terça-feira, 9 de dezembro de 2008

HIV, as trevas, o horror

Nesse instante no Universal: "médico" criminoso não acredita que o HIV cause aids. Mata vários pacientes. No roteiro, os detetives vão descobrindo que essa junkie science se espraia entre "pesquisadores" charlatães que, mesmo banidos da comunidade científica, angariam "fiéis" cegos pela ignorância.

Vários deles estiveram na África do Sul no início da década a convite do ex-presidente Mbeki, que assumiu o poder em 1999.

"Trevas" resume a política de saúde pública do governo Thabo Mbeki -- o criminoso sucessor de Nelson Mandela, do qual tanto se esperava. A ministra da Saúde dele, Tshabalala Manto, passou a gestão apregoando os benefícios do alho, da beterraba, da batata-doce e do limão no tratamento da aids. Apregoava isso em encontros científicos internacionais, envergonhando seus conterrâneos. “Dr Beetroot”, a Dra. Beterraba, como foi apelidada, deixou um legado de 5,41 milhões de sul-africanos contaminados pelo HIV numa população de 48,7 milhões de habitantes (o Brasil tem 506.499 pessoas vivendo com o HIV em 196,3 milhões de habitantes; pode ser um pouco mais, devido à subnotificação). Na África do Sul, metade dos profissionais de saúde, 35% dos universitários, todos contaminados. Escrevi sobre isso (página acima) na edição retrasada da Radis (texto aqui).

Felizmente, Mbeki caiu em setembro. Mas Dr. Beetroot não está sozinha na insanidade criminosa. O presidente de Gâmbia, Yahya Jammeh, no poder desde um golpe de estado em 1994, faz sessões de cura da aids com ervas e reza.

Nem tenho palavras para descrever o que sinto sobre isso. Vendo o episódio, fiquei até trêmula, como se não fosse ficção, porque é a realidade para muitos.

Acredite se quiser

Folha, 6/12

"Quando eu vir sair um coelho do ovo de uma tartaruga, ou de um ovo de pata sair uma vaca, e uma macaquinha parir um bebê humano, acreditarei na tal Teoria da Evolução. Caso contrário, prefiro crer que fui feito por Deus, e não que minha tetravó era a Chita, companheira do famoso Tarzan. Se a pessoa entra numa escola confessional, evidentemente terá de ao menos tolerar a fé que sabidamente é adotada por tal instituição de ensino. Ou será que faltam instituições laicas no Brasil?"
TI*A*GO BA*NA FR*AN*CO (Campo Grande, MS)

Escândalo no estado do Obama


Esse cretino da esquerda, Rod Blagojevich, governador democrata de Illinois (o estado de Barack Obama, ou pelo menos o que ele escolheu para viver), foi preso de manhã pelo FBI porque estava vendendo a vaga de Obama no Senado.

O louco sistema eleitoral americano estabelece que é o governador que indica o novo ocupante da vaga, já que não há suplente.

A Fox News está surfando nesse escândalo. Mas eu aposto que foi a equipe do Obama que denunciou isso, alertada pelos possíveis "compradores" da indicação. O FBI já estava investigando o sujeito há tempos por desvios diversos. Juntou tudo e botou o canalha em cana.

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Sunny comenta que parece o PM*DB, e lembra, sim: o Wel*lington Sal*gado, dono de uma cadeia de cursinhos que o tornou milionário, teve 17 votos na eleição de que participou. Deve ter pago uma fortuna ao partido para pegar a mamata.

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Local news reports, meanwhile, suggest that it was Obama chief-of-staff Rahm Emanuel who blew the whistle on the governor. (Rahm Emanuel, futuro chefe de gabinete do Obama, foi quem soprou a denúncia no ouvido do FBI)

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Gravação (autorizada pela Justiça). Fala o governador:
-- Fuck Obama... Quero fazer dinheiro. Se não for do jeito que eu quero, eu mesmo ocupo essa vaga. Devo dar a esse motherfucker um senador? De graça? Foda-se ele.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Que finíssima ironia!


Quando deixar a Casa Branca, de rabo entre as pernas e certamente pela porta dos fundos, para dar lugar a Barack Obama, George. W. Bush, o Tapado Bestial, vai morar nessa mansão aí em cima, no bairro de Preston Hollow, área luxuosa de Dallas. Isso não espanta, o butim EUA/Iraque (fala, Dick Cheney!) dá pra isso e muito mais.

O que espanta é que o condomínio não aceitava negros até 2000!

Heroína chapa-branca

Estou ansiosa para ver Nothing But the Truth, que acaba de ser lançado nos EUA (acho que ainda nem chegou ao circuito comercial, houve apenas uma apresentação para críticos no dia 5, por isso ainda não achei pra baixar nos sites de download). O filme conta a história da indecente repórter Judith Miller, do NYT, que revelou a identidade de uma agente da CIA, Valerie Plame, numa das manobras mais sujas da Casa Branca de George W. Bush e Karl Rove, seu falcão mais "político" e mais nocivo.

É que o marido de Valerie, o embaixador Joe Wilson, foi enviado a Níger em fevereiro de 2002 pela CIA para investigar se Saddam Hussein comprara ali urânio enriquecido. Em seu relatório, na volta, Wilson informou que "era altamente duvidoso que tal transação houvesse ocorrido" -- respaldavam sua conclusão vários outros informes. Qual não foi sua surpresa (adoro esta frase!) quando ouviu Bush anunciar em janeiro de 2003, no discurso State of the Union, no Congresso, que o "governo britânico apurou que Saddam Hussein recentemente buscou significativas quantidades de urânio na África". A AIEA veio a público afirmar que eram forjados os documentos citados por Bush! Mesmo assim o canalha invadiu o Iraque -- alegava entre outras mentiras a compra por Saddam dos tais tubos de alumínio que citei lá embaixo.

Pois bem, Wilson então escreveu artigo para o NYT, publicado em 6 de julho: "What I Didn't Find in Africa" (o que não achei na África), desmascarando Bush. Por vingança, a Casa Branca vazou a identidade da mulher dele, uma agente secreta. Isso deu um baita rebu, chegou à Justiça e Judith Miller, a cretina que virou porta-voz dos falcões de Bush em pleno NYT, recusou-se a revelar a fonte que vazara a informação. Foi presa -- e muita gente a considerou heroína da profissão.



A crítica americana já opinou que o filme não é sobre Judith Miller, porque Kate Beckinsale (esq.), que a encarna, é bonita, e Judith (dir.), não. Ela nem é feia, e o filme deve ser boa porcaria por outra razão: doura o perfil desta marionete do Bush. Pelo jeito que revela o IMDB, nada fala das matérias que estimularam a invasão do Iraque, apenas da "heroína" que não revelou fontes... E que fontes! O pior da Casa Branca, o pior do Pentágono e o pior dos dissidentes do Saddam. Parabéns, dona heroína da profissão. Espero que você continue pastando onde está... a Fox News. O pior da televisão.

O cretino hoje 2

Aloisio Mercadante, no artigo "Calote na integração", diz o seguinte:
"Essas lições da História tornam preocupante o nacionalismo que parece ter tomado conta de alguns países da América do Sul. A decisão do Equador, país duramente afetado pela crise, de questionar a dívida contraída junto ao BNDES em função de problema técnico numa obra da Odebrecht é exemplo de atitudes que podem comprometer o esforço pela integração da região e aprofundar a recessão.

Tal problema, que poderia ter sido resolvido com rápida negociação, foi politizado de forma inadequada.

Considere-se que a Odebrecht estava há 23 anos no Equador, tendo lá realizado 9 grandes projetos sem questionamentos."
Três cositas a mencionar:

1) Não sei se a crise provocou essa reação do Equador. Acho que ela viria sem crise.
2) Onde há empreiteira há sujeira da grossa.
3) A própria dívida externa do Brasil é objeto de contestação há muitos anos. Até estranho que ninguém tenha mencionado isso (pelo menos eu não vi), e tantos se espantem com a decisão do Rafael Correa. Ora essa, fazer auditoria em nossa dívida era uma das bandeiras da esquerda. Lula só foi eleito, dizem, porque na "Carta ao povo brasileiro", de 22 de junho de 2002, prometeu: "Premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país."

De qualquer modo, acho que o Mercadante está certo neste ponto:
"Temos de seguir o exemplo da Europa, que aprendeu as duras lições da História. Lá, a resposta à recessão vem sendo o aprofundamento da integração e políticas anticíclicas convergentes. Dinamarca, Islândia e a própria Grã-Bretanha já pensam em ingressar na zona do euro."
Afinal, integração, e não divisão, é a saída possível para a América pobre. Nisso o Rafael Correa pisou mesmo. Deveria ter proposto um encontro de cúpula sobre esse assunto. Seria um exemplo luxuoso de amadurecimento da nossa região, com repercussão estrondosa no mundo, "nos mercados", no governo Obama. Mas não, nos comportamos todos infantilmente. Como sempre.

***

Não resisti mais aos apelos dos chatíssimos marketeiros do cretino e descancelei o cancelamento da assinatura: me propuseram um bom desconto na mensalidade e aceitei, pensando no Marco, que está voltando ao Rio e precisa de um jornal. Lá em Sampa ele lia a Folha. Que inveja... (Dotô Frias também era amigão dos gorilas; mas a Folha, embora um dos carros-chefe da PIG, faz algum jornalismo em temas fora da política.)

O cretino hoje

O Globo de hoje dá início a série de reportagens sobre a contribuição civil à ditadura! Vou aguardar ansiosamente para ver a fotografia do Dotô Roberto bem grande na primeira página! Afinal, Roberto Marinho foi um dos maiores colaboradores! Sua TV e seu jornal prestaram inestimáveis serviços aos nossos gorilas, tanto financeiros quanto midiáticos!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Um general comovente

Grande reportagem ("Scream Bloody Murder") de Christiane Amanpour, na CNN, por vários "campos da morte para entender a indiferença do mundo diante das vozes corajosas que inutilmente pediram ajuda para impedir genocídios". Camboja, Bósnia, Darfur...

Comovente a entrevista do general canadense Romeo Dallaire, hoje senador, então comandante da reduzida Força de Paz da ONU em Ruanda, que, mesmo tendo conseguido salvar milhares, viu o massacre de 800 mil tutsis em 1994. "Nas estradas, carregávamos os corpos em nossos braços para poder seguir adiante. Eram pilhas de corpos. Botávamos de lado e seguíamos adiante", conta ele, com seu olhar sofrido.

Os Estados Unidos de Clinton previram o banho de sangue, mas não agiram: o trauma de Mogadiscio era muito recente. Na Somália, menos de um ano antes, num confronto que estrategistas e historiadores militares consideram "o combate urbano de curta distancia mais violento desde a Guerra do Vietnã", 18 soldados americanos foram mortos, arrastados pelas ruas, humilhados e alguns até esquartejados, depois que um helicóptero Black Hawk foi abatido. Os EUA queriam se mandar logo da África, "do mesmo jeito que acontecera no Sudeste Asiático 30 anos antes". [É incrível a capacidade dos EUA de se enfiarem em situações sem saída. Lá estão eles enrolados de novo no Iraque e no Afeganistão — não vencem e têm 5 mil soldados mortos para chorar.]

A ONU de Kofi Annan, por sua vez, em lugar de enviar reforços ordenou a retirada dos peacekeepers. O general Dallaire se negou.
-- O Sr. se insubordinou..., comenta a repórter.
-- Ao contrário, eu me recusei a abandonar meu posto. Era uma ordem imoral.
-- Como é sua vida hoje, depois de viver tudo aquilo?
-- Muito comprimido, muita terapia.
-- Mas o Sr. fez tudo o que era humanamente possível.
-- Não foi suficiente. Não foi suficiente.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Truda e a "farmácia do Lula"

Truda conta uma bonita história no blog dele, que só tem um porém: a Farmácia Popular, que ele chama de "farmácia do Lula". Assim como a UPA do Cabral, é uma aberração que contradiz o que determinam a Constituição de 88 e a Lei Orgânica da Saúde (a 8.080/90). Remédio é para ser distribuído de graça pelo SUS e as unidades de saúde devem estar integradas em rede ao sistema, e não constituírem pontos isolados. A Farmácia Popular é um exemplo de má gestão do SUS, e as UPAs fragmentam o sistema.



E ainda assim o SUS é um gigantesco milagre que causa espanto aqui e lá fora: poucos sabem disso, mas em 2007 houve 2,7 bilhões -- BILHÕES! -- de procedimentos ambulatoriais, 610 milhões de consultas, 110 milhões de atendimentos por agentes comunitários de saúde em 95% dos municípios, 87 milhões de pessoas atendidas por 27 mil equipes de saúde da família, 150 milhões de vacinas aplicadas, 10,8 milhões de internações. E mais: 3,1 milhões de cirurgias (215 mil cardíacas e 15 mil transplantes), 9,7 milhões de sessões de hemodiálise, 9 milhões de sessões de radioquimioterapia, 403 milhões de exames laboratoriais, 13,4 milhões de exames radiológicos sofisticados, 212 milhões de ações odontológicas, 23 milhões de ações de vigilância sanitária, e um baita controle da aids, que é referência mundial.



Tá bom? Longe disso. Mas eu duvideo-dó que algum país do mundo tenha isso. Lula e Cabral, no entanto, investem em ações fora do sistema, em vez de investir no sistema. É triste!



Quem ouviu falar em que os órgãos da pobrezinha da Eloá foram retirados e transplantados por equipes do SUS? Ninguém. Pois é o SUS que faz transplante neste país. Na Radis de janeiro teremos um texto comentando isso. Mas em todas as edições procuramos mostrar um pouco do que a PIG esconde. Metemos o pau também, que a revista não é chapa-branca, embora financiada pelo governo. Tem gestor que nem fala conosco, de tanta coisa errada que apontamos. Mas a revista é séria e equilibrada. Procura fazer jornalismo, apesar das limitações.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

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