Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O discurso foi bom mesmo?

Fotos da posse: Marcello Casal Jr/ABr
O ministro @Paulo_Bernardo brincou no Twitter com os 140 zilhões de toques do discurso de @padilhando em sua posse no Ministério da Saúde. Exagerou. Alexandre Padilha falou apenas 53.952 caracteres - com espaços! :-) Um longo discurso, é verdade. Para alguns, muito bom; para outros, uma “montanha russa de altos e baixos”, como se vê no blog Saúde com Dilma. O jovem e simpático ministro tuiteiro deu alguns golpes em certos temas caros aos defensores do SUS e da Reforma Sanitária (talvez devesse ter lido um discurso formal nessa estreia: no improviso informal fala-se alguma coisa impensadamente).

Cheia de esperança com esse ministro infectologista e “suseiro” de formação, vou me atrever a “traduzir” alguns trechos para quem não conhece bem a saúde pública e comentar outros à luz de princípios e diretrizes do SUS, o nosso Sistema Único de Saúde, um dos mais importantes resultados da Constituição Federal de 1988. A mesma que definiu: “Saúde é direito de todos e dever do Estado”.

Por sinal, @padilhando trocou a foto do avatar. Agora usa uma da posse, em que a marca do SUS tem grande destaque!

Paralelamente, cumprimentos aos funcionários da assessoria de comunicação do Ministério da Saúde: trabalharam desde o fim da cerimônia de posse, depois das 19h, até tarde da noite para que fosse possível a publicação, às 23h16 do próprio dia 3, da íntegra do discurso. Tarefa hercúlea: só na análise levei três dias. Valeu!

Meus modestos comentários estão nos trechos em azul.

***

Boa tarde a todos, boa tarde a todas.

Já começou respeitando a língua do P.C. (linguagem politicamente correta)!
 
E pelo visto eles vão ter que se acostumar com o ministro twitteiro, que se utiliza das redes sociais, que acha que esse é um instrumento importante de comunicação, de escuta e diálogo com a sociedade.

Sou fã do ministro tuiteiro, mas vou ficar mais feliz se ele mantiver diálogo permanente com as conferências de saúde, o Conselho Nacional de Saúde, a “rede” em geral do controle social, que andou um tanto abandonada pelo ministro Temporão.

(...) Seria muito mais difícil assumir o Ministério da Saúde do Brasil, Temporão, se não fosse suceder esta geração de ministros que ao longo desses oito anos construíram um conjunto de avanços no SUS. Eu quero, em nome do Temporão, saudar aqui o nosso primeiro ministro do governo do presidente Lula, Humberto Costa, hoje senador da República pelo estado de Pernambuco. Daqui a pouco ele vai fazer a trajetória do Giovanni Berlinguer na Saúde, viu? Se preparem aí.

O italiano Giovanni Berlinguer, que muitos consideram o “pai da Reforma Sanitária brasileira”, é sanitarista, bioeticista, professor de Medicina Social. Hoje com 86 anos, foi eleito várias vezes deputado e senador pelo Partido Comunista Italiano e integra desde 2004 o Parlamento Europeu como representante dos Democratici di Sinistra (DS), os democratas de esquerda. Um de seus maiores feitos políticos, a aprovação em maio de 1978 da Lei do Aborto, da qual foi relator, chamou atenção da imprensa mundial “pela autoridade moral, competência e habilidade com que conduziu o processo” num país católico como a Itália, nas palavras do bioeticista Volnei Garrafa. Visitou o Brasil pela primeira vez em 1951 ainda como líder estudantil -- Carlos Lacerda logo propôs a expulsão deste perigoso “espião russo”. Nos anos da ditadura, “seus livros eram lidos às escondidas, passando cuidadosamente de mão em mão. Mais recentemente, no início dos anos 90, mudou-se com armas e bagagens do campo da Saúde Pública para a Bioética, sem deixar de manter os olhos voltados para as questões ideológicas, sanitárias e coletivas que nortearam toda sua longa vida pública”, diz Volnei.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

@padilhando na Saúde!

Espero que se confirme: o ex-ministro de Relações Institucionais Alexandre Padilha deve ser o ministro da Saúde do governo Dilma, acaba de informar no Twitter Renato Rovai, da Forum.

Infectologista, 38 anos, Padilha (o @padilhando do Twitter) foi um dos coordenadores da campanha da presidenta eleita e era um dos três nomes indicados pelo Movimento Sanitário.

Paulistano, graduado na Unicamp, pós-graduado na USP, foi diretor nacional de Saúde Indígena da Funasa, supervisor do Núcleo de Extensão em Medicina Tropical do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (NUMETROP/DIP-FMUSP), coordenador do Projeto Coartemeter/Pará/Brasil do Fundo de Pesquisa em Doenças Tropicais da OMS -- enfim, um sanitarista de carteirinha.

Torcendo pela confirmação.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cheiro de encomenda

Hmmm, não sei por que senti o cheiro da "indústria" do hospice cristão nessa pesquisa. Não que a nossa morte seja boa, pelo contrário. Num congresso que cobri, um especialista em bioética do fim da vida, depois de definir ortotanásia, eutanásia e distanásia (clicar aqui para ver a matéria com os esclarecimentos), disse uma frase interessantíssima: "A pior é a mistanasia, a morte injusta, da injustiça social, a morte severina”. A morte no Brasil é mesmo severina. (E é claro que o pasquim reproduziu no ato.)

Mas essa pesquisa tem todas as características de encomenda de indústria. A que mais cresce na saúde, no momento, é a de cuidados paliativos, favorecida pela obsessão de entidades cristãs em favor da distanásia e especialmente contra a eutanasia. Por outro lado, a frase final é sustentável: "Segundo a pesquisa, no entanto, um aumento na disponibilidade de tratamento paliativo – principalmente realizado em casa ou pela comunidade - reduz gastos em saúde associados a internação em hospitais e tratamentos de emergência". Isso é coisa que o SUS poderia tranquilamente proporcionar, e já proporciona em alguns lugares.

Vou acompanhar pra ver se a Ceição Lemes trata do assunto.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...