Ando bem clichezeira ultimamente, mas meu clichê mais recente foi superfurado. O dilema do milênio não é a energia, mas o capitalismo neoliberal, esse daí que todos exaltam, desejam e buscam. Vejam só a questão espanhola, por exemplo. Estava todo mundo na praça pedindo emprego, salário, aposentadoria (tá, democracia também). Mas quem foi às urnas regionais (com enorme abstenção, diga-se) votou na direita neoliberal. É que os socialistas no poder seguem a receita neoliberal, daí a derrota... Vá entender a Espanha! (Para entender o Brasil, o companheiro Ivan Trindade publicou no Teia Livre um texto instigante!)
Não dá pra entender, na verdade, o mundo todo. No poder, o neoliberalismo na política atende cegamente às diretrizes econômicas neoliberais. Decisões de governos e tribunais seguem essas diretrizes. E o que acontece? Desemprego em massa. É a mais valia, estúpido! O patrão quer lucro maior, então vai modernizando a produção a ponto de desfigurar as leis marxistas e... prescindir do trabalhador. E da própria produção. Na crise, então, quer nem saber, demite os poucos que restam. É um círculo vicioso, um looping perverso. Então, por que os governos insistem nesse suicídio?
Não sei se me explico bem: os governos que se sucedem beneficiam as corporações -- e os Estados Unidos são a representação maior desse truísmo -- porque elas dão emprego, mas... elas não dão! (Ou tentam dar cada vez menos.) E os governos acabam reféns delas, às voltas com massas e massas de desempregados... como pode, gente? A literatura e o cinema cansam de mostrar essa burrice oficial coletiva! Há muitos docs famosos sobre a crise de 2008/2009, mas o meu preferido é o Inside job – "o filme que custou mais de US$ 20 trilhões para ser feito" –, do diretor Charles Ferguson (tratei dele aqui). Também adoro o do Michael Moore (Capitalism: a love story). Há outros ótimos, como The corporation (que é de 2003, mas já resumia tudo) ou o ficção-verdade The company men (John Wells, 2010), que baixei noutro dia e me deixou angustiada. Nenhum governante vê tais filmes? (Talvez Lula tenha visto todos...)
Já eu não vejo saída, alguém vê? Ou regredimos nesse capitalismo -- não digo ao feudalismo, hehe, mas a algum estágio mediano que não sei dizer qual, talvez o da Escandinávia pré-queda-do-Muro de Berlim (mas aí não seria capitalismo, né?, a natureza do sistema é buscar mais mais valia...) -- ou chegaremos a Mad Max. Aquele filme foi profético. Não há saída, gente. A não ser que houvesse revolução no mundo inteiro. Revolução?
Só não aposto porque espero estar morta até lá para não ver. Mas penso nos jovens que estarão...
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Energia, o dilema deste milênio
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| Vista aérea da usina de Vattenfall, movida a carvão-lignito (Fabrizio Bensch/Reuters); à direita, uma usina em Landshut, Bavaria. Isso é que é perigo no quintal! (Michaela Rehle/Reuters) |
Achei incrível esta notícia! E agora, que energia vão usar? Carvão, como na foto da esquerda??? Um amigo do Marco fez um gráfico muito interessante, no qual tudo aponta para a nuclear. Claro que me preocupa o risco. Inventam tanta porcaria, por que não uma energia nuclear ou similar segura? Toda essa rejeição se deve à maldita bomba e a esse horror da síndrome da China. Depois dessa, viva Belo Monte! Ridículo pensar em energia eólica ou solar. (Pronto, agora podem me massacrar por todas essas opiniões suspeitíssimas.)
A chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou que o pacto garantirá a transição para uma nova política energética baseada nas energias renováveis que garanta a provisão, a estabilidade dos preços, a autonomia elétrica nacional e um maior respeito ao meio ambiente.
O acordo estabelece o fechamento imediato das sete centrais mais antigas do país - que foram paradas de forma preventiva em março - e de outra com problemas de funcionamento, assim como a manutenção das três mais modernas no máximo até 2022.
Além disso, inclui uma cláusula de revisão pela qual, durante o processo de abandono da energia atômica, o Executivo pode decidir antecipar o fim definitivo da produção desse tipo de energia, dependendo do desenvolvimento das fontes renováveis.
A chanceler afirmou que o acordo busca, além disso, que até 2020 as energias alternativas representem pelo menos 40% da produção elétrica nacional e que se reduzam sensivelmente as emissões de CO2.
As legendas da coalizão de Governo - União Democrata-Cristã (CDU), União Social-Cristã (CSU) e Partido Democrático Liberal (FDP) - decidiram, além disso, manter o imposto ao combustível nuclear que os consórcios elétricos com centrais atômicas pagam, com o qual pretendem financiar o desenvolvimento das fontes renováveis.
Este acordo energético será organizado em uma série de normativas específicas que o Executivo começará a redigir e enviar ao Parlamento em forma de projetos de lei a partir da próxima semana.
Por sua vez, o Partido Social-Democrata (SPD) e o Partido Verde se mostraram dispostos a dialogar com o Governo para a tramitação parlamentar destas normas, embora sua reação inicial tenha sido de ceticismo.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Um saco esse pânico ideológico, credo...
E o mundo veio abaixo porque a Dilma cismou de reavaliar o kit da Escola Sem Homofobia. Coisas da luta política. Ninguém disse que seria cancelado, mas os portadores da síndrome do "pânico ideológico" de repente dão crédito até ao PIG, a Garotinho, a Bolsonaro e a outros arautos do "pânico moral". Não querem saber, saem matando a Dilma (que, diga-se de passagem, anda meio que mal-assessorada, minha nossa senhora do segundo escalão!). Não querem saber se o governo está em momento delicado, não, simplesmente acionam o modo pânico e saem matando, atirando ao léu pedaços do próprio fígado político, que as matilhas esfomeadas de plantão adoram devorar.
É impressionante que a esquerda de um país de baixa formação política e ideológica, por cinco séculos liderado pelas oligarquias antes rurais, depois rurais E industriais, como bem lembra nosso querido @arnobio1969) não tenha ainda sido capaz de trabalhar sua "paciência histórica", para usar expressão marxista que no Twitter o amigo @francisco_jrRN, do CNS, gosta de aplicar à luta em defesa do SUS...
Nem o governo cancelou o kit nem os petistas entregaram o ouro. Estamos na luta! Eis, abaixo, a carta aberta que o Setorial LGBT do PT enviou à presidenta. Em vez de pedaços do fígado, que tal atirar pedaços de cérebro aos esfomeados? Em vez do pânico ideológico, que tal divulgar esse texto, cumprir tarefa de conscientização, armar os militantes e simpatizantes de argumentos, convencer a presidenta (e a seus assessores...) de que este é mais um capítulo de nossa luta histórica (sim, do PT e de outras forças pró-avanço na área de costumes) na construção da cidadania? Paciência histórica, amigos. Vamos vencer, disso não há dúvida. Às vezes só demora um pouquinho, pombas.
***
Carta aberta à Presidenta Dilma
Presidenta:
Nós, do Setorial Nacional LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) do Partido dos Trabalhadores, instância formal que organiza a intervenção da militância petista na luta anti-homofóbica, queremos dialogar publicamente com a senhora, nossa companheira na construção de um Brasil mais justo.
Gostaríamos de conversar a respeito da polêmica envolvendo os materiais educativos do projeto Escola Sem Homofobia, do MEC (apelidado de “Kit gay”, por conservadores).
Ficamos perplexos com as notícias veiculadas ontem, 25 de maio, informando que a senhora teria, em reunião com a “bancada evangélica”, decidido suspender a disponibilização dos materiais que estão sendo preparados pelo MEC, no contexto das políticas públicas de promoção do respeito à diversidade nas escolas brasileiras.
Admiramos sua vocação democrática, sua competência e seriedade. Sabemos que é preciso ouvir todos os segmentos da sociedade brasileira, buscando composições e sínteses, implementando as políticas públicas com eficácia, pautadas em critérios técnicos.
Nosso Partido é pioneiro no combate à discriminação contra homossexuais e nos orgulhamos do discurso do ex-presidente Lula, já em 1981, repudiando o preconceito. Somos vanguarda na luta pela afirmação da igualdade –criamos, já em1992, o primeiro núcleo LGBT em um partido político no país. Estamos juntos ao movimento social LGBT brasileiro, há anos batalhando contra a discriminação.
A maioria das leis e projetos de leis garantindo direitos à população LGBT, em todo o Brasil, são de iniciativa de parlamentares petistas. Marta Suplicy, já em 1995, propôs projeto de lei que estabelecia a união civil homossexual. Várias resoluções de Encontros Nacionais e Congressos do PT – e também nosso estatuto – ratificam esse compromisso com de combate ao preconceito e a discriminação em geral, e à homofobia em particular.
O ex-presidente Lula fez história, ao criar, em 2004, o primeiro programa governamental – Brasil Sem Homofobia – destinado a promover a igualdade entre todas as pessoas, de qualquer orientação sexual ou identidade de gênero.
Em 2008, o Governo Federal promoveu a 1ª Conferência LGBT, pioneira no mundo. No ano seguinte, foi criado o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos LGBT – depois uma Coordenadoria e, posteriormente, um Conselho Nacional.
A maioria do movimento LGBT organizado e dos ativistas de Direitos Humanos fizeram campanha e votaram Dilma, trabalhando dia e noite pela sua eleição. Acreditamos no aprofundamento das políticas cidadãs iniciadas no governo do ex-presidente Lula.
Contudo, temos de reafirmar: o ESTADO BRASILEIRO É LAICO. Nossa Constituição traz entre seus princípios fundamentais, o combate a toda forma de discriminação, a dignidade humana e o pluralismo.
A recente decisão do Supremo Tribunal Federal, igualando as uniões estáveis homossexuais à heterossexuais reafirmou esses princípios básicos da Constituição Federal, assegurando a laicidade do Estado. Uma vitória da democracia brasileira.
Nessa mesma direção, enfatizamos a necessidade de aprofundar as políticas públicas que promovam a diversidade e o respeito às pessoas. Não concordamos, em nenhuma hipótese, com a possibilidade dos materiais elaborados pelo projeto Escola sem Homofobia não chegarem a seus destinatários.
Presidenta:
Um governo progressista, protagonizado por um partido de esquerda, dirigido por uma militante com a sua biografia, não pode transigir com princípios fundamentais da democracia.
A senhora tem deixado muito claro, em diversas ocasiões, que não transigirá na Defesa dos Direitos humanos. Pois bem, é disso que se trata. Não se trata de “costumes”, como foi mencionado, mas de direitos civis e políticos, do combate ao preconceito, de políticas pública de promoção da cidadania.
Ficamos muito satisfeitos com o fato de a senhora ter convocado há poucos dias, junto com a companheira Maria do Rosário, a 2ª Conferência Nacional LGBT, uma inequívoca demonstração de continuidade das políticas iniciadas no governo Lula, reafirmando assim o compromisso desse governo com o enfrentamento da homofobia.
O chamado “kit gay” é apenas um singelo material didático, elaborado por especialistas, referendado por entidades como a UNESCO, o Conselho Federal de Psicologia, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, a UNE, a UBES entre outras.
Esse “kit” foi objeto de uma sórdida campanha, cheia de mentiras e distorções, que criou um sentimento de pânico moral em setores da nossa sociedade. A maior parte das pessoas que o repudiam não conhece seu conteúdo. Não há nada de inadequado, qualquer conteúdo sexual, nenhum beijo, nada, absolutamente nada que poderia atentar contra a qualidade educativa do material.
O objetivo do MEC com esse programa é apenas combater o bullying, que causa tanto sofrimento a milhões de “brasileirinhos”, em nossas escolas, fazendo com que muitos se evadam, perdendo o direito humano que têm à educação. O bullying é algo perverso, provoca discriminação, dor, exclusão e até suicídios - pode provocar tragédias.
O Brasil não cederá à chantagem de religiosos homofóbicos, que confundem templo com parlamento, que ignoram a laicidade, o pluralismo e a dignidade humana.
A opinião de alguns deputados fundamentalistas cristãos NÃO É a opinião da maioria do Congresso Nacional, muito menos da maioria da sociedade brasileira. No Congresso, por exemplo, há uma Frente Parlamentar que defende a cidadania LGBT com 175 deputados e senadores.
Presidenta Dilma:
Nós, seus companheiros de Partido e de jornada, ajudamos a elegê-la e também somos responsáveis pelo seu governo. Temos certeza que as políticas de promoção à cidadania LGBT não serão interrompidas.
A democracia brasileira não será chantageada por obscurantistas de plantão. Acreditamos no seu compromisso inabalável com os Direitos Humanos e com a cidadania plena. Seu governo construirá um Brasil melhor para todas e todos.
Apoiamos a continuidade das ações do projeto Escola Sem Homofobia e de todas as políticas inclusivas de seu governo. Sem retrocessos. Solicitamos, portanto, a continuidade imediata da disponibilização do “kit” para as escolas brasileiras.
Não basta combater a pobreza se junto não erradicarmos a violência do preconceito e da discriminação que está ao seu redor. Estarmos certos de contar com sua determinação.
Julian Rodrigues, Coordenador Nacional do Setorial LGBT – PT 26/5/2011
É impressionante que a esquerda de um país de baixa formação política e ideológica, por cinco séculos liderado pelas oligarquias antes rurais, depois rurais E industriais, como bem lembra nosso querido @arnobio1969) não tenha ainda sido capaz de trabalhar sua "paciência histórica", para usar expressão marxista que no Twitter o amigo @francisco_jrRN, do CNS, gosta de aplicar à luta em defesa do SUS...
Nem o governo cancelou o kit nem os petistas entregaram o ouro. Estamos na luta! Eis, abaixo, a carta aberta que o Setorial LGBT do PT enviou à presidenta. Em vez de pedaços do fígado, que tal atirar pedaços de cérebro aos esfomeados? Em vez do pânico ideológico, que tal divulgar esse texto, cumprir tarefa de conscientização, armar os militantes e simpatizantes de argumentos, convencer a presidenta (e a seus assessores...) de que este é mais um capítulo de nossa luta histórica (sim, do PT e de outras forças pró-avanço na área de costumes) na construção da cidadania? Paciência histórica, amigos. Vamos vencer, disso não há dúvida. Às vezes só demora um pouquinho, pombas.
***
Carta aberta à Presidenta Dilma
Por Julian Rodrigues, Coordenador Nacional do Setorial LGBT – PT
Quinta-feira, 26 de maio de 2011
Quinta-feira, 26 de maio de 2011
Presidenta:
Nós, do Setorial Nacional LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) do Partido dos Trabalhadores, instância formal que organiza a intervenção da militância petista na luta anti-homofóbica, queremos dialogar publicamente com a senhora, nossa companheira na construção de um Brasil mais justo.
Gostaríamos de conversar a respeito da polêmica envolvendo os materiais educativos do projeto Escola Sem Homofobia, do MEC (apelidado de “Kit gay”, por conservadores).
Ficamos perplexos com as notícias veiculadas ontem, 25 de maio, informando que a senhora teria, em reunião com a “bancada evangélica”, decidido suspender a disponibilização dos materiais que estão sendo preparados pelo MEC, no contexto das políticas públicas de promoção do respeito à diversidade nas escolas brasileiras.
Admiramos sua vocação democrática, sua competência e seriedade. Sabemos que é preciso ouvir todos os segmentos da sociedade brasileira, buscando composições e sínteses, implementando as políticas públicas com eficácia, pautadas em critérios técnicos.
Nosso Partido é pioneiro no combate à discriminação contra homossexuais e nos orgulhamos do discurso do ex-presidente Lula, já em 1981, repudiando o preconceito. Somos vanguarda na luta pela afirmação da igualdade –criamos, já em1992, o primeiro núcleo LGBT em um partido político no país. Estamos juntos ao movimento social LGBT brasileiro, há anos batalhando contra a discriminação.
A maioria das leis e projetos de leis garantindo direitos à população LGBT, em todo o Brasil, são de iniciativa de parlamentares petistas. Marta Suplicy, já em 1995, propôs projeto de lei que estabelecia a união civil homossexual. Várias resoluções de Encontros Nacionais e Congressos do PT – e também nosso estatuto – ratificam esse compromisso com de combate ao preconceito e a discriminação em geral, e à homofobia em particular.
O ex-presidente Lula fez história, ao criar, em 2004, o primeiro programa governamental – Brasil Sem Homofobia – destinado a promover a igualdade entre todas as pessoas, de qualquer orientação sexual ou identidade de gênero.
Em 2008, o Governo Federal promoveu a 1ª Conferência LGBT, pioneira no mundo. No ano seguinte, foi criado o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos LGBT – depois uma Coordenadoria e, posteriormente, um Conselho Nacional.
A maioria do movimento LGBT organizado e dos ativistas de Direitos Humanos fizeram campanha e votaram Dilma, trabalhando dia e noite pela sua eleição. Acreditamos no aprofundamento das políticas cidadãs iniciadas no governo do ex-presidente Lula.
Contudo, temos de reafirmar: o ESTADO BRASILEIRO É LAICO. Nossa Constituição traz entre seus princípios fundamentais, o combate a toda forma de discriminação, a dignidade humana e o pluralismo.
A recente decisão do Supremo Tribunal Federal, igualando as uniões estáveis homossexuais à heterossexuais reafirmou esses princípios básicos da Constituição Federal, assegurando a laicidade do Estado. Uma vitória da democracia brasileira.
Nessa mesma direção, enfatizamos a necessidade de aprofundar as políticas públicas que promovam a diversidade e o respeito às pessoas. Não concordamos, em nenhuma hipótese, com a possibilidade dos materiais elaborados pelo projeto Escola sem Homofobia não chegarem a seus destinatários.
Presidenta:
Um governo progressista, protagonizado por um partido de esquerda, dirigido por uma militante com a sua biografia, não pode transigir com princípios fundamentais da democracia.
A senhora tem deixado muito claro, em diversas ocasiões, que não transigirá na Defesa dos Direitos humanos. Pois bem, é disso que se trata. Não se trata de “costumes”, como foi mencionado, mas de direitos civis e políticos, do combate ao preconceito, de políticas pública de promoção da cidadania.
Ficamos muito satisfeitos com o fato de a senhora ter convocado há poucos dias, junto com a companheira Maria do Rosário, a 2ª Conferência Nacional LGBT, uma inequívoca demonstração de continuidade das políticas iniciadas no governo Lula, reafirmando assim o compromisso desse governo com o enfrentamento da homofobia.
O chamado “kit gay” é apenas um singelo material didático, elaborado por especialistas, referendado por entidades como a UNESCO, o Conselho Federal de Psicologia, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, a UNE, a UBES entre outras.
Esse “kit” foi objeto de uma sórdida campanha, cheia de mentiras e distorções, que criou um sentimento de pânico moral em setores da nossa sociedade. A maior parte das pessoas que o repudiam não conhece seu conteúdo. Não há nada de inadequado, qualquer conteúdo sexual, nenhum beijo, nada, absolutamente nada que poderia atentar contra a qualidade educativa do material.
O objetivo do MEC com esse programa é apenas combater o bullying, que causa tanto sofrimento a milhões de “brasileirinhos”, em nossas escolas, fazendo com que muitos se evadam, perdendo o direito humano que têm à educação. O bullying é algo perverso, provoca discriminação, dor, exclusão e até suicídios - pode provocar tragédias.
O Brasil não cederá à chantagem de religiosos homofóbicos, que confundem templo com parlamento, que ignoram a laicidade, o pluralismo e a dignidade humana.
A opinião de alguns deputados fundamentalistas cristãos NÃO É a opinião da maioria do Congresso Nacional, muito menos da maioria da sociedade brasileira. No Congresso, por exemplo, há uma Frente Parlamentar que defende a cidadania LGBT com 175 deputados e senadores.
Presidenta Dilma:
Nós, seus companheiros de Partido e de jornada, ajudamos a elegê-la e também somos responsáveis pelo seu governo. Temos certeza que as políticas de promoção à cidadania LGBT não serão interrompidas.
A democracia brasileira não será chantageada por obscurantistas de plantão. Acreditamos no seu compromisso inabalável com os Direitos Humanos e com a cidadania plena. Seu governo construirá um Brasil melhor para todas e todos.
Apoiamos a continuidade das ações do projeto Escola Sem Homofobia e de todas as políticas inclusivas de seu governo. Sem retrocessos. Solicitamos, portanto, a continuidade imediata da disponibilização do “kit” para as escolas brasileiras.
Não basta combater a pobreza se junto não erradicarmos a violência do preconceito e da discriminação que está ao seu redor. Estarmos certos de contar com sua determinação.
Julian Rodrigues, Coordenador Nacional do Setorial LGBT – PT 26/5/2011
domingo, 22 de maio de 2011
Abaixo a MP 520!
Publiquei no Teia Livre hoje. Espero que os trabalhadores do SUS vençam mais este ataque à estabilidade e ao Regime Jurídico Único.
***
Ocorre que a MP mereceu moção de repúdio do CNS em janeiro (ver abaixo), como logo lembrou o conselheiro Francisco Júnior (@francisco_jrRN), antecessor de Padilha na presidência do colegiado que é a principal instância do controle social no país. A EBSERH transfere a responsabilidade sobre os hospitais universitários à iniciativa privada, seguindo a lógica privatista da Fundação Estatal de Direito Privado – mas consegue ser ainda pior, como atesta a insuspeita especialista Lenir Santos, defensora intransigente das FE.
Vejam o teor da moção, publicada no CNS e reproduzida em numerosos sites de sindicatos de trabalhadores da saúde, todos contrários à MP 520:
Brasília, 28 de janeiro de 2011Francisco Júnior é um otimista incorrigível e convoca todos à luta, militância e usuários, em defesa da gestão profissionalizada e pública das unidades do SUS. Mas o cenário não é bom não. A tendência privatista galopa, enquanto o trabalhador do SUS cala. Pior, ele se despolitiza a olhos vistos. "Culpa" do desemprego, da terceirização e da mercantilização, resumiu Júnior, para quem o processo político é mesmo alienante e desideologizante.
CNS aprova moção de repúdio à MP que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
O Conselho Nacional de Saúde (CNS) aprovou, nesta quinta-feira (27), moção de repúdio à Medida Provisória nº 520/2010. A MP foi publicada no dia 31 de dezembro e autoriza o Poder Executivo a criar a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) com a atribuição de prestação de serviços de apoio aos hospitais universitários.
A urgência da medida provisória foi justificada pela necessidade de resolver o impasse dos terceirizados nos hospitais universitários, visto que o acórdão 1520/2006 do Tribunal de Contas da União (TCU) determinava a regularização da situação até 31 de dezembro de 2010 e teve seu prazo prorrogado esperando especificamente uma solução como a definida na proposta MP 520/2010.
Agora, as Universidades Federais poderão celebrar contratos com a nova empresa pública com personalidade jurídica de direito privado para o preenchimento dos cargos, inicialmente com profissionais contratados temporariamente por meio de seleção simplificada, pelo período máximo de dois anos. A EBSERH será administrada por um Conselho de Administração, uma Diretoria Executiva e um Conselho Fiscal e não prevê a participação do Controle Social.
Para o Conselho Nacional de Saúde, a MP 520 desvincula, na prática, os Hospitais Universitários das IFES, com o comprometimento da formação e qualificação dos profissionais de saúde que trabalham na saúde pública, produção do conhecimento na área de saúde, além de ferir o princípio constitucional de indissociabilidade entre ensino, pesquisa, extensão, dado que os Hospitais Universitários são unidades acadêmicas.
Outros prejuízos trazidos pela Medida Provisória referem-se a: precarização da mão de obra, uma vez que estabelece outra relação de trabalho nessas unidades e reforça o processo de terceirização; operacionalização sob a lógica de mercado e, portanto, tendo por princípio tão somente o cumprimento de metas, o que é danoso ao processo de busca da qualidade nos serviços públicos de saúde; financiamento do SUS, dentre outros.
Por considerar, ainda, que o instrumento utilizado - Medida Provisória - ignora os organismos da sociedade, não permitindo o debate com os agentes que construíram e sustentam o SUS, o CNS encaminhará ao Congresso Nacional a moção de repúdio e orienta as entidades a entrarem com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP 520/2010.
Nesse contexto adverso, se ensaia um protesto o trabalhador é acusado de corporativismo e responsabilizado pela “ideologização do SUS” – como se isso fosse crime. “Diferente da opinião oficial, ou ideologizamos definitivamente o debate sobre o SUS ou não haverá condições de resgatá-lo”, disse o conselheiro num papo pelo Twitter nesta manhã de domingo 22. “Nada é inútil na construção do processo político em busca dos nossos ideais”, convocou. “Paciência histórica!”
Sim, é possível. A pressão dos defensores do SUS engessou no Congresso a proposta das fundações estatais. Vamos derrubar também a 520?
Quanto a Alexandre Padilha, parabéns pela entrevista, muito simpática (cuida dessa tosse, hein?). Agora, que tal executar as deliberações do CNS? É bom para a democracia, para o controle social, para o SUS e para o povo brasileiro!
Eleição no CNS
CNS: todo mundo feliz
Eleição no CNS e o pacote de maldades
O retorno do rei
Acabou a crise do CNS, oba!
O que está pegando no Conselho Nacional de Saúde?
Resposta do presidente do CNS
sábado, 21 de maio de 2011
Com a guerra no sangue...
"
Achei estes vídeos no Youtube. Há dezenas assim, de escoceses, irlandeses, ingleses, desfilando em diferentes cidades, sempre festejados nas ruas ou nos estádios por sua volta ao país vindos da guerra no Afeganistão. Só vi um de protesto. Nunca, nunca na vida imaginei que o povo apoiasse a participação do UK na guerra a ponto de ir aplaudir soldado em parada militar... Vá entender os britânicos...
quarta-feira, 18 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
Amal dá um pau na CIA
Do blog Sem Fronteiras, do Maierovitch (8/5/2011):
Viúva de Bin Laden faz revelações bombásticas que colocam CIA em embaraço
Seu último casamento foi com Amal Ahmed Abdulfattah em 2002, quando estava sob proteção tribal.
Na ocasião, Amal, nascida no Iêmen, tinha 19 anos de idade.
Como todos lembram, depois dos ataques covardes de 11 de setembro de 2001, a Central Inteligence Agency (CIA), totalmente desmoralizada, começou a vazar informações para mostrar que tinha boas pistas para chegar à captura de Bin Laden.
Uma pista “plantada” na mídia pela CIA dizia respeito ao precário estado de saúde de Osama bin Laden.
Para a CIA, o terrorista tinha insuficiência renal e necessitava se submeter a hemodiálises. Assim, diziam os 007 da CIA todos os hospitais do Afeganistão e Paquistão estavam sob controle.
Com o passar do tempo e nada de Bin Laden aparecer em hospitais, a CIA colocou na mídia a informação de que na caverna onde se escondia o terrorista havia um equipamento de hemodiálise.
Amal, que saiu ferida na perna (ou pé) quando do assalto à casa onde se escondia Bin Laden, prestou declarações às autoridades paquistanesas e a CIA recebeu algumas informações desmoralizantes. Ela estava no dormitório com Bin Laden e disse que tinham acabado de apagar a luz para dormir quando o casal ouviu disparos no primeiro andar da casa.
A viúva Amal disse que Bin Laden gozava de ótima saúde e plena mobilidade. E que bem antes de 11 de setembro de 2001 o terrorista tinha tido problemas com os rins, mas, depois de uma cirurgia realizada em Kandahar, ficou curado. E Bin Laden morava em Kandahar quando fez a mencionada cirurgia.
Como se percebe, as informações espalhadas pela CIA, logo depois dos covardes ataques de 11 de setembro e sobre Bin Laden, eram mentirosas.
Amal disse que Bin Laden não tomava remédios para tratamento dos rins. Afirmou, no entanto, que o marido comia muita melancia e dizia ser um “ótimo remédio para evitar problemas com os rins”.
–2. Do relato de Amal às autoridades do Paquistão, a CIA já está ciente que Bin Laden estava nas montanhas de Tora Bora em 2001 quando os EUA e aliados promoveram intenso bombardeamento, inclusive com bombas penetrantes para alcançar cavernas.
Para a viúva Amal, o terrorista Bin Laden teve muita sorte ( Alá é grande, teria dito em relato feito a ela) e quase foi atingido pelas bombas.
Depois de fugir de Tora Bora, sempre segundo Amal, o príncipe do terror ficou sob proteção tribal, na fronteira entre Afeganistão e Paquistão.
Em 2003, Bin Laden deixou a proteção tribal e foi morar no Paquistão. E Bin Laden, consonte Amal, escolheu a pequena cidade de Chak Shah Mohammed Khan para morar. Essa cidade é vizinha a Haripur (consta do mapa), ou seja, fica cerca de quarenta minutos de automóvel de Islamabad, capital do Paquistão.
A mudança para a cidade de Abbottabad deu-se no final do ano de 2005. E a viúva Amal destacou que Mohammed Arshad, seguidor fiel de Bin Laden, comprara, em 22 de janeiro de 2004, um terreno em Abbottabad, no bairro de Bilan Town. E nesse terreno foi erguida a casa onde Bin Laden restou morto no dia 1 de maio passado.
PANO RÁPIDO. Em razão do teor do depoimento da viúva Amal, o governo Barack Obama, conforme ontem este blog Sem Fronteiras de Terra Magazine informou, quer a sua extradição por cumplicidade.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–
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