetivo de mapear a mesma região repetidamente com o objetivo de criar uma coleção de mapas em três dimensões do local sobrevoado. Com as imagens os cientistas pretendem visualizar micro deformações topográficas de apenas 3 centímetros, o que pode indicar os pontos da superfície em que as placas estão se tocando.

O Grande Abalo

De acordo com o Instituto de Pesquisas Geológicas dos EUA, USGS, o Estado da Califórnia tem mais de 99% de chances de ser atingido, nos próximos 30 anos, por um grande terremoto superior a 6.7 graus 46% de possibilidades para a ocorrência de um poderoso abalo de 7.5 graus, que os habitantes chamam de "Big One", capaz de sacudir a cidade de Los Angeles com graves consequências. No entender de especialistas, um abalo de grande intensidade poderá causar a separação da Califórnia do resto do continente americano.

Obama (still) loves Lula...

Obama está dando coletiva neste instante (14h14) e acaba de fazer um baita elogio a Lula. Verdade que foi depois de elogiar Michele Bachelet, do Chile, como exemplo de boa gestão da crise -- eu já estava imaginando a manchete do Grobunda: "Obama aponta Bachelet como modelo na AL", hehehe! Mas a repórter (pelo sotaque, latino-americana) perguntou como ele via as nações "não-democráticas" do continente, e aí ele pincelou a biografia do Lula e disse que o companheiro consegue se relacionar com todos os países de maneira produtiva etc., e é um exemplo de boa condução de política internacional -- ou algo assim, já esqueci tudo.

Foi legal!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Estreia


Inaugurei um selo novo na bloga: é do Psol, mas poderia ser de qualquer partido que tivesse vergonha na cara ou não morresse de medo desse cancro que corroi a infeliz sociedade brasileira. Mas todos têm medo!

***

O selo saiu numa nota da newsletter da Fundação Lauro Campos, do Psol. Introduzindo o seguinte vídeo -- por sinal, excelente! -- da Current TV:



Não podia ser mais verdadeiro, diga-se. A pergunta é: haveria aí orquestração do Serra? :-))))))))))))))) Do jeito que politiqueiros e PIG atuam, nada me espantaria.

O incrível: esse filme, de 8 minutos, já foi exibido 149.891 vezes no YouTube!

Deu no Vilas Boas de ontem

Deputado Henrique Fontana (PT-RS):
“O terceiro mandato tem nome e sobrenome: Dilma Rousseff”.
Bom, hein???

quarta-feira, 17 de junho de 2009

E o diploma de jornalista caiu...

O Supremo decretou: a exigência do diploma de jornalismo é inconstitucional.

Confesso que estou confusa. Concordo com o Santayana, citado aqui pelo PH Amorim:
. Mauro Santayana, outro excelente jornalista, costuma dizer que a exigência do diploma elitizou as redações.

. As redações não refletiam mais a composição da sociedade brasileira: as redações se tornaram quase brancas, quase ricas e quase ignorantes …

Tiro até o "quase", tanto que tento escolher os repórteres lá da revista pelo endereço (evito a Zona Sul). Mas acontece que o relator foi o "supremo presidente", e ele relatou pela não-exigência. Aí, fico cabreira. Ele está obviamente atendendo ao desejo das grandes corporações de mídia. Voto seguido por 7 ministros, e a exceção foi o Marco Aurélio Melo -- que argumentou com razões erradas. Segundo ele, jornalista precisa de curso superior, ou algo assim; Quem discute isso? Curso superior é bom pra qualquer profissão, em princípio é alguma cultura a mais.

Mas, se a Grobo gosta eu não gosto... Não é complicado?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Elio Gaspari, o fiel, já encheu o saco

Gosto do Elio Gaspari, até o respeito, mas sua fidelidade cega a Golbery e Geisel já encheu o saco. Na coluna de ontem (10/6) ele critica os que querem trocar o nome infame da Rodovia Castelo Branco -- e confunde quintilhões de bugalhos com trocentos alhos. O absurdo começa com o título: "Uma patrulha ideológico-rodoviária". PATRULHA??? Então querer tirar o nome de um golpista cretino de uma estrada é patrulha?

Mas piora. Ele fala do "marechal eleito pelo Congresso depois da deposição de João Goulart", como se a eleição no Congresso tivesse sido constitucional e legítima e a deposição do Jango, um fenômeno natural. Em seguida compara os 3 anos de ditadura de Castelo aos 8 de Vargas. Ora, Vargas pode ter sido um ditador escroto, e era, mas depois foi eleito. E graças a ele temos as ameaçadas CLT, que os amigos do Gaspari querem tanto "flexibilizar", e Petrobras, que os amigos do Gaspari querem tanto privatizar.

Qual o problema de trocar o nome das ruas que homenageiam escravocratas e canalhas em geral? Troquemos! Eu, por exemplo, me recuso a chamar o Viaduto São Sebastião de 31 de março (eca...) e a Ponte Rio-Niterói de Costa e Silva (bleargh!). Não houve uma só vez em minha carreira de escriba que tenha usado esses nomes odiosos em matérias que citassem tais "logradouros".

Ainda fala de "ditadura envergonhada"... ou seria ditabranda? Sai! Nunca vi ditadura mais sem-vergonha! Então, não torra. Paixões escusas a gente alimenta na surdina, não leva a público. Bem que ele propôs por intermédio do meu chefe na Veja, logo que fui libertada do DOI-Codi, que eu fosse "fazer um relato" ao Golbery do que tinha passado na Tutoia. "Vários ex-presos já foram, para colaborar com a abertura", era o argumento. Pedi pra pensar e ignorei o convite. Imagine, dar depoimento a Golbery, manipulador safado que posava de democrata enquanto cooptava jornalistas para manter seu podre poderzinho e tocar a ditadura.

Espero alguma reação a esta sandice. Alguém viu alguma? Se sim, me informe, por favor!

***
Uma patrulha ideológico-rodoviária

Elio Gaspari

Um deputado estadual paulista apresentou um projeto de lei que poderá abrir o caminho para a cassação de nomes de ruas, avenidas e estradas. A Rodovia Castello Branco, que liga São Paulo ao Oeste do Estado, seria renomeada, trocando-se o nome do marechal eleito pelo Congresso depois da deposição de João Goulart pelo de um baluarte da democracia, como D. Hélder Câmara, por exemplo. A designação de logradouros passaria pela peneira de um Conselho de Direitos humanos.

O projeto dificilmente será aprovado. Se virar lei, não haverá de funcionar, a menos que se consiga uma justificativa politicamente correta para as ruas e avenidas que homenageiam escravocratas do Império. Mesmo assim, ele tem a virtude de provocar um bom debate, daqueles em que se entra com uma certeza e sai-se melhor, com algumas dúvidas.

Tudo bem, o marechal Castello Branco, titular de uma ditadura envergonhada, presidiu o país de 1964 a 1967 e, pelos crimes praticados em seu governo, não poderia ser nome de rodovia. E o que se vai fazer com as avenidas Presidente Vargas espalhadas por todo o Brasil? A ditadura de Castello durou três anos. A de Getúlio Vargas, oito.

Nesse caso, não se poderia mexer nos nomes dados às ruas? Aí surge o problema da Rua Sérgio Fleury, localizada na cidade de São Carlos. O chefe dos janízaros (civis) da ditadura, sócio fundador do Esquadrão da Morte, foi homenageado em 1980 pela Câmara dos Vereadores da cidade. Há um mês, a mesma Câmara, por unanimidade, cassou a denominação e uma pesquisa informa que 75% dos moradores apoiam a mudança.

Às vezes esses troca-trocas acabam em palhaçada. Em 1897 a imprensa que cobria o terceiro ataque ao Arraial de Canudos contou, emocionada, a história do Cabo Roque, que morreu protegendo o corpo do comandante da expedição. Rebatizaram com seu nome a Travessa do Ouvidor, até que o Cabo Roque apareceu no Rio, vivo.

Em outros casos as paixões prevalecem e acabam confundidas com a paisagem. Raros são os cariocas que se dão conta de uma dissonância quando chegam à Praça Tiradentes. Lá está a linda estátua equestre de D. Pedro I, neto da maluca Maria, em cujo reinado enforcaram o alferes. A praça chamava-se Constituição e o nome foi trocado nas celebrações do golpe republicano. Obrigaram o neto a ocupar o chão de uma vítima da avó.

Quando os moradores de uma rua declaram-se ofendidos pelo nome que meia dúzia de vereadores lhes impuseram, é razoável que o pleito seja atendido. Fora daí, a História ao país pertence. Não há como fugir dela sem o recurso ao autoritarismo político.

Em Montgomery, capital do Alabama e da confederação rebelde durante a Guerra da Secessão, há um cruzamento que resolve controvérsias desse tipo. Passada a Guerra Civil, os brancos se acertaram e impuseram aos negros um regime de segregação. Nessa nova harmonia, deu-se a uma avenida da cidade o nome de Jefferson Davis, presidente do Sul rebelado.

Passou o tempo e uma comerciária negra se recusou a dar o lugar para um branco num ônibus da cidade. Foi presa, desencadeou um boicote e o mundo soube da existência de um pastor chamado Martin Luther King. Ela se chamava Rosa Parks e morreu em 2005. Uma das avenidas de Montgomery recebeu o seu nome. Ela cruza a Jeff Davis, criando quatro gloriosas esquinas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...