Vocês estão vendo na TV Justiça o julgamento da aplicabilidade nestas eleições da Lei da Ficha Limpa? (Pode também acompanhar ao vivo pelo iG ou os textos pelo site do STF.)
Procuro o tempo todo não ser moralista. Fujo sempre das posições guilhotinescas da mídia-pântano. Mas desta vez tá difícil. O Carlos Ayres Britto, relator do processo, votou pela aplicabilidade, ou seja contra Roriz. O Dias Toffoli votou a favor do Roriz. A Carmen Lúcia está votando contra o Roriz. Por manifestações expostas ontem e hoje, já se espera que Marco Aurélio, Cezar Peluso e Gilmar Dantas, ops, Mendes votem com Roriz, Celso de Mello e Joaquim Barbosa contra. Ou seja, está praticamente perdido. Joaquim Roriz vai poder disputar o governo. Os brasilienses vão ter que ralar pra dar a vitória ao Agnelo no voto.
E que indicação mais infeliz do Lula essa do Toffoli, hein? O cara é um reaça de nascença. Até hoje, não deu um voto progressista. Como é novinho, imagina quanto tempo esse estrupício vai ficar lá no Supremo empatando o progresso...
***
Se entendo a fala, acho que o Lewandowski está votando a favor [ignorância minha, desculpem: o TSE, que ele preside, já tinha votado a favor da aplicabilidade, então seria voto pró]. Ele era minha maior dúvida. Então já temos Joaquim Barbosa, Carmen Lúcia, Lewandovski e Ayres. A votação tem que ser 6 x 4 pra valer (o pleno está desfalcado com a aposentadoria do Eros Grau). Celso de Mello, imagino, será a favor da lei. Ellen Gracie, que não abriu a boca até agora pelo que percebi, decide. Vai ser fogo.
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Gente, as vozes empostadas do Gilmar Dantas, ops, Mendes e do Marco Aurélio são hilárias, não? Visivelmente forçadas para parecerem sei lá, doutas. Tanto é verdade que são forçadas que o Gilmar Dantas, ops, Mendes usa voz normal quando lê o voto com rapidez. :-)))
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Gilmar Dantas, ops, Mendes faz discurso populista contra o populismo.
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Xi, acho que a Ellen Gracie deu seu voto num pitaquinho rápido: contra a aplicabilidade. Só podia.
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Gilmar Dantas ops, Mendes está dando um argumento imbatível. Trata-se para ele de um processo civilizatório: "Não é para beneficiar um ou outro, mas todos". Isso não se pode negar. Adoro o ministro Ayres, quero muito detonar o Roriz, mas a verdade é que se for negado o recurso do bandido a Janete Capibaribe, mesmo inocente, será prejudicada também. ô dúvida...
***
POR TODOS OS FARROUPILHAS GAÚCHOS! A Ellen Gracie votou com o Ayres!!! Então agora temos Ayres, Carmen Lúcia, Barbosa, Lewandovski, Ellen. Faltam Celso (acho que pró-aplicabilidade), Marco Aurélio e Pelluso (ambos contra, junto com Toffoli e Gilmar Dantas ops, Mendes). 6 x 4 contra Roriz!
EU EU EU, RORIZ SE FERROU!!!
Desculpe, Janete Capiberibe...
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Esse Supremo é doidinho de pedra. Bem que o ditado diz que b#nd@ de juiz...
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Caramba, tem debate dos presidenciáveis rolando em Brasília na... CNBB! Esses beatos vão espremer a Dilma sobre aborto, coitada. Espero apenas que ela escorrace a interpretação religiosa da questão e se pegue no problema de saúde pública. É o único argumento que a TFP não pode ignorar.
***
É, Marco Aurélio votou com Roriz. Agora é o Celso. Pelo andar da carruagem, tá contra o Roriz.
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Sei não. Tô confusa. Parece que o Celso vai pelo Roriz. Se ele for, o pleno vai decidir se aceita o voto do Peluso como minerva ou se convoca um magistrado do STJ para o desempate. Aí, meus amigos, babau. Só depois da eleição.
***
Celso de Mello votou com Roriz. Que coisa... O Supremo é mesmo um enigma. Dá empate.
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Todos fundamentaram bem seus votos, todos se basearam na jurisprudência. O que se conclui? O direito constitucional não é uma ciência exata. Viva o direito constitucional!
***
Maior b#nd@lelê no pleno. Claro, quem entregaria o voto de minerva a um Cezar Peluso? Por favor...
***
Hahaha, o Marco Aurélio diz: "Pensei em convocar para o desempate o responsável pelo não-preenchimento desta cadeira vazia até hoje". Ele é pândego, certo, mas tem razão. Não se justifica que o Lula não tenha indicado até agora o substituto de Eros Grau.
***
Impasse. Suspenso o julgamento. Nova sessão segunda-feira. LULA, MEU QUERIDO, NOMEIA ESSE MINISTRO AMANHÃ, PLIS!!!
***
Ah, deixa eu esclarecer uma coisa: nem sequer sei se a Capiberibe recorreu, se é inocente, ou mesmo se se manteve candidata. É que no Amapá sou Capiberibe e não abro. Não tive forças pra pesquisar. Tentei, não achei nada, só vinha resultado do rio pernambucano! Fiquei até na dúvida se o nome dela é mesmo Janete...). Mas eu quis representar com esse nome os candidatos honestos que tenham sido acusados em manobras obscuras. No interior acontece demais. OK? É isso, beijos, boa sexta-feira! Boa Primavera!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
A alma golpista da oposição
Esse texto é de leitura imperativa! O leitor Fernando Trindade postou no blog do Nassif, onde rola instigante debate sobre o clima de golpe que rola no ar. Amigos, reparem bem, o Wanderley Guilherme escreveu isso em 2008! Vá conhecer a alma golpista da direita assim lá na Conchinchina!
***
Das eleições normais às mais polêmicas
Wanderley Guilherme dos Santos (jornal Valor 11/07/2008)
(...)
Para efeitos de análise, estou menos interessado em quem vai vencer do que na atitude posterior dos perdedores. Entre 1945 e 1964, a minoria eleitoral liderada pela UDN foi derrotada em três eleições sucessivas (em 1945, pelo general Eurico Dutra, em 1950, por Getúlio Vargas e, em 1955, por Juscelino Kubitschek) e foi lograda, em 1960, quando seu candidato vitorioso, Jânio Quadros, renunciou ao mandato sete meses depois da posse. O vice-presidente, João Goulart, a substituí-lo, fora eleito pela chapa adversária, da anterior maioria, agora minoria. O fracassado golpe militar, incentivado por civis, para impedir a posse de João Goulart expressava também o inconformismo da minoria histórica em permanecer fora do poder mais uma vez.
Em 1964, finalmente, a derrubada do governo Goulart não trouxe a consagração da minoria udenista, mas a instalação do que Tancredo Neves chamou de o "Estado Novo da UDN", sem a UDN e sem nenhuma das forças políticas até então organizadas.
A estabilidade da democracia depende crucialmente do comportamento dos perdedores, entre outras razões porque, em contabilidade rigorosa, significativa maioria dos governos democráticos é eleita com minoria de votos, transformada em maioria por artefatos institucionais.
No Brasil, a exigência de maioria absoluta dos votos válidos, alcançada mediante coligações, não tem assegurado que o vencedor represente a maioria das opiniões políticas. É importante esclarecer que não há vacina legislativa contra esse fenômeno, ou seja, nenhuma reforma eleitoral é capaz de evitá-lo. No que diz respeito ao Legislativo, aliás, o sistema proporcional é o que reduz ao máximo a distância entre vencedores e perdedores (ver Christopher Anderson e colegas, "Losers' Consent - Elections and Democratic Legitimacy", Oxford University Press, 2005).
Pelo clima em gestação nesta prévia das eleições municipais, temo que a atual oposição resista a aceitar outra derrota em 2010, caso ocorra. A sistemática difusão da tese de que o governo não tem candidato viável e, por isso, a oposição certamente ganhará a próxima eleição presidencial contribui para cristalizar no eleitorado oposicionista o sentimento de que só por artes ilegais ou vícios institucionais o atual governo pode ser ratificado pelo eleitorado. O aparelhamento atual dos órgãos de imprensa pelo partidarismo tucano facilitará, como em oportunidades anteriores, a agitação do arsenal de teses golpistas de que são proprietários. Por essa razão, a reação dos oposicionistas aos resultados das eleições municipais deste ano talvez prefigure o que pretendem fazer em 2010.
O consentimento da oposição a nova vitória petista dependerá, em primeiro lugar, da extensão da derrota. Embora nas duas eleições presidenciais anteriores a decisão tenha exigido um segundo turno, a vitória do presidente Luiz Inácio foi absolutamente indiscutível. As costumeiras dúvidas sobre a lisura do processo não tiveram chance de aparecer. Além disso, a derrota era esperada, tendo em vista as pesquisas sobre a tendência do eleitorado e sobre a avaliação do governo.
Novidade é a enorme distância entre a opinião pública, favorável ao governo, e o crescente otimismo oposicionista, fundado em pesquisas sobre candidaturas hipotéticas. Como os jornais e revistas pensam da mesma forma, seus editorialistas e comentadores imaginam que toda a população pensa como o colega da mesa ao lado, não obstante as pesquisas da primeira página registrarem o contrário. Cria-se um coro de iludidos que transborda para a fatia oposicionista do eleitorado, levando-o à certeza de vitória próxima. Aí mora o perigo.
Na hipótese bastante plausível de acirrada competição e vitória apertada de um eventual candidato petista ou apoiado pelo PT, como reagirão os profetas do apocalipse? Por certo não existem limites para a sugestão de teses desesperadas. Na eleição de Vargas e de Juscelino, por exemplo, os derrotados defenderam a anulação dos resultados porque ambos teriam recebido o voto dos comunistas e o Partido Comunista era ilegal. A exigência de maioria absoluta também foi lembrada como justificativa para o impedimento dos vitoriosos. Agora, quando os comunistas estão na legalidade, com volume de votos legais conhecido, e na vigência do requisito de maioria absoluta, que teses sustentarão os perdedores?
Uma derrota petista não trará ameaças à democracia. O Partido dos Trabalhadores perdeu três eleições presidenciais e o aprendizado de que política se faz a curto e longo prazo não lhe deve ser estranha. Uma derrota da atual facção oposicionista, sobretudo se for por diminuta margem de votos, tem tudo para reativar as inclinações históricas dos conservadores pelas soluções extralegais. Se as regras eleitorais não forem responsabilizadas, ou a apuração eletrônica, resta o eleitorado.
Já embutida nas análises das pesquisas sobre avaliação do governo repete-se a tese de que a consciência dos pobres e miseráveis, largamente representados entre os eleitores, está sendo corrompida por políticas sociais assistencialistas. Pouco importa que não se conheça política social na ausência de assistência aos carentes. A ênfase está posta na índole corruptível do eleitorado pobre, sem atenção para a simétrica possibilidade de que banqueiros e especuladores estejam sendo corrompidos pela taxa de juros e pela política cambial. A proximidade de uma vitória que, ao final, escapou produz prodígios de imaginação.
As eleições municipais deste ano serão muito concorridas, com comparativamente reduzidas taxas de abstenção e votos em branco, e normais. Em 2010, tudo dependerá de qual seja o vencedor, com que vantagem, e da resistência das instituições democráticas.
***
Das eleições normais às mais polêmicas
Wanderley Guilherme dos Santos (jornal Valor 11/07/2008)
(...)
Para efeitos de análise, estou menos interessado em quem vai vencer do que na atitude posterior dos perdedores. Entre 1945 e 1964, a minoria eleitoral liderada pela UDN foi derrotada em três eleições sucessivas (em 1945, pelo general Eurico Dutra, em 1950, por Getúlio Vargas e, em 1955, por Juscelino Kubitschek) e foi lograda, em 1960, quando seu candidato vitorioso, Jânio Quadros, renunciou ao mandato sete meses depois da posse. O vice-presidente, João Goulart, a substituí-lo, fora eleito pela chapa adversária, da anterior maioria, agora minoria. O fracassado golpe militar, incentivado por civis, para impedir a posse de João Goulart expressava também o inconformismo da minoria histórica em permanecer fora do poder mais uma vez.
Em 1964, finalmente, a derrubada do governo Goulart não trouxe a consagração da minoria udenista, mas a instalação do que Tancredo Neves chamou de o "Estado Novo da UDN", sem a UDN e sem nenhuma das forças políticas até então organizadas.
A estabilidade da democracia depende crucialmente do comportamento dos perdedores, entre outras razões porque, em contabilidade rigorosa, significativa maioria dos governos democráticos é eleita com minoria de votos, transformada em maioria por artefatos institucionais.
No Brasil, a exigência de maioria absoluta dos votos válidos, alcançada mediante coligações, não tem assegurado que o vencedor represente a maioria das opiniões políticas. É importante esclarecer que não há vacina legislativa contra esse fenômeno, ou seja, nenhuma reforma eleitoral é capaz de evitá-lo. No que diz respeito ao Legislativo, aliás, o sistema proporcional é o que reduz ao máximo a distância entre vencedores e perdedores (ver Christopher Anderson e colegas, "Losers' Consent - Elections and Democratic Legitimacy", Oxford University Press, 2005).
Pelo clima em gestação nesta prévia das eleições municipais, temo que a atual oposição resista a aceitar outra derrota em 2010, caso ocorra. A sistemática difusão da tese de que o governo não tem candidato viável e, por isso, a oposição certamente ganhará a próxima eleição presidencial contribui para cristalizar no eleitorado oposicionista o sentimento de que só por artes ilegais ou vícios institucionais o atual governo pode ser ratificado pelo eleitorado. O aparelhamento atual dos órgãos de imprensa pelo partidarismo tucano facilitará, como em oportunidades anteriores, a agitação do arsenal de teses golpistas de que são proprietários. Por essa razão, a reação dos oposicionistas aos resultados das eleições municipais deste ano talvez prefigure o que pretendem fazer em 2010.
O consentimento da oposição a nova vitória petista dependerá, em primeiro lugar, da extensão da derrota. Embora nas duas eleições presidenciais anteriores a decisão tenha exigido um segundo turno, a vitória do presidente Luiz Inácio foi absolutamente indiscutível. As costumeiras dúvidas sobre a lisura do processo não tiveram chance de aparecer. Além disso, a derrota era esperada, tendo em vista as pesquisas sobre a tendência do eleitorado e sobre a avaliação do governo.
Novidade é a enorme distância entre a opinião pública, favorável ao governo, e o crescente otimismo oposicionista, fundado em pesquisas sobre candidaturas hipotéticas. Como os jornais e revistas pensam da mesma forma, seus editorialistas e comentadores imaginam que toda a população pensa como o colega da mesa ao lado, não obstante as pesquisas da primeira página registrarem o contrário. Cria-se um coro de iludidos que transborda para a fatia oposicionista do eleitorado, levando-o à certeza de vitória próxima. Aí mora o perigo.
Na hipótese bastante plausível de acirrada competição e vitória apertada de um eventual candidato petista ou apoiado pelo PT, como reagirão os profetas do apocalipse? Por certo não existem limites para a sugestão de teses desesperadas. Na eleição de Vargas e de Juscelino, por exemplo, os derrotados defenderam a anulação dos resultados porque ambos teriam recebido o voto dos comunistas e o Partido Comunista era ilegal. A exigência de maioria absoluta também foi lembrada como justificativa para o impedimento dos vitoriosos. Agora, quando os comunistas estão na legalidade, com volume de votos legais conhecido, e na vigência do requisito de maioria absoluta, que teses sustentarão os perdedores?
Uma derrota petista não trará ameaças à democracia. O Partido dos Trabalhadores perdeu três eleições presidenciais e o aprendizado de que política se faz a curto e longo prazo não lhe deve ser estranha. Uma derrota da atual facção oposicionista, sobretudo se for por diminuta margem de votos, tem tudo para reativar as inclinações históricas dos conservadores pelas soluções extralegais. Se as regras eleitorais não forem responsabilizadas, ou a apuração eletrônica, resta o eleitorado.
Já embutida nas análises das pesquisas sobre avaliação do governo repete-se a tese de que a consciência dos pobres e miseráveis, largamente representados entre os eleitores, está sendo corrompida por políticas sociais assistencialistas. Pouco importa que não se conheça política social na ausência de assistência aos carentes. A ênfase está posta na índole corruptível do eleitorado pobre, sem atenção para a simétrica possibilidade de que banqueiros e especuladores estejam sendo corrompidos pela taxa de juros e pela política cambial. A proximidade de uma vitória que, ao final, escapou produz prodígios de imaginação.
As eleições municipais deste ano serão muito concorridas, com comparativamente reduzidas taxas de abstenção e votos em branco, e normais. Em 2010, tudo dependerá de qual seja o vencedor, com que vantagem, e da resistência das instituições democráticas.
Lula rocks!
No metrô de Paris, informa leitor do PH Amorim. "Brasil: o país onde a esquerda deu certo".
É o anúncio da capa da revista semanal de cultura Les Inrockuptibles, edição de 15 de setembro. Era originalmente uma revista dedicada ao rock segundo conta a Wiki aqui e aqui. Com perfil de esquerda, é frequentemente acusada de "elistista" e "esnobe".
Pois é. Respeito absoluto na França. Não é mais apenas Le Monde ou Libération. Lula tá na capa não só de jornais conservadores tipo Le Figaro, como de revistas "elitistas".
Hora da maturidade
O Nassif abriu o tópico "Fora de pauta" de hoje com a seguinte frase:
Como eu ando numa angústia sem tamanho, mandei o seguinte comentário/testamento:
concordo plenamente. aos 64 anos, tô aqui acordada às 4 da matina, doida de preocupação, porque vivi esse clima duas vezes nos anos 60. não sei se é a minha ansiedade, pulando de blog em blog em busca de notícias, que acende de repente o pavio da angústia... não sei. em 64, aos 18, era o rádio. passei a madrugada do dia 31 [de março] na cama dos meus pais ouvindo notícias alarmantes sobre o avanço do general mourão e comendo biscoito de polvilho (um saco de meio metro de altura -- meu pai era um sábio, sabia o que a noite nos reservava). em dezembro de 68, aos 22, da redação do JB na Rio Branco vimos pela janela que um tanque parou no sinal da Sete de Setembro e rimos muito. dali a pouco dispararam na fachada do prédio. naquela madrugada, "as meninas" do jornal foram todas levadas para casa nos jipes da reportagem. ordem da condessa Pereira Carneiro.
não quero exagerar, mas vejo a situação meio que escapando de controle. chego a chorar. não culpo a esquerda, nunca!, estamos no limite do que um ser humano/político pode suportar em matéria de vileza, mas acho que cabe a nós mostrar maturidade nessa hora. baixar o tom. o país é muito jovem, nossa democracia é uma renda -- linda, mas toda furadinha --, a esquerda é adolescente, contraditória e impulsiva. o problema é que a direita é muito velha, muito experiente, muito unida, muito oligárquica, muito latifundiária e muito desesperada com seu horizonte encolhendo. perigosa mesmo. nem precisa mais dos militares, tem o judiciário e a mídia (vide 92). então, precisa ser derrotada no voto, é a única saída. não podemos perder a cabeça. não precisamos de um comício na Central nem que moçoilas esnobem milicos. foi perfeito em seu tempo, não hoje. lênin ensinou isso, gente, às vezes, um passo atrás rende dois à frente.
na minha humilde opinião, a maturidade agora cabe a nós, e temos que provar, apesar da nossa indignação, que podemos mudar o país sem porraloquice. pode ser a visão de uma velha marxista formada no velho partidão. mas talvez a velhice seja boa conselheira nessa hora. e a hora é de vencer no primeiro turno. desculpem o desabafo, é muita preocupação mesmo. grande abraço.
Há um radicalismo tão entranhado no ar, em alguns segmentos da mídia e de setores de classe média - insuflados diariamente pelos jornais - que o clima é quase igual ao dos anos 60. Um horror! Ainda bem que o quadro político é diferente.
Como eu ando numa angústia sem tamanho, mandei o seguinte comentário/testamento:
concordo plenamente. aos 64 anos, tô aqui acordada às 4 da matina, doida de preocupação, porque vivi esse clima duas vezes nos anos 60. não sei se é a minha ansiedade, pulando de blog em blog em busca de notícias, que acende de repente o pavio da angústia... não sei. em 64, aos 18, era o rádio. passei a madrugada do dia 31 [de março] na cama dos meus pais ouvindo notícias alarmantes sobre o avanço do general mourão e comendo biscoito de polvilho (um saco de meio metro de altura -- meu pai era um sábio, sabia o que a noite nos reservava). em dezembro de 68, aos 22, da redação do JB na Rio Branco vimos pela janela que um tanque parou no sinal da Sete de Setembro e rimos muito. dali a pouco dispararam na fachada do prédio. naquela madrugada, "as meninas" do jornal foram todas levadas para casa nos jipes da reportagem. ordem da condessa Pereira Carneiro.
não quero exagerar, mas vejo a situação meio que escapando de controle. chego a chorar. não culpo a esquerda, nunca!, estamos no limite do que um ser humano/político pode suportar em matéria de vileza, mas acho que cabe a nós mostrar maturidade nessa hora. baixar o tom. o país é muito jovem, nossa democracia é uma renda -- linda, mas toda furadinha --, a esquerda é adolescente, contraditória e impulsiva. o problema é que a direita é muito velha, muito experiente, muito unida, muito oligárquica, muito latifundiária e muito desesperada com seu horizonte encolhendo. perigosa mesmo. nem precisa mais dos militares, tem o judiciário e a mídia (vide 92). então, precisa ser derrotada no voto, é a única saída. não podemos perder a cabeça. não precisamos de um comício na Central nem que moçoilas esnobem milicos. foi perfeito em seu tempo, não hoje. lênin ensinou isso, gente, às vezes, um passo atrás rende dois à frente.
na minha humilde opinião, a maturidade agora cabe a nós, e temos que provar, apesar da nossa indignação, que podemos mudar o país sem porraloquice. pode ser a visão de uma velha marxista formada no velho partidão. mas talvez a velhice seja boa conselheira nessa hora. e a hora é de vencer no primeiro turno. desculpem o desabafo, é muita preocupação mesmo. grande abraço.
Seu Zé Promessinha manda ver!
Promessa do dia: "Vou distribuir 100 milhões de livros por ano".
Por favor, quem acordar cedo confira no Bom Dia (!!!), Brasil se a bonita inocente útil, o mala sem alça e a urubóloga-mor vão perguntar ao Seu Zé se ele cumprirá as promessas enumeradas aqui, tá? Plis? Eu não vejo a Globo, como sabem. Ou não.
Por favor, quem acordar cedo confira no Bom Dia (!!!), Brasil se a bonita inocente útil, o mala sem alça e a urubóloga-mor vão perguntar ao Seu Zé se ele cumprirá as promessas enumeradas aqui, tá? Plis? Eu não vejo a Globo, como sabem. Ou não.
Muita calma nessa hora
O importante é isso, ó:
1) O prazo para tirar segunda via do título eleitoral foi prorrogado para a quinta-feira da outra semana, 30 de setembro (notícia abaixo);
2) Para votar, o eleitor precisa levar o título E documento com foto.
TSE prorroga para 30 de setembro prazo para reimpressão de títulos eleitorais
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na noite de hoje [terça] prorrogar até 30 de setembro o prazo para que os eleitores possam tirar a segunda via do título eleitoral. A data limite seria esta quinta-feira (23), mas em razão de uma sugestão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), o prazo foi ampliado para o último dia de setembro.
A decisão da Corte seguiu proposta do corregedor-geral eleitoral e relator da matéria, ministro Aldir Passarinho Junior. Segundo o ministro, a Justiça Eleitoral pode proporcionar o aumento do prazo para que mais eleitores tirem essa segunda via do título, sem prejuízo dos demais trabalhos realizados pelos cartórios eleitorais.
O corregedor salientou que só não propôs o adiamento do prazo até a véspera das eleições, marcadas para 3 de outubro, porque “nos cartórios eleitorais talvez existam outras circunstâncias e nem todo cartório tem linearmente a mesma estrutura”, afirmou, ao lembrar também das dificuldades locais existentes em alguns municípios.
Continua aqui.
1) O prazo para tirar segunda via do título eleitoral foi prorrogado para a quinta-feira da outra semana, 30 de setembro (notícia abaixo);
2) Para votar, o eleitor precisa levar o título E documento com foto.
TSE prorroga para 30 de setembro prazo para reimpressão de títulos eleitorais
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na noite de hoje [terça] prorrogar até 30 de setembro o prazo para que os eleitores possam tirar a segunda via do título eleitoral. A data limite seria esta quinta-feira (23), mas em razão de uma sugestão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), o prazo foi ampliado para o último dia de setembro.
A decisão da Corte seguiu proposta do corregedor-geral eleitoral e relator da matéria, ministro Aldir Passarinho Junior. Segundo o ministro, a Justiça Eleitoral pode proporcionar o aumento do prazo para que mais eleitores tirem essa segunda via do título, sem prejuízo dos demais trabalhos realizados pelos cartórios eleitorais.
O corregedor salientou que só não propôs o adiamento do prazo até a véspera das eleições, marcadas para 3 de outubro, porque “nos cartórios eleitorais talvez existam outras circunstâncias e nem todo cartório tem linearmente a mesma estrutura”, afirmou, ao lembrar também das dificuldades locais existentes em alguns municípios.
Continua aqui.
Pau no PIG "limpinho"
Brizola Neto destrincha, aqui, o "manifesto pela liberdade de expressão" do PIG. Só que com o título certo:
O manifesto neoudenista
***
Sei não. Tô preocupada. Já vi esse clima antes.
***
De qualquer forma, se for preciso, arrasto minhas banhas e, sei lá, vou à luta.
***
Alguns signatários do manifesto em defesa do PIG. Quem vem de longe conhece todos eles: eleitores de Fernando Henrique -- e paradinhos no tempo. Em alguns casos, os antepassados estão tristes na cova.
01. Hélio Bicudo 02. D. Paulo Evaristo Arns 03. Carlos Velloso 04. René Ariel Dotti 05. Therezinha de Jesus Zerbini 06. Celso Lafer 07. Adilson Dallari 08. Miguel Reali Jr. 09. Ricardo Dalla 10. José Carlos Dias 11. Maílson da Nóbrega 12. Ferreira Gullar 13. Carlos Vereza 14. Zelito Viana 15. Everardo Maciel 16. Marco Antonio Villa 17. Haroldo Costa 18. Terezinha Sodré 19. Mauro Mendonça 20. Rosamaria Murtinho 21. Marta Grostein 22. Marcelo Cerqueira 23. Boris Fausto 24. José Alvaro Moisés 25. Leôncio Martins Rodrigues 26. José A. Gianotti 27. Lurdes Solla 28. Gilda Portugal Gouvea 29. Regina Meyer 30. Jorge Hilário Gouvea Vieira 31. Omar Carneiro da Cunha 32. Rodrigo Paulo de Pádua Lopes 33. Leonel Kaz 34. Jacob Kligerman 35. Ana Maria Tornaghi 36. Alice Tamborindeguy 37. Tereza Mascarenhas 38. Carlos Leal 39. Maristela Kubitschek 40. Verônica Nieckele 41. Cláudio Botelho 42. Jorge Ramos 43. Fábio Cuiabano 44. Luiz Alberto Py 45. Gabriela Camarão 46. Romeu Cortes 47. Maria Amélia de Andrade Pinto 48. Geraldo Guimarães 49. Verônica Nieckele 50. Martha Maria Kubitschek 51. Gilza Maria Villela 52. Mary Costa 53. Silvia Maria Melo Franco Cristóvão 54. Glória de Castro 55. Risoleta Medrado Cruz 56. Gracinda Garcez 57. Josier Vilar 58. Jussarah Kubitschek 59. Luiz Eduardo da Costa Carvalho 60. Tereza Maria de Britto Pereira
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Seu Zé, que ridículo!
Pode uma coisa tão ridícula? O cara é contra o Bolsa-Família a vida inteira, chamava de Bolsa-Esmola. Na campanha, garante que vai ampliar. Em desespero, promete 13°! Assim, meu filho, até eu, eterna pessimista, vou achar que a Dilma leva no primeiro turno. O mais engraçado é que o pasquim anuncia, mas bem pequenininho... PIG envergonhado? Contradição em termos!
***
Leitor do Nassif enumera as promessas do Seu Zé até agora (as de que ele se lembra):
1) Pavimentar a Transamazônica;
2) Duplicar o anel rodoviário da grande BH;
3) Distribuir os royalties do Pre-Sal igualmente entre os estados (falou isso no CE);
4) Garantir que os royalties do Pre-Sal fiquem nos estados produtores (falou isso na mesma semana no ES);
5) Falou algo sobre criar um ministério das "romarias" (quando esteve numa daquelas festas de romeiros)
Outro leitor do Nassif:
1) Dobrar o número de famílias atendidas pelo bolsa-família;Olha o Zé Promessinha aí, gente!
2) Aumentar o valor do benefício social;
3) Aumentar o salário mínimo para R$ 600;
4) Colocar dois professores em sala de aula;
5) Reajuste de 10% aos aposentados e pensionistas; [digo eu: ah, então vou votar nele!!! o Lula só deu 7% e a muito custo!!! :-)))]
6) Criar o Ministério da Segurança Pública;
7) Criar 20 milhões de empregos até 2020;
8) ProUni para o ensino técnico;
Não, sem gozação, Seu Zé virou uma paródia de si mesmo. Repetindo Hegel/Marx, se em 2002 a candidatura dele foi tragédia, em 2010 é farsa.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O novo Maraca
Imagem do projeto novo do Maracanã, que ficará pronto em 2012.
Marco (só dá ele hoje aqui!) está triste: "Tá bonito, né...? Mas acabou a oval... Eu adorava a oval.
Explicando: "O desenho do Maracanã era gerado por uma sequência de ovais concêntricas que circunscreviam o retângulo do gramado".
Assim, ó:
Acabou a oval. Só quero ver se vão acabar com as pilastras azuis também...
Marco (só dá ele hoje aqui!) está triste: "Tá bonito, né...? Mas acabou a oval... Eu adorava a oval.
Explicando: "O desenho do Maracanã era gerado por uma sequência de ovais concêntricas que circunscreviam o retângulo do gramado".
Assim, ó:
Mas os estádios mudernos não admitem a possibilidade de afastar o cidadão que pagou mais caro (já que há setorização de ingressos) pra ficar pertiiinho do lateral direito do time dele pra respeitar uma conformação geométrica. Pois era esse desenho, eram essas elipses que ficavam queimadas na retina quando a gente saía daquele tunelzinho claustrofóbico pra amplidão iluminada do Maraca ao som dos tambores pela primeira vez. Só o Maraca resistia a essa mania de conformar a elipse a esse retângulo de cantos arredondados. Mas isso acabou. O Maracanã agora será sofisticado, moderno, coberto e comum.
Acabou a oval. Só quero ver se vão acabar com as pilastras azuis também...
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