sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Blog sem sentido

Este blog não faz sentido. Só avisei dele a 10 pessoas, por medo do assédio da direita, que me fez apagar o marinildadas original (que arrependimento... vários posts tinham tudo a ver com os dias de hoje!). Essas 10 pessoas não têm o menor interesse na única coisa que me interessa: a eleição americana.

Então, dada essa "desconexão", concluo: o blog não faz sentido. Nem ando antenada no país como estava no período 2002-2004, nem meus 10 amigos dão a mínima aos Estados Unidos.

Mas sou teimosa e pergunto: que importância tem para o mundo se vence Gabeira ou Paes? A Terra está metida numa travessia tão grave, mas tão grave que pouco me importa se o próximo prefeito vai cobrir ou não o buraco na minha rua. As únicas coisas que realmente contam neste momento, pelo que representam para o destino da humanidade, são:

1) A crise vai "educar" os capitais voláteis ou eles continuarão à vontade para fortalecer ou derrubar economias?
2) As premissas básicas da Guerra Fria vão continuar determinando a política mundial ou voltarão a seu lugar na história, ou seja, ao passado?
3) O fundamentalismo vai continuar a ser histericamente alimentado ou voltará a seus limites aceitáveis, se há algum?

A ordem das questões é, digamos, marxista, mas isso é indiferente. O que importa é que a essas perguntas, em resumo, a humanidade tem que dar resposta. E a primeira será dada no dia 4, na eleição americana. Se quisermos deixar para trás a Era Bush, se quisermos um pouco de sossego, se quisermos um pouco de paz, se quisermos liberdade de religião, ideologia, sexualidade, mais casamento gay e células-tronco, ciência antes da fé, teoria da evolução antes do criacionismo, se quisermos um mundo complexo e diversificado, um planeta mais preocupado com sua sobrevivência e, principalmente, menos fome no universo, enfim, se quisermos vida e liberdade caminhando juntas, tudo começa com a derrota de John McCain-Sarah Palin.

Embora não sejam flor que se cheire e nem tudo tenha sido lindo o tempo todo com os democratas, o mundo sempre foi melhor sob o governo deles nos Estados Unidos. O resto vem: a economia americana cresce e se espraia, as perseguições de todo tipo diminuem, os direitos civis são mais respeitados interna e externamente (a grande imprensa brasileira, historicamente comprometida com a ditadura, até hoje tem horror de Jimmy Carter, porque ele cobra respeito aos direitos humanos aqui!), os "diferentes" são deixados em paz, o clima bélico perde força.

Só penso na vitória do Barack Obama, me desculpem. Por isso esse blog perdeu o sentido. Não digo que não vou postar mais. Mas...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

História pungente

A tradução é vagabundinha, a começar pelo título, que no original – "Moved by a Crescent" – é repleto de significados (pode ser comovido por um Crescente, o símbolo islâmico, mas também empurrado por algo progressivo, os ataques da chapa republicana). Enfim, a história é pungente. Até sobra pro Obama, mas fazer o quê? Tá pisando mesmo... Essa articulista do New York Times é bem boa. Por isso, deixo no pé o link para o original. Basta se cadastrar para acessar.

***

Colin Powell e o soldado Khan

Maureen Dowd

Colin Powell tem se sentido incomodado com muitos atos de seu partido nesta campanha: os insidiosos rumores de que Barack Obama era muçulmano, com insinuações de que seria simpatizante de terroristas; a insistência de que Sarah Palin está qualificada para ser presidente; o xerife que ao apresentar Sarah desdenhou de Barack Hussein Obama; o argumento republicano de que usar impostos para "distribuir a riqueza" era socialismo, quando o objetivo dos impostos é distribuir a riqueza; a noção de Sarah de que as pequenas cidades que votaram em George W. Bush são "a verdadeira América".

Mas o que o fez compreender que tinha de vir a público foi quando abriu a New Yorker três semanas atrás e viu a foto de uma mãe com a cabeça encostada na lápide do filho, um soldado de 20 anos morto no Iraque. Na lápide estava gravado seu nome, Kareem Rashad Sultan Khan, suas condecorações – o Coração Púrpura e a Estrela de Bronze – e um crescente e uma estrela simbolizando sua fé islâmica. "Olhei para a foto por uma hora", ele me disse. "Quem pode dizer que esse menino enterrado em Arlington com cristãos e judeus e companheiros sem religião não era um bom americano?"

Khan era totalmente americano. Amava os Dallas Cowboys e jogava videogame com sua meia-irmã de 12 anos, Aliya. Seu pai contou que Kareem queria se alistar desde os 14 anos e que ficou revoltado com os ataques do 11 de Setembro. "Sua fé não o demoveu da idéia de ir para o Iraque", disse Feroze Khan ao Gannet News Service. "Ele se via como um americano e com um trabalho a fazer".

Colin Powell foi ao Meet the Press no domingo e falou sobre Khan, na forma como McCain e Palin têm polarizado o país na tentativa de serem eleitos. Foi revigorante ver alguém contra-atacar essas insinuações.

Mesmo a campanha de Obama tem evitado os muçulmanos. O candidato tem ido a sinagogas, mas não a mesquitas, e houve constrangimento quando foi divulgado que sua campanha não permitira que duas mulheres com véu islâmico ficassem atrás de Obama durante um comício em Detroit, porque assessores não queriam que elas fossem mostradas na TV.

O ex-secretário de Estado tem lidado com preconceito em sua vida, dentro e fora do Exército, e sabe que milhões de muçulmanos no mundo se sentem ofendidos com a campanha feita contra Obama. Ele ficou preocupado ao ouvir republicanos dizerem "Vocês sabem que Obama é muçulmano?" "Bem, ele é cristão. Mas a resposta correta, na verdade, é: e se fosse? Há algo errado em ser muçulmano neste país? A resposta é não. Há algo errado em uma criança americana muçulmana de 7 anos acreditar que ele ou ela pode ser presidente?"

Powell recebeu uma nota de Feroze Khan agradecendo por dizer ao mundo que americanos muçulmanos são tão bons quanto qualquer outra pessoa. Mas também recebeu e-mails insistindo em que Obama é muçulmano e chamando-o de inconstitucional e contra a Bíblia por ousar apoiar um socialista. Powell despreza aqueles que dizem que seu apoio se baseia na raça. E se ofende quando sugerem que sua aparição no domingo foi uma expiação pelo Iraque.

Ele viu George W. Bush dizer em 2000 que sua falta de experiência em política externa não importaria porque estaria cercado de profissionais, e usa o mesmo argumento agora para Obama. "Experiência ajuda, mas é a capacidade de julgar que conta".

***

Publicado no New York Times (21/10); reproduzido no Globo (22/10). A foto é de Fred R. Conrad/The New York Times

Não é estimulante?

Juiz pra cá, acusação pra lá... ô eleiçãozinha da gota serena!


Clique na imagem para ampliar.

O pior mesmo é isso, ó!


Na Folha.

Sniff...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Pronto, Truda, tá feliz?


***

Tá tudo no G1:

* Kassab abre 18 pontos sobre Marta em SP, diz Datafolha

* No Ibope, vantagem de Kassab é de 17 pontos

***

No Datafolha, melhor ainda pro Paes.

E a Folha, minha gente?!

Sai da mesmice do Globo, mas a que custo!


Isso na home. Lá dentro, o título diz que Gabeira "se compara a Obama". Mas olha só o que diz a matéria:
No programa, Gabeira também falou dos voluntários que aderiram à sua campanha e fez uma comparação indireta com o candidato a presidente dos Estados Unidos Barack Obama. "Nos último anos, o trabalho político foi profissionalizado. Trabalhava-se [em campanha eleitoral] por dinheiro. Esta novidade [voluntariado] é uma espécie de ressurreição da política. Está acontecendo também nos Estados Unidos", disse o candidato do PV.

É dose, né? Completamente diferente! Sem falar nesses colchetes irritantes! Como se fossemos incapazes de entender sem ajuda deles, até numa frase dessas, em que tudo está perfeitamente claro...

Quem liga a mínima?

Eu tô c@#$%&*ndo e andando!

Esta é uma campanha sem alma, sem ideologia, sem finalidade. É assim que o eleitor vai votar: sem tesão.


Entrelido no Yahoo! Answers

Betsybay pergunta -- Por que outros países prestam atenção na nossa eleição?

Depois de umas 20 respostas longas, complexas ou meramente esculhambativas...

Scrooge responde -- Eles querem saber se serão os próximos a serem atacados.

A famosa quem

Este é o site da Acorn, a ONG que virou vedete na campanha contra Obama. Dá raiva o ódio em torno deles criado pela chapa McPalin.

Black Jesus

Sifiso Yalo, South Africa
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