Nesse instante no Universal: "médico" criminoso não acredita que o HIV cause aids. Mata vários pacientes. No roteiro, os detetives vão descobrindo que essa junkie science se espraia entre "pesquisadores" charlatães que, mesmo banidos da comunidade científica, angariam "fiéis" cegos pela ignorância.Vários deles estiveram na África do Sul no início da década a convite do ex-presidente Mbeki, que assumiu o poder em 1999.
"Trevas" resume a política de saúde pública do governo Thabo Mbeki -- o criminoso sucessor de Nelson Mandela, do qual tanto se esperava. A ministra da Saúde dele, Tshabalala Manto, passou a gestão apregoando os benefícios do alho, da beterraba, da batata-doce e do limão no tratamento da aids. Apregoava isso em encontros científicos internacionais, envergonhando seus conterrâneos. “Dr Beetroot”, a Dra. Beterraba, como foi apelidada, deixou um legado de 5,41 milhões de sul-africanos contaminados pelo HIV numa população de 48,7 milhões de habitantes (o Brasil tem 506.499 pessoas vivendo com o HIV em 196,3 milhões de habitantes; pode ser um pouco mais, devido à subnotificação). Na África do Sul, metade dos profissionais de saúde, 35% dos universitários, todos contaminados. Escrevi sobre isso (página acima) na edição retrasada da Radis (texto aqui). Felizmente, Mbeki caiu em setembro. Mas Dr. Beetroot não está sozinha na insanidade criminosa. O presidente de Gâmbia, Yahya Jammeh, no poder desde um golpe de estado em 1994, faz sessões de cura da aids com ervas e reza.
Nem tenho palavras para descrever o que sinto sobre isso. Vendo o episódio, fiquei até trêmula, como se não fosse ficção, porque é a realidade para muitos.







