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segunda-feira, 2 de maio de 2011

O mundo em 2011 mais pra 1011

Azenha diz que Osama caminhava para a irrelevância. CNN diz que Osama nem comandava mais as operações. Acho que tudo isso se aplica a um quase homônimo, o Obama. Vai poder faturar em cima. (Bem, pelo menos não é o Bush...) O mundo em 2011 tá mais pra 1011: casamento real, beatificação de ex-papa, execução chamada de "justiça", presos políticos nas masmorras. O texto abaixo, que @VilaVudu traduziu, fala um pouco do futuro da Qaeda.

(Ei, acho o Osama um fanático detestável, viu? Ei2, clique na imagem que tem animação.)

Al-Qaeda pronta para reinicar a guerra

3/5/2011, Syed Saleem Shahzad, Asia Times Online

Islamabad. A partir de hoje, a Al-Qaeda passa a ser comandada por um colegiado de altos comandantes que já estava definido desde muito antes da morte de Osama bin Laden, assassinado nas primeiras horas de ontem, em ataque de forças especiais do Paquistão e EUA, em Abbottabad, cerca de 65 quilômetros ao norte de Islamabad, capital do Paquistão.

O assassinato de Bin Laden, 54 anos, cuja cabeça valia prêmio de 50 milhões de dólares, marcará, segundo informantes da organização ao jornal Asia Times Online, o início da transferência do teatro de guerra, do Afeganistão para o Paquistão.

Contatos do jornal Asia Times Online na área tribal do Waziristão Norte – celeiro de militantes – confirmaram que já houve várias reuniões na cidade de Mir Ali, para formular estratégias. Todos confirmaram imediata ação de retaliação contra o Paquistão e o fim de todos os acordos de cessar-fogo firmados com os militares paquistaneses e ainda vigentes.

Os EUA procuraram por Bin Laden, sempre sem sucesso, desde que ele deixou o Afeganistão, quando os EUA invadiram o país, em 2001, para guerra de extermínio contra os Talibã, em retaliação pelos ataques do 11/9/2001 em Nova Iorque e Washington. Bin Laden e sua al-Qaeda planejaram aqueles ataques, durante o tempo que viveram como hóspedes dos Talibã.

“Posso informar ao povo dos EUA e do mundo, que os EUA executaram operação que matou Osama bin Laden” – disse da Casa Branca o presidente Barack Obama, também comandante-em-chefe dos exércitos dos EUA. – “Houve troca de tiros, antes de matarem Osama bin Laden e assumirem a custódia do cadáver” – Obama prosseguiu. – “A morte de bin Laden assinala o mais importante feito de nossa nação, até o presente momento, em nossos esforços para derrotar a al-Qaeda.”

Há notícias de que também foram assassinados um dos filhos de bin Laden, duas de suas esposas e vários auxiliares, no ataque que incluiu helicópteros armados com metralhadoras.

O assassinato de Bin Laden foi confirmado pela inteligência do Paquistão. O tenente-general Ahmad Shuja Pasha, diretor-geral do Inter-Services Intelligence (ISI), disse que a inteligência do Paquistão sabia do plano e participou de todo o processo.

Os EUA puseram em alerta todas as embaixadas no mundo e avisaram os cidadãos, da possibilidade de haver retaliações. Esses alertas confirmam informações que Asia Times Online obteve de várias fontes, segundo as quais o assassinato de Bin Laden provocará o reinício de ações do terrorismo internacional contra capitais do ocidente, suspensos desde o início da grande revolta árabe de 2011.

No final do mês passado, Bin Laden avisou que a al-Qaeda desencadearia um “inferno nuclear” se ele fosse capturado, segundo telegramas diplomáticos secretos publicados por WikiLeaks.

Obama disse que a CIA sabia desde outubro de 2010 que estava mais próxima de encontrar a trilha que a levaria a Bin Laden, e que o alvo já aparecia nos radares da inteligência desde o início de 2011, notícia inúmeras vezes divulgada por Asia Times Online:

“Depois de prolongada pausa, a CIA-EUA reiniciou várias operações clandestinas nas montanhas escarpadas do Hindu Kush, pelo Paquistão e Afeganistão, seguindo uma repentina onda de informes de que Osama bin Laden, líder da al-Qaeda, andaria pela área, indo e vindo nas últimas semanas, para várias reuniões de alta cúpula em redutos dos militantes” (“Bin Laden volta a disparar os alarmes”, 24/3/2011, em português).

Os próximos passos

A partir dos levantes populares no Oriente Médio e Norte da África, Bin Laden entrou em ação, para construir uma frente unida dos quadros islâmicos do Paquistão e do Afeganistão, na batalha afegã contra os EUA. Por isso, viajou recentemente ao Afeganistão, para reunião com Gulbuddin Hekmatyar, o legendário comandante mujahid afegão e fundador e chefe do partido político e grupo paramilitar afegão Hezb-e-Islami, e vários outros altos comandantes jihadis. Acredita-se que se tenha deslocado há cerca de dez dias para Abbottabad, de onde estaria às vésperas de sair, várias fontes informaram a Asia Times Online.

As mesmas fontes dizem que o conselho (shura) de comandantes da al-Qaeda passam automaticamente a comandar a organização, até que, adiante, escolha-se outro comandante. Há à espera uma nova geração de comandantes, entre os quais Sirajuddin Haqqani, Qari Ziaur Rahman, Nazir Ahmad e Ilyas Kashmiri, que se uniram à al-Qaeda.

Ao longo dos últimos anos, Bin Laden já se convertera mais em figura popular icônica e deixara a função de comandante de guerra – muitas ações já estavam entregues ao comando de seu representante, Dr. Ayman al-Zawahiri, egípcio, e a outros ideólogos. Por tudo isso, nada autoriza a pensar que haja alguma modificação importante nos processos e mecanismos operacionais.

Consideradas as informações e os muitos contatos que esse jornal mantém com líderes da al-Qaeda, não temos qualquer dúvida de que a Operação Osama Bin Laden marca a transferência do principal teatro de guerra, que sairá do Afeganistão e invadirá o Paquistão; e que todos os esforços já empreendidos para reconciliar os militantes paquistaneses e o governo do Paquistão voltarão à estaca zero. A partir de agora, a al-Qaeda passará a ter como inimigos declarados, além dos EUA, também todo o establishment militar paquistanês.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Esses americanos são uns neuróticos (mesmo!)!

Matthew Cavanaugh/Getty Images/NYT
Que coisa absurda, o Obama cedeu às pressões e publicou no site da Casa Branca a íntegra da certidão de nascimento dele, provando que é americano! Tudo porque o indescritível Donald Trump, que se lançou candidato a presidenciável, juntou-se ao coro fundamentalista que insiste em que Obama não nasceu no Havaí. Vou te contar, que povo louco!






Breaking News Alert
The New York Times
Wed, April 27, 2011 -- 9:24 AM ET
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White House Releases Long Form of President Obama's Hawaii Birth Certificate

President Obama posted a copy of his "long form" birth
certificate, hoping to finally end a long-simmering
conspiracy theory among some conservatives that he was not
born in the United States and was not a legitimate president.

The birth certificate, which is posted online at the White
House website, shows conclusively that Mr. Obama was born in
Honolulu, Hawaii, and is signed by state officials and his
mother.

Read More:
http://www.nytimes.com?emc=na

sexta-feira, 18 de março de 2011

Que mala esse Obama, hein?


Paes e o sósia de bin Laden (Alessando Costa / Agência O Dia)
Essa visita do Obama deu pra ti, viu? O Dia (via @leandrojacruz e @surtado) resolveu levar a sério uma brincadeira desse prefeito (talvez a única coisa engraçada que ele tenha feito na vida) e foi ouvir múmias da Uerj e da USP que consideraram o lance gafe diplomática capaz de criar incidente internacional. Que ignorância absurda! As melhores piadas americanas há muitos anos são em torno do Osama, pô! A TV inteira sacaneia Casa Branca e milicos pela incapacidade de encontrar o cara. E o mundo todo brinca igual.

Ah, pra ser honesta, o Paes fez outra piada engraçada quando o Obama amarelou e pediu pra sair da Cinelândia: "Melhor assim, não vou entrar pra história como o prefeito que fechou o Amarelinho".

Sim, porque o mala do Obama ia fechar tudo na Cinelândia, até o metrô! Melhor piada: "O Obama amarelou, viva o Amarelinho!" (Alexandre Portella, amigo do Marco Aurelio). Mas fiquei com pena do cancelamento, eu tinha decidido ir porque o PT-RJ lançou nota pândega proibindo manifestações contra o Obama, pode? Leiam só:
O Presidente Estadual do Partido dos Trabalhadores, Jorge Florêncio, torna público que não existe qualquer tipo de deliberação por parte desta instância partidária no que concerne a organização, participação e apoio a qualquer tipo de manifestação hostil a presença do Presidente Barack Obama em nosso Estado.

Sendo assim, desautoriza a qualquer membro manifestar opinião, em nome do Partido, que não reflita o posicionamento oficial do mesmo.

Neste momento em que o nosso País consolida-se como um estratégico interlocutor no cenário político internacional a vinda do Presidente Barack Obama ao Brasil, a convite da Presidenta Dilma, deve ser encarada como importante passo para afirmação dos nossos interesses políticos e comerciais.

Receber o Presidente Barack Obama na cidade do Rio de Janeiro no próximo domingo constitui-se importante oportunidade de consolidarmos a imagem da Cidade Maravilhosa, do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil no cenário internacional.
É tão ridículo que resolvi trocar meu avatar pro do Bakunin (by Dylan Miner). Disse lá no Twitter que até queria ser filiada pra poder ser expulsa: iria à manifestação e de camisa da Palestina (vende lá mesmo na Cinelândia, ideia do Marco)! Tá pensando o que, que estamos na URSS? É não, essa P aqui é uma democracia! Capenga mas é. Companheiro do Twitter, @luizmuller, disse: "Confundiram governo com partido!" True!

terça-feira, 15 de março de 2011

A rendição de Obama aos insetos

Comício de Obama em St. Louis
Barack Obama vem aí. Os amigos lembram que em 2008 esta bloguinha encheu sacos amplos e gerais acompanhando obsessivamente a eleição dele (são muitos posts, procurem por McCain ou Obama, Palin ou Biden). Só não pude votar, o resto fiz. Afinal, tínhamos engolido todas as derrotas possíveis em 8 anos de Bush, da invasão do Iraque às medidas de restrição ao aborto. Obama venceu. A alegria durou pouco. Não curti muito o discurso da posse, depois exaltei a frase "We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus – and non-believers", menção inédita aos ateus; critiquei o primeiro Estado da União. A decepção veio devagar e sempre. Eu parecia aquela senhora negra que disse a ele num dos townhalls que ele promoveu: “Estou exausta de defender o senhor e profundamente desapontada” (veja o vídeo aqui).

Eu também fiquei. Tanto que parei de defender e agora só meto o pau. Pois bem, meu companheiro Len, do Ponto&Contraponto, publicou no Teia Livre o texto De joelhos, esperando Obama chegar. Apoiei totalmente. Fiquei inspirada e pensei em mostrar quem é o Obama da Casa Branca, apontando todos os feitos e desfeitas dele. Mas ia exigir um esforço de que esta senhora aposentada aqui não dispõe mais. Então decidi indicar dois filmaços que baixei e vi no domingo: Inside job, sobre a crise de 2008, e Fair game, sobre a via crúcis da espiã Valerie Plame Wilson no governo Bush.

Ambos tratam de episódios conhecidos. Tudo aquilo a gente já sabia, acompanhou em tempo real. Mas ambos mostram os cantos mais sórdidos de Nova York e Washington D.C. Imundos mesmo, gosmentos, repletos de insetos rastejantes que, é lamentável, dominam este planetinha bobinho. E a eles Obama se rendeu total, covarde e vergonhosamente. Como a postejada ficou enorme, vamos primeiro de Inside job.

Inside job – “o filme que custou mais de US$ 20 trilhões para ser feito” –, do diretor Charles Ferguson, é um trabalho infatigável (e às vezes fatigante, como brincou com as palavras este resenhista aqui) sobre a crise financeira dos Estados Unidos. Personagens abjetos desfilam diante de seus olhos apresentados pela voz quase sem emoção ou adjetivos de Matt Damon. Você fica horrorizado pelos fatos, pelo passado deles, pelo contexto histórico em que atuaram. E seu queixo cai: como esses insetos chegaram ao governo? Follow de money.

Nessa tarefa, o documentário se divide em cinco partes: “Como chegamos aqui” é a primeira, que mostra como as atividades financeiras foram pouco a pouco desregulamentadas, deixadas ao sabor da fome de lucro – graças a todos os presidentes a partir de Reagan; a segunda é “A bolha”, que conta como as transações de risco perderam contato com a realidade entre 2000 e 2007; a terceira, “A crise”, que explodiu em 2008, detalha como quebraram, um atrás do outro, Bear Stearns, Lehman Bros etc. A quarta, “Responsabilização”, trata dos homens que fabricaram a crise e continuam ricos e impunes: alguns estão no governo Obama, outros “ensinam” economia em escolas famosas e aparecem na mídia vendida vomitando suas mentiras; a última parte, “Onde estamos agora”, prova: sob Obama, nada mudou.

O filme conquistou um Oscar (Paul Krugman ficou feliz, eu fiquei feliz, todo mundo ficou feliz), mas quando ele termina você compreende não apenas o que são os malditos CDSs que derrubaram a economia americana e a de vários países, mas também como bancos e financeiras tomaram conta do planeta inteiro. A única conclusão possível é muito da desinfeliz, a mais pessimista possível: não há saída. Os insetos dominam congressos, assembléias, câmaras, ministérios, entidades de classe, tudo. Nada se faz sem eles. Entendi demais o Lula depois de ver esse filme: fez o que deu, e foi muito. Já Mr Obama, nada fez. Ele pode vir ao Brasil 20 vezes que eu não estarei nem aí.
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